{"id":1730,"date":"2025-07-19T00:39:50","date_gmt":"2025-07-19T00:39:50","guid":{"rendered":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/?p=1730"},"modified":"2026-04-09T21:37:29","modified_gmt":"2026-04-10T00:37:29","slug":"brics-geopolitica-tijolos-lado-b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/brics-geopolitica-tijolos-lado-b\/","title":{"rendered":"BRICS as a Bricks (&#8230;Como Tijolos) Lado B"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Um trip\u00e9 que insiste em caminhar \u2014 mesmo quando o equil\u00edbrio ainda \u00e9 uma promessa<\/strong><br><em>imagem: Athena &amp; PLW [colagens digitais]<\/em><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">.<\/h6>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/brics-musica-diversidade-sinfonia-global-1-683x1024.png\" alt=\"M\u00fasicos de diferentes culturas tocam instrumentos tradicionais sentados sobre blocos coloridos, representando os BRICS como uma sinfonia global em constru\u00e7\u00e3o.\" class=\"wp-image-1796\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/brics-musica-diversidade-sinfonia-global-1-683x1024.png 683w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/brics-musica-diversidade-sinfonia-global-1-200x300.png 200w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/brics-musica-diversidade-sinfonia-global-1-768x1152.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/brics-musica-diversidade-sinfonia-global-1-780x1170.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/brics-musica-diversidade-sinfonia-global-1.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Na sinfonia dos tijolos, o som n\u00e3o vem s\u00f3 dos instrumentos, mas das diversas diferen\u00e7as que tentam tocar no mesmo compasso, aqui os tijolos de montar s\u00e3o regulares, pois um quesito inusitado deixam todos iguais como voc\u00ea poder\u00e1 ver no decorrer da mat\u00e9ria<\/strong><br><em>ilustra\u00e7\u00e3o: Athena&amp;PLW [colagens digitais]<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando o bloco vira obra de arte\u2026 ou obra inacabada?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O Lado B da bolacha dos BRICS as a Brick, desmonta contradi\u00e7\u00f5es com humor e cu\u00edca cr\u00edtica \u2014 a esperan\u00e7a de que consigamos isso&#8230; nunca morre.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca avan\u00e7os reais e exp\u00f5e trincas no bloco que quer mudar as regras do jogo cujas regras outros querem e\/ou tentam mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>No <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-a\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-a\/\">Lado A dessa bolacha (LP) em forma de artigo<\/a>, vimos que os BRICS+ (ampliado) se parecem mais com um conjunto de tijolos-de blocos geoestrat\u00e9gicos coloridos e irregulares do que com uma constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida \u2014 ao som da m\u00fasica <em>Trick as a Brick (<\/em>cabe\u00e7a dura como tijolo).<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, no Lado B, seguimos tocando a bolacha no canteiro de obras \u2014 vamos tentar entender como pa\u00edses t\u00e3o d\u00edspares se juntaram, passando por cima de diferen\u00e7as cruciais \u2014 e, mais importante, em nome do qu\u00ea.<br>E o que mais surpreende: como conseguem chegar a resolu\u00e7\u00f5es conjuntas&#8230; sem vota\u00e7\u00e3o.<br>Esse entendimento vai ganhando forma \u00e0 medida que revisitamos a hist\u00f3ria do grupo, sua liga e motiva\u00e7\u00f5es \u2014 e percebemos como os BRICS, agitando o Sul Global, mexem com os nervos (e os interesses) do G7.<br>A ponto do t\u00e9cnico dos EUA tentar mudar as regras no meio da partida, em busca de um <em>home run<\/em> solo.