{"id":1619,"date":"2025-07-13T02:44:36","date_gmt":"2025-07-13T02:44:36","guid":{"rendered":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/?p=1619"},"modified":"2026-04-09T20:20:48","modified_gmt":"2026-04-09T23:20:48","slug":"brics-geopolitica-tijolos-lado-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/brics-geopolitica-tijolos-lado-a\/","title":{"rendered":"BRICS as a Bricks (&#8230;Como Tijolos) Lado A"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Os BRICS poderiam funcionar como blocos para construir um mundo mais equilibrado? E esse equil\u00edbrio ajudaria a diminuir as desigualdades nos pr\u00f3prios pa\u00edses participantes?<\/strong><br><em>imagem: Athena &amp; PLW [colagens digitais]<\/em><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">.<\/h6>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tabloideBRICS-BR-.png\" alt=\"Par\u00f3dia de jornal com t\u00edtulo \u201cBloco desafinado ou nova sinfonia global?\u201d, inspirada na capa do \u00e1lbum Thick as a Brick e ambientada no Rio de Janeiro, com Drummond e um menino negro conversando.\" class=\"wp-image-1666\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tabloideBRICS-BR-.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tabloideBRICS-BR--300x300.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tabloideBRICS-BR--150x150.png 150w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tabloideBRICS-BR--768x768.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tabloideBRICS-BR--780x780.png 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Tabloide fict\u00edcio<em> A Unidade em Pixel<\/em> ironiza a c\u00fapula dos BRICS no Rio de Janeiro com humor sutil e cr\u00edtica geopol\u00edtica. Jos\u00e9 Silva, o menino que previu a desdolariza\u00e7\u00e3o, conversa com Drummond \u00e0 beira-mar.<\/strong><br><em>ilustra\u00e7\u00e3o: Athena&amp;PLW [colagens digitais]<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o da Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de tudo, um aviso: este artigo pretende ser uma tijolada \u2014 com carinho \u2014 no assunto dos BRICS. Dividido em Lado A e Lado B, como nos bons e velhos LPs, vem embalado por rock e cu\u00edca diplom\u00e1tica, com acordes geopol\u00edticos nem sempre afinados.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e1s l\u00ednguas dir\u00e3o que fiquei com inveja do <em>Thick as a Brick <\/em>(cabe\u00e7a dura como tijolo), a saga de um garoto de 8 anos que escreveu um \u00e9pico. Pode ser, pode ser\u2026 Mas este aqui tamb\u00e9m tem seu \u2014 ou melhor, o nosso \u2014 menino: Jos\u00e9 Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Sul Global virou um jogo de montar: est\u00e1 funcionando?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Se a inten\u00e7\u00e3o dos BRICS \u00e9 principalmente econ\u00f4mica, a pergunta \u00e9 simples: est\u00e1 funcionando? T\u00e1. E talvez esteja a\u00ed o motivo da gritaria.<br>Mas a gente sabe: economia n\u00e3o anda sozinha \u2014 est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0s \u00e1reas sociais e ambientais.<br>A aposta, no fundo, \u00e9 essa: que a disparidade entre os membros se transforme em complementariedade \u2014 e que isso resulte no grande trunfo: o famoso ganha-ganha.<\/p>\n\n\n\n<p>BRICS como blocos de montar: cinco pe\u00e7as grandes, d\u00edspares e pesadas do Sul global \u2014 e, desde 2024, mais pe\u00e7as no mesmo jogo. Cada uma com seu formato, encaixe e vontade pr\u00f3pria. N\u00e3o estamos falando de alinhamento perfeito, mas de um tabuleiro em que as pe\u00e7as se testam, se repelem e, \u00e0s vezes \u2014 a ideia \u00e9 essa \u2014 constroem juntas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Thick as a Brick \u2013 flautistas e blocos de montar na diplomacia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Inspirado pela m\u00fasica do Jethro Tull, o bloco BRICS tamb\u00e9m \u00e9 \u2014 e pode ser lido como \u2014 feito de tijolos-blocos de montar geoestrat\u00e9gicos: pe\u00e7as duras de encaixe impreciso, que desafiam a gravidade da diplomacia. As vezes a condu\u00e7\u00e3o do grupo soa como o flautista de Hamelin tentando reger um desfile de egos e interesses. No BRICS quem sopra a flauta<strong>?<\/strong> A China? A R\u00fassia saca uma balalaica? O Brasil entra na pista com cu\u00edca e tamborim? A \u00cdndia dedilha uma c\u00edtara ou flauteia a naja no cesto? A \u00c1frica do Sul marca o ritmo com tambores \u2014 e, nos bastidores, ainda com tamancos?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a pergunta permanece: quem dita o ritmo? H\u00e1 um maestro vis\u00edvel ou apenas um grupo de solistas tentando n\u00e3o sair do tom?