<br>\u00c9 a\u00ed que entram o <em>fair play econ\u00f4mico<\/em>, o tal banco que n\u00e3o \u00e9 Banco&#8230; dos BRICS (mas \u00e9), e \u2014 sim, de novo! \u2014 o<a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/sustentabilidade-ou-caos-civilizatorio\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/sustentabilidade-ou-caos-civilizatorio\/\"> trip\u00e9 da sustentabilidade<\/a>, que no caso dos BRICS, anda meio manco&#8230; mas de bengala verde.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Amplia\u00e7\u00e3o, pegada e descompasso<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No Lado A, vimos que a entrada de novos membros e parceiros desafia o cambaleante trip\u00e9 da sustentabilidade. Enquanto alguns pa\u00edses marcham firmes no pilar econ\u00f4mico, outros trope\u00e7am no social ou ignoram o ambiental. Cada qual toca o que lhe \u00e9 de direito, c\u00edtara, balalaica, cu\u00edca ou ainda angklung indon\u00e9sio, qanun e oud \u2014 estes dois \u00faltimos, correspondentes \u00e1rabes a c\u00edtara e ao ala\u00fade \u2014  mas nem sempre no mesmo compasso e muito menos no mesmo tom. Com mais vozes no coral, aumenta o risco de desafinar&#8230; mas tamb\u00e9m a chance de inventar uma nova harmonia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E por aqui, no Conex\u00f5es&#8230;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Com o ouvido atento ao som das obras. Nesse lado B da bolacha \u2014 ou seja, o outro lado da conversa \u2014 trazemos compara\u00e7\u00f5es curiosas, conclus\u00f5es da c\u00fapula, pegadas de carbono, ru\u00eddos diplom\u00e1ticos e notas dissonantes sobre direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque se o mundo est\u00e1 <em>Thick as a Brick<\/em> \u2014 more than ever \u2014 cabe\u00e7a dura como tijolo, mais do que nunca\u2026 talvez o jeito seja aprender a plantar verde at\u00e9 no concreto. Ou, pelo menos, colocar uns vasos em cima dele.<\/p>\n\n\n\n<p>E tem mais: Os BRICS+ parecem um bloco econ\u00f4mico \u2014 mas n\u00e3o s\u00e3o. Parecem uma organiza\u00e7\u00e3o internacional \u2014 mas n\u00e3o s\u00e3o exatamente uma organiza\u00e7\u00e3o, embora sejam internacionais, sim. Seria um grupo homog\u00eaneo \u2014 isso n\u00e3o s\u00e3o mesmo! Soam como um bloco antiocidental \u2014 mas n\u00e3o s\u00e3o: apenas ladram quando pisam no calo. Parecem um clube fechado \u2014 mas est\u00e3o plenamente abertos a negocia\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, afinal&#8230; o que te parecem os BRICS+? <\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O bloco original e seus encaixes dif\u00edceis<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do acr\u00f4nimo BRIC ao agrupamento pol\u00edtico<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A sigla <strong>BRIC<\/strong> nasceu em 2001 no seio do sistema financeiro global \u2014 da\u00ed a hegemonia do econ\u00f4mico. Foi o economista Jim O\u2019Neill, do banco Goldman Sachs, quem cunhou o termo para se referir a quatro pa\u00edses emergentes com grande potencial de crescimento: Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China.<br>Naquele momento, n\u00e3o se tratava de um grupo pol\u00edtico, mas de uma leitura de mercado \u2014 quase uma sugest\u00e3o para que investidores diversificassem suas apostas al\u00e9m do eixo Estados Unidos\u2013Europa\u2013Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O conceito, no entanto, ganhou vida pr\u00f3pria<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A partir de 2006, os quatro pa\u00edses come\u00e7aram a se reunir informalmente. Em 2009, aconteceu a primeira c\u00fapula oficial, em Ecaterimburgo, na R\u00fassia. Um ano depois, em 2010, a \u00c1frica do Sul foi convidada a se juntar ao grupo, transformando o BRIC em BRICS \u2014 com o S de South Africa.