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong> Alian\u00e7as \u00e0 torta e \u00e0 direita, pragmatismo e a perna manca da sustentabilidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o dos BRICS reflete, antes de tudo, uma alian\u00e7a pragm\u00e1tica de interesses econ\u00f4micos e geopol\u00edticos. O foco fundacional do grupo \u2014 economia entremeada de pol\u00edtica na base da coopera\u00e7\u00e3o \u2014 se fosse lido pelo <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/sustentabilidade-ou-caos-civilizatorio\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/sustentabilidade-ou-caos-civilizatorio\/\">trip\u00e9 da sustentabilidade<\/a>, teria a perna econ\u00f4mica sustentando o peso todo. O pilar social, tantas vezes citado nas declara\u00e7\u00f5es do BRICS, ainda balan\u00e7a quanto \u00e0 liberdade de express\u00e3o, direitos civis e desigualdade. J\u00e1 o ambiental ocupa um curioso <em>espa\u00e7o neutro<\/em>: afinal, ningu\u00e9m quer ser acusado de ignorar o colapso clim\u00e1tico \u2014 mesmo que o compromisso real continue pra l\u00e1 dos discursos.<br>Em meio a regimes democr\u00e1ticos e autorit\u00e1rios, o bloco caminha entre contradi\u00e7\u00f5es, alian\u00e7as estrat\u00e9gicas e declara\u00e7\u00f5es negociadas linha por linha.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Curiosidades Musicais e Dan\u00e7antes: Cada Um com Seu Som, Cada Um no Seu Tom<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O flautista de Hamelin e a cabe\u00e7a dura como tijolo do Jethro Tull<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Inspirado na ic\u00f4nica can\u00e7\u00e3o <em>Thick as a Brick<\/em> (algo como <em>cabe\u00e7a-dura como um tijolo<\/em>) da banda brit\u00e2nica Jethro Tull, este bloco ampliado dos BRICS lembra uma constru\u00e7\u00e3o que cresce com materiais d\u00edspares. A m\u00fasica, recheada de ironia e introspec\u00e7\u00e3o, poderia muito bem embalar a marcha geopol\u00edtica de pa\u00edses que se seguem uns aos outros \u2014 n\u00e3o por harmonia, mas por interesses, conveni\u00eancia ou pura in\u00e9rcia de t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A imagem do Flautista de Hamelin \u2014ressurge aqui como met\u00e1fora: no caso pode ser qualquer instrumento caracter\u00edstico (de flautas a c\u00edtaras, tambores a balalaicas, cu\u00edcas e tamborins a angklung, qanun e oud \u2014 correspondentes \u00e1rabes a c\u00edtara e ao ala\u00fade \u2014  como met\u00e1fora desse poder hipn\u00f3tico de conduzir nesse novo BRICS+.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Thick as a Brick inspirando o BRICS as a bricks<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Saem os cabe\u00e7as duras da saga do Jethro Tull, se servir a carapu\u00e7a&#8230; entra os dos BRICS.<\/p>\n\n\n\n<p>A China, com seu poderio e sil\u00eancio estrat\u00e9gico? A R\u00fassia, com suas investidas autorit\u00e1rias? O Brasil, pleiteando lideran\u00e7a ambiental com esperan\u00e7a de que o bloco dance ao som da diplomacia e da Amaz\u00f4nia?<\/p>\n\n\n\n<p>Ou ser\u00e1 que ningu\u00e9m de fato conduz \u2014 consenso induz parceria sem press\u00e3o? \u2014 e o bloco segue em frente como uma prociss\u00e3o sonora, cada um batucando seu pr\u00f3prio compasso?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa m\u00fasica como diriam hoje, \u00e9 uma verdadeira saga: 22:40 min de dura\u00e7\u00e3o, contando a hist\u00f3ria de um menino g\u00eanio e seus dilemas, estampada em um jornal fict\u00edcio \u2014 <em>The St. Cleve Chronicle &amp; Linwell Advertiser<\/em> que vinha de encarte no LP.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitarei alguns trechos da can\u00e7\u00e3o ao longo do texto (com tradu\u00e7\u00e3o do site Letras, onde quem se interessar pode ouvir, de novo ou pela primeira vez).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.letras.com\/jethro-tull\/19904\/traducao.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.letras.com\/jethro-tull\/19904\/traducao.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(<em>Se for, volte que tem mais por aqui!<\/em>)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Primeiro, um revival pessoal que muita gente vai lembrar: fita cassete e bic<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ganhei o LP de uma amiga muito querida, l\u00e1 pelos anos 80 \u2014 infelizmente, perdemos o contato. Ainda guardo a bolacha com carinho&#8230; pena que a vers\u00e3o lan\u00e7ada por aqui n\u00e3o tinha o famoso encarte de 12 p\u00e1ginas (numa edi\u00e7\u00e3o comemorativa mais recente \u2014 e mais salgada tamb\u00e9m \u2014 o encarte foi inclu\u00eddo). O encarte era uma par\u00f3dia dos tabloides locais de Londres, repleto de detalhes visuais e narrativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi justamente essa capa que fotografei (a imagem aparece logo abaixo) e usei de base para fazer a minha pr\u00f3pria par\u00f3dia.  E da letra da m\u00fasica retiro alguns trechos (usando a tradu\u00e7\u00e3o do site Letras) fora do contexto da proposta do disco usando ao meu bel-prazer:<\/p>\n\n\n\n<p><em>And say that it&#8217;s a shame<br>Spin me back down the years<br>And the days of my youth<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>E diz que isto \u00e9 uma pena<br>Rebobina-me de volta aos anos<br>E aos tempos da minha juventude<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse rebobinar ao passado, n\u00e3o remete de cara o das fitas de v\u00eddeo, mas das fitas cassete rodando nas canetas Bic, como se fosse um brinquedo da inf\u00e2ncia, a catraca, rebobinando a fita, as vezes ap\u00f3s um conserto com durex. Agora rebobinar fita de v\u00eddeo pra devolver pra locadora&#8230; nem me lembre&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>(Depois da sess\u00e3o nostalgia, ao que interessa aqui&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quase Uma Fake News (s\u00f3 que n\u00e3o, dupla!)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Gerald Bostock e Jos\u00e9 Silva: dois meninos, dois dilemas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A can\u00e7\u00e3o conta a hist\u00f3ria fict\u00edcia \u2014 mas com <em>o jornal falso<\/em> encartado, muita gente pensou que o fato era real \u2014 de que um garoto que escreveu um poema \u00e9pico aos oito anos, chamado Gerald Bostock, mas foi desclassificado. A saga de seu crescimento \u00e9 narrada em versos po\u00e9ticos cheios de cr\u00edticas sociais afiadas e ironias pops, onde ele enxerga duas op\u00e7\u00f5es poss\u00edveis carreiras: ser artista ou um soldado de guerra, como seu pai \u00e9 o seu dilema \u2014 provavelmente ecos do momento mais cr\u00edtico da Guerra do Vietn\u00e3, quando mais de 500 mil soldados foram enviados e os bombardeios se intensificaram.<\/p>\n\n\n\n<p><em>See there, a son is born<br>And we pronounce him fit to fight<br>There are blackheads on his shoulders<br>And there he pees himself in the night<br>We&#8217;ll make a man of him<br>Put him to trade<br>Teach him to play Monopoly<br>And how to sing in the rain<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Veja l\u00e1! Um filho nasceu<br>E decretamos que ele est\u00e1 apto a lutar<br>H\u00e1 cravos em seus ombros<br>E ali ele se mija \u00e0 noite<br>Faremos dele um homem<br>O colocaremos no com\u00e9rcio<br>Ensinaremos a jogar Monop\u00f3lio<br>E como cantar na chuva.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00faltimo verso \u00e9 peculiar \u2014 entrou na chuva, \u00e9 pra se molhar.<br>Ent\u00e3o, o que resta? \u00c9 cantar!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se na ilustra\u00e7\u00e3o se o textinho da manchete n\u00e3o est\u00e1 leg\u00edvel :<\/strong> <strong>leia abaixo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Garoto de 8 anos previu a desdolariza\u00e7\u00e3o em reda\u00e7\u00e3o escolar e foi desclassificado<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Silva, um garoto de apenas 8 anos na sua reda\u00e7\u00e3o da escola previu a desdolariza\u00e7\u00e3o e ainda citou a nova moeda dos BRICS, a Unidade, cunhando a palavra unidiza\u00e7\u00e3o e afirmou que no seu <em>trabalho de guia<\/em>, onde leva os turistas para falar com o poeta, Carlos Drummond de Andrade, que ele faz quest\u00e3o de dizer o nome completo, s\u00f3 receber\u00e1 de agora em diante em Unidade. Foi desclassificado porque um professor alegou que Jos\u00e9 Silva deveria estar estudando e n\u00e3o trabalhando com essa idade.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e1 certo, Jos\u00e9 Silva, n\u00e3o devia trabalhar nessa idade n\u00e3o!, por\u00e9m aqui fica o impasse, deveria ser ent\u00e3o desclassificado?<\/p>\n\n\n\n<p>E Jos\u00e9 Silva inconformado foi reclamar ao seu mentor, pois ele diz ter sido alfabetizado pelo poeta depois que ganhou um livro de poemas de Drummond dado por uma turista que ficou encantado com o menino. Sabia tudo sobre ele. Ao contr\u00e1rio dos mineiros que desejam ir para o Rio de Janeiro, Jos\u00e9 quer ir para Minas, para Itabira. Ele cr\u00ea que o poema Jos\u00e9 foi feito pra ele&#8230; e na verdade ele tem raz\u00e3o! O poeta consolou o menino recitando um poema de Cec\u00edlia Meireles <em>Ou isto ou aquilo<\/em>: &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br><em><strong>Ou se tem chuva e n\u00e3o se tem sol,<br>ou se tem sol e n\u00e3o se tem chuva!&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>&#8230;\u00c9 uma grande pena que n\u00e3o se possa<br>estar ao mesmo tempo nos dois lugares!