<br>(Nem todos imaginavam ou sabiam que o certo seria BRICZ \u2014 se voc\u00ea n\u00e3o sabe por qu\u00ea e <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-a\/#Curiosidade_eu_nao_sabia\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-a\/\">ficou curioso em saber clique aqui<\/a>, no Lado A explicamos direitinho a origem e qual a sigla oficial da \u00c1frica do Sul como o do Brasil \u00e9 BR&#8230; e tamb\u00e9m de algumas outras siglas nacionais, inclusive aquelas que aparecem como sufixo depois do <em>.com<\/em>.)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Se juntou a fome com a vontade de comer \u2014 ent\u00e3o porque n\u00e3o ter um encontro anual?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, as c\u00fapulas dos BRICS se tornaram anuais, ora em um pa\u00eds \u2014 ora em outro (sem furo) \u2014 as de 2021, 2022 e 2023 foram realizadas por v\u00eddeo confer\u00eancia em plena pandemia. O grupo passou a desenvolver uma agenda pr\u00f3pria, ainda que marcada por interesses divergentes e desconfian\u00e7as m\u00fatuas. O que era um acr\u00f4nimo jornal\u00edstico se transformou num bloco pol\u00edtico heterog\u00eaneo, com ambi\u00e7\u00f5es de reforma do sistema internacional \u2014 mirando institui\u00e7\u00f5es como o FMI, o Banco Mundial e o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/decisao-por-consenso-683x1024.png\" alt=\"Infogr\u00e1fico colorido com fundo amarelo, tr\u00eas pe\u00e7as de quebra-cabe\u00e7a no centro (verde, creme e roxa) simbolizando diversidade e uni\u00e3o. Texto central destaca: \u201cCONSENSO NO BRICS+: COMO \u00c9? \u2014 Numa resposta curta: POR CONSENSO\u201d. Abaixo, explica que o princ\u00edpio b\u00e1sico de decis\u00e3o \u00e9 a unidade na diversidade, com destaque para a frase: \u201cEu concordo!, junta! Eu n\u00e3o concordo\" class=\"wp-image-1814\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/decisao-por-consenso-683x1024.png 683w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/decisao-por-consenso-200x300.png 200w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/decisao-por-consenso-768x1152.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/decisao-por-consenso-780x1170.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/decisao-por-consenso.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Uma regra com princ\u00edpios  democr\u00e1ticos surgida por&#8230; consenso<\/strong><br><em>ilustra\u00e7\u00e3o: Athena&amp;PLW [colagens digitais]<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A recente amplia\u00e7\u00e3o: novos membros e novos enigmas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os BRICS dobraram as apostas ao dobrar os membros?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em 2024, o BRICS surpreendeu ao anunciar sua primeira grande expans\u00e3o, incorporando cinco novos pa\u00edses: Egito, Eti\u00f3pia, Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes Unidos, o dobro. J\u00e1 em 2025, a Indon\u00e9sia se juntou como membro pleno, agora onze.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Al\u00e9m disso, mais dez pa\u00edses passaram a integrar o bloco na condi\u00e7\u00e3o de parceiros de di\u00e1logo: Belarus, Bol\u00edvia, Cazaquist\u00e3o, Cuba, Nig\u00e9ria, Mal\u00e1sia, Tail\u00e2ndia, Vietn\u00e3, Uganda e Uzbequist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que une esse novo BRICS?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O desejo comum de maior autonomia frente \u00e0s pot\u00eancias ocidentais?<\/li>\n\n\n\n<li>O peso energ\u00e9tico dos membros do Oriente M\u00e9dio?<\/li>\n\n\n\n<li>O ressentimento hist\u00f3rico em rela\u00e7\u00e3o ao colonialismo?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Talvez um pouco de tudo isso \u2014 mas, na pr\u00e1tica, o bloco se torna ainda mais dif\u00edcil de definir.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora abriga monarquias absolutistas e rep\u00fablicas democr\u00e1ticas, pa\u00edses em conflito e outros em crescimento acelerado, na\u00e7\u00f5es com forte presen\u00e7a religiosa e outras de tradi\u00e7\u00e3o laica. \u00c9 um mosaico de economias, regimes e ambi\u00e7\u00f5es que desafia qualquer tentativa de s\u00edntese.