&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>&#8230;Mas n\u00e3o consegui entender ainda<br>qual \u00e9 melhor: se \u00e9 isto ou aquilo<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Silva se alegrou, abra\u00e7ou o poeta e foi logo fazer&#8230; ou isso ou aquilo. Pois ainda \u00e9 um menino, mas logo esse dilema tamb\u00e9m crescer\u00e1, ser\u00e1 pedreiro como seu pai ou ser\u00e1 poeta?<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, ter\u00e1 que escolher entre o tijolo e o poema \u2014 ou ent\u00e3o, construir versos com as pr\u00f3prias m\u00e3os?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Flauta Musical Hipn\u00f3tica de Ian Anderson<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>J\u00e1 ouviu <em>Aqualung<\/em>? O \u00e1lbum mais famoso do Jethro Tull, lan\u00e7ado em 1971, virou cl\u00e1ssico \u2014 e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. A banda inglesa, formada em 1967, misturava rock com pitadas de folk, jazz e progressivo, tudo isso conduzido pela figura inconfund\u00edvel de Ian Anderson, no vocal e na flauta. Uma flauta que mais parecia m\u00e1gica, quase uma extens\u00e3o do flautista de Hamelin.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, <em>Thick as a Brick<\/em> \u2014 de 1972 \u2014 soa em v\u00e1rias partes como uma trilha meio, me siga!, capaz de arrastar muita gente atr\u00e1s do flautista. E por que n\u00e3o pensar nisso como uma met\u00e1fora do BRICS? Ou, mais amplamente, dessas alian\u00e7as em que alguns tocam a melodia principal (com mais poder de fogo), enquanto os outros v\u00e3o atr\u00e1s, como pipocas&#8230; com autonomia, claro!<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, e em 2012, Ian lan\u00e7ou a continua\u00e7\u00e3o: <em>Thick as a Brick II<\/em>. O que aconteceu com o garoto da primeira saga? Eu n\u00e3o sei. Se voc\u00ea souber, por favor, conte nos coment\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"666\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/thick-as-a-brick-vinil-jethro-tull-capa-lp-1024x666.png\" alt=\"Capa original do LP Thick as a Brick da banda Jethro Tull com jornal fict\u00edcio e vinil\" class=\"wp-image-1639\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/thick-as-a-brick-vinil-jethro-tull-capa-lp-1024x666.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/thick-as-a-brick-vinil-jethro-tull-capa-lp-300x195.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/thick-as-a-brick-vinil-jethro-tull-capa-lp-768x499.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/thick-as-a-brick-vinil-jethro-tull-capa-lp-1536x998.png 1536w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/thick-as-a-brick-vinil-jethro-tull-capa-lp-2048x1331.png 2048w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/thick-as-a-brick-vinil-jethro-tull-capa-lp-1600x1040.png 1600w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/thick-as-a-brick-vinil-jethro-tull-capa-lp-780x507.png 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Esse \u00e9 o<\/strong> <strong>LP do Jethro Tull, <em>Thick as a Brick<\/em>, que ganhei de uma querida amiga nos anos 80&#8230; A capa traz a manchete <em>JUDGES DISQUALIFY &#8216;LITTLE MILTON<\/em>*, sobre o fict\u00edcio Gerald Bostock \u2014 um garoto de 8 anos autor de um poema \u00e9pico. O disco mistura rock, letra po\u00e9tica e cr\u00edtica social, e acabou servindo de inspira\u00e7\u00e3o <strong>\u2014<\/strong><\/strong> <strong>tanto para o texto quanto para ilustra\u00e7\u00e3o\/par\u00f3dia <strong>\u2014<\/strong> para o artigo BRICS as a Bricks.<\/strong><br>* <strong>No jornal&#8230; tabloide\/capa do LP, chamaram o menino de o pequeno Milton, comparando com o grande poeta ingl\u00eas, John Milton que escreveu seu <strong>poema \u00e9pico<\/strong><\/strong>,<strong> Para\u00edso Perdido no s\u00e9culo XVII<\/strong><br><em>Foto: PLW<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem \u00e9 que toca, dita o ritmo e a dire\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quem sopra a flauta: a China? A R\u00fassia saca uma balalaica? O Brasil entra na pista com cu\u00edca e tamborim? A \u00cdndia dedilha uma c\u00edtara ou flauteia a naja no cesto? A \u00c1frica do Sul marca o ritmo com tambores \u2014 e, nos bastidores, ainda com tamancos?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a pergunta \u00e9: quem dita o ritmo? H\u00e1 um maestro vis\u00edvel ou apenas um grupo de solistas tentando n\u00e3o sair do tom?<\/p>\n\n\n\n<p>A met\u00e1fora musical revela os encontros e desencontros: as monarquias do Golfo afinam em outra frequ\u00eancia, a \u00c1frica do Sul ainda luta para equilibrar passado e futuro, e o Brasil samba entre a diplomacia e a hesita\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, o mundo observa, tentando decifrar a melodia \u2014 ou o ru\u00eddo \u2014 dessa sinfonia verde e geopol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma Constru\u00e7\u00e3o de Tijolos Desiguais \u2013 Comparativo Entre os Pa\u00edses Membros<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tabela visual com os dados de emiss\u00e3o de CO\u2082, PIB, popula\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rio, regime de governo e poder militar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os BRICS, agora com 11 membros, s\u00e3o como grandes blocos de montar, coloridos e de formatos variados. T\u00eam potencial para formar uma constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, mas os encaixes ainda desafiam os engenheiros geopol\u00edticos. A tabela abaixo resume essas diferen\u00e7as:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela comparativa dos pa\u00edses BRICS+ e observadores \u2013 dados principais (2023\/2024)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-regular\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Emiss\u00f5es CO\u2082 (Gt)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Pa\u00eds<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Popula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>PIB (US$ trilh\u00f5es)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Renda per capita (US$)<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Regime pol\u00edtico<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Poder militar (ranking GFP 2024)<\/strong><\/td><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">11,5<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>China<\/strong> <strong>CN<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1,41 bi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>17,700<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">12.540<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Regime de partido \u00fanico<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">3\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">2,9<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>\u00cdndia<\/strong> <strong>IN<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1,43 bi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>3,732<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">2.610<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Democracia formal\/<br>defeituosa<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">4\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1,7<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>R\u00fassia<\/strong> <strong>RU<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">144 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>2,240<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">13.680<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Autocracia<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">2\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,7<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Ir\u00e3<\/strong> <strong>IR<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">89 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>0,405<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">4.890<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Teocracia\/autocracia<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">17\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,7<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Indon\u00e9sia<\/strong> <strong>ID<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">277 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>1,393<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">5.050<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Democracia presidenc.<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">13\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,6<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Ar\u00e1bia Saudita<\/strong> <strong>SA<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">36 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>1,112<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">27.220<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Monarquia absolutista<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">22\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,5<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Brasil<\/strong> <strong>BR<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">203 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>2,179<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">10.410<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Democracia<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">10\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,5<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>\u00c1frica do