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa expans\u00e3o levanta perguntas inc\u00f4modas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Como tomar decis\u00f5es entre tantos interesses conflitantes?<\/li>\n\n\n\n<li>Como articular uma pol\u00edtica ambiental comum diante de perfis t\u00e3o distintos?<\/li>\n\n\n\n<li>E como sustentar o discurso de um bloco do Sul Global com membros que se projetam regional ou globalmente por estrat\u00e9gias muitas vezes concorrentes?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Qual o segredo? Unidade na diversidade ou pacto de conveni\u00eancias?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Como funcionam as decis\u00f5es no BRICS?<br>Numa resposta curta:<br><strong>POR CONSENSO.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eis a\u00ed: as pe\u00e7as disformes \u2014 como na ilustra\u00e7\u00e3o do in\u00edcio do artigo \u2014 ganham uniformidade, o mesmo tamanho e peso nas decis\u00f5es, em todas as decis\u00f5es.<br>Tudo s\u00f3 se encaixa quando todos dizem sim.<\/p>\n\n\n\n<p>O princ\u00edpio que atua ali \u00e9 o mais b\u00e1sico da unidade na diversidade:<\/p>\n\n\n\n<p>Eu concordo!, junta.<br>Eu n\u00e3o concordo!, desmancha.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o seja uma regra ditada \u2014 hummm, uma regra com princ\u00edpios democr\u00e1ticos surgida por\u2026 consenso \u2014, o BRICS+ n\u00e3o tem um estatuto r\u00edgido. Foi com base nessa pr\u00e1tica que o Brasil usou o consenso para barrar a entrada da Venezuela. J\u00e1 os pa\u00edses que apoiam sua entrada seguem tentando negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. E a R\u00fassia, por sua vez, defende a cria\u00e7\u00e3o de uma alternativa ao d\u00f3lar, mesmo que seja sem consenso no grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como montar um castelo com blocos no caso, geoecon\u00f4micos: qualquer pe\u00e7a que n\u00e3o encaixe naquele momento, sobre algum assunto, faz o conjunto parar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada de segredo, portanto. Apesar da <em>saroba<\/em> \u2014 ou melhor, da peculiar diversidade entre os membros \u2014, o grupo funciona por entendimento m\u00fatuo. Funciona <em>democraticamente<\/em>, ao seu modo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse m\u00e9todo garante que todos se sintam representados \u2014 mas tamb\u00e9m imp\u00f5e um ritmo lento, condicionado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de cada um em ceder algo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assim se d\u00e1 a resposta mais longa:<\/strong> por uma diplomacia milim\u00e9trica, onde cada v\u00edrgula pode virar obst\u00e1culo. Se h\u00e1 efici\u00eancia, ou se atravanca o progresso das negocia\u00e7\u00f5es\u2026 a\u00ed \u00e9 outra hist\u00f3ria. O que pesa, muitas vezes, \u00e9 uma esp\u00e9cie de pacto de conveni\u00eancias \u2014 ou seja, flexibilizar uma decis\u00e3o que seria contr\u00e1ria por algumas convic\u00e7\u00f5es, em nome da conveni\u00eancia pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E CONSENSO PLENO<\/strong>:<br>Todos os membros precisam concordar. Um s\u00f3 pa\u00eds discordando \u2014 e a proposta n\u00e3o avan\u00e7a. Por enquanto e na grande parte do que sabemos funcionou assim, mesmo que haja esperneios e alguns olhares tortos nos bastidores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 <strong>Sem sistema de vota\u00e7\u00e3o<\/strong>:<br>Diferente de organiza\u00e7\u00f5es como a ONU (com vetos) ou a OMC (com qu\u00f3runs), o BRICS funciona por entendimento m\u00fatuo, muitas vezes conquistado ap\u00f3s negocia\u00e7\u00f5es intensas nos bastidores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 <strong>A declara\u00e7\u00e3o final<\/strong> \u00e9 um documento conjunto, onde cada