Sul<\/strong> <strong>ZA<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">60 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>0,399<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">6.770<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Democracia (com desafios)<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">33\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,3<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Egito<\/strong> <strong>EG<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">110 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>0,475<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">4.370<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Autorit\u00e1rio<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">14\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,2<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>E.A. Unidos EA<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">10 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>0,498<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">47.660<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Monarquia autorit\u00e1ria<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">56\u00ba<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,02<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Eti\u00f3pia ET<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">126 mi<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>0,113<\/strong><\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1.270<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Autorit\u00e1rio<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">49\u00ba<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Fontes dos dados:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>PIB (2023):<\/strong> estimativas finais consolidadas de FMI, Banco Mundial, OCDE e World Economics (m\u00e9dia ajustada com arredondamento padr\u00e3o para 3 casas decimais).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Popula\u00e7\u00e3o e renda per capita:<\/strong> Banco Mundial, dados atualizados em 2024.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Emiss\u00f5es de CO\u2082:<\/strong> Global Carbon Atlas e IEA (2023).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Ranking militar:<\/strong> Global Firepower Index 2024.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Regime pol\u00edtico:<\/strong> an\u00e1lise cruzada baseada em Freedom House, The Economist Intelligence Unit e classifica\u00e7\u00f5es acad\u00eamica<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong><em>Se voc\u00ea veio do Lado B s\u00f3 pra espiar a TABELA <\/em><\/strong>: <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-b\/#BRICS_no_social_no_ambiental_e_os_parceiros_atuam_onde\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-b\/#BRICS_no_social_no_ambiental_e_os_parceiros_atuam_onde\">clique aqui e volte para l\u00e1<\/a> <strong><em>sem se perder no caminho!<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Curiosidade (eu n\u00e3o sabia!):<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><em>ZA<\/em> vem do holand\u00eas <em>Zuid-Afrika<\/em>, que significa justamente \u00c1frica do Sul. Esse c\u00f3digo resistiu ao tempo e segue sendo usado internacionalmente at\u00e9 hoje como dom\u00ednio de internet (.za), placas de carro e c\u00f3digos da ISO, carregando camadas de hist\u00f3ria, diversidade lingu\u00edstica e a complexidade do pr\u00f3prio pa\u00eds \u2014 onde onze l\u00ednguas s\u00e3o oficiais e a reconcilia\u00e7\u00e3o com o passado caminha junto com a constru\u00e7\u00e3o do futuro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Siglas como bloquinhos de montar: por que BR \u00e9 Brasil e CN \u00e9 China?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os c\u00f3digos de duas letras usados no artigo (BR, CN, IN, etc.) v\u00eam da norma internacional ISO 3166-1 alpha-2. Eles funcionam como pequenos blocos de identifica\u00e7\u00e3o \u2014 simples na apar\u00eancia, mas cheios de hist\u00f3ria.<br>CN, por exemplo, representa <em>China<\/em>, pois CH j\u00e1 estava em uso pela Su\u00ed\u00e7a (<em>Confoederatio Helvetica<\/em>).<br>IN identifica a \u00cdndia, enquanto ID \u00e9 da Indon\u00e9sia.<br>ZA, como vimos, \u00e9 Zuid-Afrika (\u00c1frica do Sul), e n\u00e3o AS, que ficou com Samoa Americana.<br>RU \u00e9 a R\u00fassia, e RS pertence ao Senegal (<em>R\u00e9publique du S\u00e9n\u00e9gal<\/em>).