palavra \u00e9 escolhida como fosse figurar num tratado (e \u00e9), para garantir que ningu\u00e9m se sinta desalinhado \u2014 nem exposto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 <strong>Quando h\u00e1 temas sens\u00edveis ou divis\u00f5es internas<\/strong>, entram em cena as f\u00f3rmulas diplom\u00e1ticas de sobreviv\u00eancia, como:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reconhecemos diferentes pontos de vista sobre\u2026<br>Reafirmamos o respeito \u00e0 soberania dos Estados e \u00e0 diversidade de caminhos para o desenvolvimento\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 <strong>E se n\u00e3o houver acordo algum?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nem sempre o impasse aparece no notici\u00e1rio. Quando n\u00e3o h\u00e1 consenso entre os pa\u00edses dos BRICS, o tema pode simplesmente&#8230; sumir. E a\u00ed come\u00e7a o bal\u00e9 diplom\u00e1tico, que costuma seguir tr\u00eas movimentos bem ensaiados:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Desaparece sem alarde<\/strong><br>O assunto n\u00e3o entra no comunicado final. Simples assim. Evita-se constrangimento e ningu\u00e9m precisa brigar em p\u00fablico. A aus\u00eancia j\u00e1 diz muito.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Retorna camuflado<\/strong><br>Na c\u00fapula seguinte, o tema reaparece \u2014 mas em linguagem mais abstrata, dilu\u00eddo em express\u00f5es como preocupa\u00e7\u00f5es estrutural ou compromissos multilaterais. Fica escondido entre categorias gen\u00e9ricas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volta no tempo certo<\/strong><br>Quando o clima muda \u2014 e os pa\u00edses que antes criavam barreiras j\u00e1 n\u00e3o se op\u00f5em \u2014 o assunto pode reaparecer com for\u00e7a. Mas agora repaginado, rebatizado, ou at\u00e9 com nova base de apoio. O segredo \u00e9 esperar o momento certo e o vocabul\u00e1rio certo.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Exemplo?<\/strong><br>A discuss\u00e3o sobre a reforma do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU ilustra bem isso. Alguns membros dos BRICS (como Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul) querem se tornar membros permanentes. Mas h\u00e1 diverg\u00eancias: China e R\u00fassia, que j\u00e1 s\u00e3o permanentes com poder de veto, nem sempre demonstram entusiasmo com essa amplia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 a\u00ed que entra o G4<\/strong> \u2014 um grupo formado por Brasil, Alemanha, \u00cdndia e Jap\u00e3o, que defende uma reforma concreta: ampliar o n\u00famero de membros permanentes (mesmo que sem poder de veto).<br>A \u00c1frica do Sul tamb\u00e9m pleiteia um assento, mas por outra via \u2014 articulanda com a Uni\u00e3o Africana, que prop\u00f5e duas cadeiras permanentes para pa\u00edses africanos, sem endossar exatamente o formato do G4.<\/p>\n\n\n\n<p>Como nem todos concordam com essas propostas, o tema \u00e0s vezes sai do radar \u2014 ou seja, desaparecer para reaparecer, olha eu aqui de novo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A c\u00fapula no Rio e o papel do Brasil como sede<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A 16\u00aa c\u00fapula do BRICS aconteceu em julho de 2025, no Rio de Janeiro, marcando a presid\u00eancia rotativa do Brasil num momento estrat\u00e9gico \u2014 e delicado.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto busca refor\u00e7ar seu protagonismo internacional, o Brasil precisa conciliar m\u00faltiplas agendas: os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), os compromissos clim\u00e1ticos, a defesa da democracia \u2014 e, ao mesmo tempo, manter a harmonia com parceiros de perfis pol\u00edticos e econ\u00f4micos bastante distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o, Xi Jinping e Vladimir Putin n\u00e3o compareceram pessoalmente, mas enviaram representantes. No caso da R\u00fassia, o gesto veio acompanhado de um v\u00eddeo de Putin, em que reiterou a defesa da <strong><em>desdolariza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> e da cria\u00e7\u00e3o de um sistema independente de pagamentos, baseado em <strong><em>moedas locais<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois termos \u2014<strong> <em>desdolariza\u00e7\u00e3o <\/em><\/strong>e<strong><em> moedas locais<\/em><\/strong> \u2014 foram os protagonistas da brincadeira do CES na cria\u00e7\u00e3o do nosso tabloide fict\u00edcio no Lado A: uma par\u00f3dia da par\u00f3dia partindo da capa do LP <em>Thick as a Brick<\/em>, do Jethro Tull. Ali, no Lado A deste artigo-saga (quase \u00e9pico \u2014 pelo menos em tamanho, que nesse caso, tamb\u00e9m \u00e9 documento), o pequeno Jos\u00e9 da Silva e o poeta mineiro Drummond (por ironia, na sua presen\u00e7a <em>met\u00e1lica<\/em> na orla carioca) ganham vida em uma cena imagin\u00e1ria na praia de Copacabana.<\/p>\n\n\n\n<p>E j\u00e1 que estamos falando em fic\u00e7\u00e3o, vale abrir (&nbsp;&nbsp; )s para outra proposta que ronda os bastidores do bloco: a cria\u00e7\u00e3o de uma moeda comum, apelidada (a princ\u00edpio) de <em>Unidade<\/em> \u2014 nome que, ali\u00e1s, parece sa\u00eddo de um livro de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, <strong>A UNIDADE<\/strong>. Por enquanto, no entanto, segue como ideia suspensa, \u00e0 espera de um (olha ele a\u00ed) <strong>CONSENSO<\/strong>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Putin tamb\u00e9m destacou que, em 2024, cerca de 90% das transa\u00e7\u00f5es da R\u00fassia com os pa\u00edses do BRICS j\u00e1 foram realizadas em rublos ou outras moedas nacionais \u2014 um dado que, embora expressivo, ainda enfrenta os limites de um sistema financeiro internacional fortemente dolarizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, n\u00e3o existe uma alternativa real ao d\u00f3lar como refer\u00eancia global. O sistema financeiro internacional permanece fortemente dolarizado \u2014 o que, por ora, limita o alcance pr\u00e1tico dessa ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, China e R\u00fassia seguem liderando essa frente com motiva\u00e7\u00f5es evidentes: reduzir os impactos de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e conter a influ\u00eancia ocidental sobre os fluxos financeiros globais.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As pernas bambas no trip\u00e9 da sustentabilidade nos BRICS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando o trip\u00e9 manca: o econ\u00f4mico em desalinho<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel se apoia num trip\u00e9: social, ambiental e econ\u00f4mico. Mas, entre os BRICS e seus novos integrantes, esse trip\u00e9 costuma trope\u00e7ar mais do que sustentar \u2014 seja por falta de op\u00e7\u00e3o ou, muitas vezes, de grana.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esses ou outros motivos, alguns pa\u00edses priorizam o crescimento econ\u00f4mico a qualquer custo, sacrificando direitos sociais e ambientais. Outros investem em inclus\u00e3o social, mas falham na prote\u00e7\u00e3o da natureza. E h\u00e1 ainda quem sustente um discurso verde impec\u00e1vel \u2014 enquanto mant\u00e9m pr\u00e1ticas que desmatam, poluem ou exploram recursos al\u00e9m do limite.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 um desequil\u00edbrio estrutural: um trip\u00e9 com uma perna fortalecida (a econ\u00f4mica), outra cambaleante (a social), e uma terceira pintada de verde (ambiental) ainda serve mais como uma bengala do que como pilar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Economia como fair play\u2026 e como impedimento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Curiosamente, o com\u00e9rcio internacional \u00e9 um dos poucos campos onde advers\u00e1rios ideol\u00f3gicos ainda dialogam \u2014 ainda que entre uma rusga e um arranca-rabo. A economia procura jogar com as regras do fair play diplom\u00e1tico: d\u00e1 pra vender g\u00e1s a quem te critica ou importar min\u00e9rio de quem censura jornalistas \u2014 desde que o pre\u00e7o compense.