<br>Essas siglas parecem bloquinhos de montar com letras \u2014 e quando se encaixam num mapa, formam um quebra-cabe\u00e7a geopol\u00edtico que vai muito al\u00e9m do alfabeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Curioso mesmo \u00e9 que as vezes as siglas n\u00e3o s\u00e3o regidas pelo que seria l\u00f3gico linguisticamente, mas \u00e9 culturalmente<\/p>\n\n\n\n<p>Siglas iguais necessitavam diferencia\u00e7\u00e3o, seria uma esp\u00e9cie de dan\u00e7a das cadeiras? Em algumas siglas o que perecia ser o mais l\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9, pois desaparece por vezes diante da n\u00e3o l\u00f3gica que n\u00e3o deriva da lingu\u00edstica e sim da cultura. Interessante, n\u00e3o \u00e9? Ah!, voc\u00ea estava lendo o Lado B? Bora voltar pra l\u00e1? <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-b\/#O_conceito_no_entanto_ganhou_vida_propria\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-b\/#O_conceito_no_entanto_ganhou_vida_propria\">Exatamente de onde parou ent\u00e3o, clique aqui!<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Especulando Dedu\u00e7\u00f5es da Tabelinha<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tamanho \u00e9 documento? Renda per capita: o n\u00famero que separa os blocos.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Nem sempre tamanho \u00e9 documento. Veja o contraste: a China \u00e9 gigante em tudo, mas a Eti\u00f3pia, com popula\u00e7\u00e3o parecida \u00e0 do Egito, tem um PIB quatro vezes menor. J\u00e1 os Emirados \u00c1rabes, min\u00fasculos em terra e gente, ostentam uma renda per capita digna de pa\u00eds escandinavo.<br>E na per capita, enquanto uns passam de 20 mil d\u00f3lares por cabe\u00e7a, outros mal chegam a 2 mil. PIB n\u00e3o \u00e9 tudo: importa quanto chega no prato (e no bolso) de cada um.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem manda em casa? Soft e hard power.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quem j\u00e1 n\u00e3o ouviu: <em>Na minha casa mando eu!<\/em> Cada um do seu jeito: alguns foram eleitos (com ou sem aspas), outros herdaram o trono, h\u00e1 quem dependa de um partido e quem dispense cerim\u00f4nias \u2014 aqui mando eu. Esses estilos de governo moldam o cotidiano: controle estatal forte, censura, repress\u00e3o a opositores e viola\u00e7\u00f5es de direitos de minorias ainda s\u00e3o regra em boa parte dos membros.<\/p>\n\n\n\n<p>R\u00fassia, China e \u00cdndia lideram com folga nos gastos militares. Os demais membros tamb\u00e9m pisam firme na marcha. No tabuleiro global, o soft power encanta \u2014 a China quer fazer mais filmes, Bollywood que se cuide \u2014 mas o hard power ainda pesa\u2026 inclusive no pesadelo at\u00f4mico.<br>A \u00cdndia \u00e9 o outro membro dos BRICS+ que possui armas nucleares declaradas, embora em escala bem menor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Carbono n\u00e3o mente \u2014 mas pode constranger.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>China e \u00cdndia lideram as emiss\u00f5es, o que at\u00e9 faz sentido pelo tamanho das economias. Mas isso n\u00e3o isenta ningu\u00e9m da responsabilidade hist\u00f3rica. No fim da fila, Eti\u00f3pia e Emirados \u2014 por raz\u00f5es opostas: um pela pobreza estrutural, outro pela compensa\u00e7\u00e3o em verde-importado.<br>Apesar da expans\u00e3o em n\u00famero e territ\u00f3rio, o bloco continua fragmentado em prioridades, regimes, economias e atua\u00e7\u00f5es globais.<br>A China e a \u00cdndia somam quase 3 bilh\u00f5es de pessoas. Os Emirados \u00c1rabes, por sua vez, t\u00eam menos habitantes que o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. O Brasil tenta preservar florestas \u2014 e tamb\u00e9m derruba muitas. O Egito busca protagonismo regional, enquanto a Eti\u00f3pia ainda tenta sair da crise humanit\u00e1ria.<strong><br><\/strong>O bloco \u00e9 diverso \u2014 e desigual. A pergunta que resta: d\u00e1 para montar um projeto comum com pe\u00e7as t\u00e3o diferentes?<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Principais An\u00fancios da Declara\u00e7\u00e3o Final (Rio de Janeiro, 2025)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Novos membros, novas molduras<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O bloco confirmou a ades\u00e3o plena de seis pa\u00edses: Egito, Eti\u00f3pia, Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos e Indon\u00e9sia.<br>Al\u00e9m disso, foram reconhecidos dez pa\u00edses parceiros com v\u00ednculos formais de coopera\u00e7\u00e3o: Belarus, Bol\u00edvia, Cazaquist\u00e3o, Cuba, Mal\u00e1sia, Nig\u00e9ria, Tail\u00e2ndia, Uganda, Uzbequist\u00e3o e Vietn\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma amplia\u00e7\u00e3o ambiciosa, que projeta o BRICS como um polo geopol\u00edtico ampliado \u2014 mas que tamb\u00e9m amplia os desafios de coes\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Paz, clima e digital: consensos poss\u00edveis (na superf\u00edcie)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os BRICS reafirmaram o compromisso com o multilateralismo, o respeito \u00e0 Carta da ONU e a resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de conflitos \u2014 embora alguns membros estejam diretamente envolvidos em guerras ou tens\u00f5es regionais.