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa mesma bola pode ser chutada para fora do campo quando conv\u00e9m \u2014 e os jogadores, como bons gandulas, tentam repor a bola e o jogo segue. Ultimamente, o t\u00e9cnico dos EUA mudou as regras para o beisebol \u2014 enquanto os outros pa\u00edses ainda estavam jogando futebol. Talvez em busca de um inusitado <em>home run<\/em>* solo, onde ele mesmo lan\u00e7a a bola e, ao mesmo tempo, rebate\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>E as medidas se multiplicam: embargos, tarifas, boicotes e chantagens comerciais \u2014 quase sempre apresentadas como puni\u00e7\u00f5es pol\u00edticas disfar\u00e7adas (ou nem tanto). E l\u00e1 se vai o ganha-ganha, substitu\u00eddo pelo esp\u00edrito da campanha de Trump: America First! (<em>Primeiro a Am\u00e9rica<\/em>) e o velho e reeditado slogan MAGA (Make America Great Again<strong>), <\/strong><em>Tornar a Am\u00e9rica Grande Novamente<\/em>, que, na pr\u00e1tica, agora parece soar mais como: o bloco do eu sozinho! Ou seja, S\u00f3 Am\u00e9rica! <\/p>\n\n\n\n<p>Mas, do jeito que as bravatas e as san\u00e7\u00f5es reais se confundem, parece mesmo que ele t\u00e1 jogando \u00e9 truco.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte da torcida vibra, parte vaia. Mas, como no espet\u00e1culo que virou a pol\u00edtica econ\u00f4mica, seja trag\u00e9dia ou com\u00e9dia, o mundo continua tentando driblar \u2014 ou suportar \u2014 os muitos impedimentos ao estabelecimento pleno do trip\u00e9 da sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>*(quando o rebatedor acerta a bola com tanta for\u00e7a que ela sai do campo, e todos os jogadores em base correm at\u00e9 o final, pontuando)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adendo: A pol\u00edtica da conveni\u00eancia \u2013 ou como a realpolitik* dan\u00e7a conforme a m\u00fasica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No jogo internacional, a conveni\u00eancia costuma ser mais importante que a coer\u00eancia. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os BRICS+ que negociam com regimes question\u00e1veis \u2014 os Estados Unidos fazem isso com maestria, embora nem sempre com bons resultados. \u00c0s vezes armam pa\u00edses, noutras declaram guerra a eles. A diferen\u00e7a \u00e9 que os BRICS, ao menos, ainda apontam contradi\u00e7\u00f5es diplomaticamente \u2014 mesmo sem for\u00e7a para mudar o jogo. \u00c9 como aquele protesto simb\u00f3lico antes de um jogo de futebol: n\u00e3o resolve, mas mostra que algu\u00e9m ainda est\u00e1 prestando aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Falando em futebol, o paralelo com o <em>fair play<\/em> n\u00e3o \u00e9 gratuito. Torcemos por nossos pa\u00edses nas Copas, mesmo quando o regime pol\u00edtico deles est\u00e1 longe do ideal. A regra n\u00e3o escrita \u00e9 clara: no esporte, como na economia, o jogo s\u00f3 continua se houver algum tipo de fair play m\u00ednimo. O problema \u00e9 que, nos bastidores da diplomacia, o jogo \u00e9 bruto \u2014 e o juiz s\u00f3 apita se for do interesse do patrocinador.<\/p>\n\n\n\n<p>E o Brasil? Bem, estamos acostumados a viver numa democracia em que o povo n\u00e3o apita quase nada. Votamos com a esperan\u00e7a de que nossos representantes legislem por n\u00f3s \u2014 mas o que se v\u00ea \u00e9 um festival de interesses privados, bancadas disfar\u00e7adas de causas nobres e amigos dos amigos em todas as esferas. Desculpem os gatos, mas o saco \u2014 de gatos \u2014 t\u00e1 cheio.