<br>Apoiaram tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de uma governan\u00e7a digital que respeite a soberania nacional, os direitos humanos e evite a chamada \u201cfragmenta\u00e7\u00e3o da internet\u201d.<br>Na quest\u00e3o ambiental, reafirmaram os compromissos com o Acordo de Paris e uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, ainda que com trajet\u00f3rias distintas \u2014 cada um no seu ritmo, no seu combust\u00edvel e no seu discurso.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Economia desdolarizada e sustentabilidade sob medida<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Apoiaram os <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/o-que-sao-os-ods-parte-a\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/o-que-sao-os-ods-parte-a\/\">ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel)<\/a>, refor\u00e7ando seu compromisso com a <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/agenda-2030-por-que-ainda-apostamos\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/agenda-2030-por-que-ainda-apostamos\/\">Agenda 2030 da ONU<\/a>, ainda que cada pa\u00eds defenda o respeito \u00e0 sua pr\u00f3pria soberania na defini\u00e7\u00e3o dos caminhos para alcan\u00e7\u00e1-los.<br>No front econ\u00f4mico, avan\u00e7aram nas discuss\u00f5es sobre sistemas de pagamento em moedas locais, apoio ao Novo Arranjo de Reservas (CRA) e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de plataformas de pagamento independentes \u2014 em linha com o projeto de desdolariza\u00e7\u00e3o liderado por China e R\u00fassia.<br>Por fim, reafirmaram o compromisso com a reforma das institui\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a global, especialmente no que diz respeito \u00e0 inclus\u00e3o de pa\u00edses em desenvolvimento nas decis\u00f5es do sistema financeiro internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses pontos refletem uma tentativa de posicionar o BRICS como for\u00e7a alternativa no cen\u00e1rio global, sem abrir m\u00e3o das autonomias nacionais \u2014 e costurando um tecido diplom\u00e1tico com muitas cores, texturas e dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O som do tijolo: fim do lado A<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Bloco em compasso irregular: nem sinfonia, nem ru\u00eddo puro. O BRICS ampliado desafia defini\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis. N\u00e3o \u00e9 bem um bloco coeso, nem uma colcha de retalhos improvisada. \u00c9 mais como uma banda de instrumentos diferentes, ensaiando juntos sem maestro \u2014 ser\u00e1 que todos sabem disso? H\u00e1 batidas firmes, disson\u00e2ncias gritantes e momentos de pura improvisa\u00e7\u00e3o. O som que sai disso tudo? Ainda em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Contradi\u00e7\u00f5es como mat\u00e9ria-prima (e n\u00e3o como defeito)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os BRICS n\u00e3o escondem suas fissuras: diferen\u00e7as de regime, de poder econ\u00f4mico, de prioridades ambientais e sociais. Mas talvez seja a\u00ed que more a pot\u00eancia do grupo \u2014 nas trincas que permitem di\u00e1logo, nas frestas onde cabe negocia\u00e7\u00e3o. Como num jogo de montar, o que parece defeito pode virar pe\u00e7a de encaixe. Desde que haja vontade pol\u00edtica, jogo de cintura e uma certa dose de cola sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O lado B da bolacha: dos andaimes aos acabamentos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Se aqui exploramos as funda\u00e7\u00f5es tortas e os ru\u00eddos musicais do BRICS, na segunda parte mergulharemos nos bastidores da declara\u00e7\u00e3o final de 2025, no trip\u00e9 inst\u00e1vel da sustentabilidade e nas tintas verdes que cobrem o concreto. Porque o bloco pode at\u00e9 ser feito de cabe\u00e7as duras como tijolos (<em>thick as a brick<\/em>), mas ainda h\u00e1 espa\u00e7o para abrir janelas. Siga conosco \u2014 cu\u00edca afinada e lupa em punho \u2014 e vamos botar o lado B da bolacha para tocar!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tijola\u00e7o II no ar!<\/strong> EM BREVE!<\/h3>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea achou que o primeiro j\u00e1 pesava na mochila geopol\u00edtica, espera s\u00f3 pra ver o que vem agora: o bloco dos BRICS tentando sustentar a si mesmo, com cimento verde no barulho de um mundo em reforma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os BRICS poderiam funcionar como blocos para construir um mundo mais equilibrado? 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