<\/p>\n\n\n\n<p>Vide o destino da grana das emendas parlamentares: enquanto munic\u00edpios carentes seguem \u00e0 m\u00edngua, muitas vezes os recursos s\u00e3o direcionados a cidades que j\u00e1 andam com as pr\u00f3prias pernas \u2014 isso quando n\u00e3o somem em desvios, licita\u00e7\u00f5es criativas ou obras que s\u00f3 existem no papel. \u00c9 s\u00f3 pesquisar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>*Realpolitik<\/strong>: termo cunhado na Alemanha do s\u00e9culo XIX, significa literalmente pol\u00edtica realista. Define uma estrat\u00e9gia baseada em conveni\u00eancia, pragmatismo e c\u00e1lculo de poder \u2014 mesmo que isso implique ignorar valores democr\u00e1ticos, direitos humanos ou princ\u00edpios \u00e9ticos, se eles atrapalharem os objetivos tra\u00e7ados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Faltas silenciosas e arquibancadas desiguais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Na grande Copa diplom\u00e1tica global, nem todos t\u00eam a mesma chance de entrar em campo.<br>San\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, bloqueios comerciais e restri\u00e7\u00f5es financeiras \u2014 muitas vezes disfar\u00e7adas de medidas t\u00e9cnicas \u2014 funcionam como faltas silenciosas: derrubam economias, bloqueiam investimentos, dificultam o acesso a tecnologias verdes e a cr\u00e9dito internacional.<br><strong>Da\u00ed os BRICS?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse jogo, quem define as regras nem sempre joga limpo.<br>O resultado? Uma sustentabilidade desigual, onde nem todos pisam no mesmo gramado \u2014 e os ju\u00edzes, quase nunca, s\u00e3o neutros.<br><strong>Da\u00ed os BRICS?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, frente \u00e0 arquibancada global onde parte da torcida nem sequer pode assistir ao jogo&#8230;<br><strong>Da\u00ed os BRICS?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tijolo-de-montar-sustentabilidade.png\" alt=\"Tijolo rachado com circuito eletr\u00f4nico e QR Code, de onde brota uma planta verde. A imagem simboliza o contraste entre tecnologia e natureza, sugerindo resili\u00eancia ecol\u00f3gica e futuro sustent\u00e1vel no contexto dos BRICS+.\" class=\"wp-image-1866\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tijolo-de-montar-sustentabilidade.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tijolo-de-montar-sustentabilidade-300x300.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tijolo-de-montar-sustentabilidade-150x150.png 150w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tijolo-de-montar-sustentabilidade-768x768.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tijolo-de-montar-sustentabilidade-780x780.png 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Em meio a uns rachos, tecnologias, economia, a natureza ainda vinga!, dizem que at\u00e9 se vinga, mas na verdade ela apenas \u00e9 persistente ao chamado do que denominamos vida!<\/strong><br><em>ilustra\u00e7\u00e3o: Athena&amp;PLW [colagens digitais]<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>BRICS+ no social, no ambiental e os parceiros atuam onde?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pegada ambiental e as emiss\u00f5es de carbono<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Juntos, os pa\u00edses do BRICS+ somam mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial , 53% &nbsp;e PIB 35% \u2014 e concentram uma fatia expressiva das emiss\u00f5es globais de carbono 45%.<br>Nas emiss\u00f5es, China e \u00cdndia lideram o ranking absoluto, seguidas por R\u00fassia e Brasil. Esses e outros dados est\u00e3o relacionados numa TABELA no Lado A dessa bolacha em texto: (<a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-a\/#Tabela_visual_com_os_dados_de_emissao_de_CO_PIB_populacao_territorio_regime_de_governo_e_poder_militar\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/brics-geopolitica-tijolos-lado-a\/\">clique aqui e v\u00e1 direto na TABELA <\/a>!<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o bloco abriga algumas das maiores reservas ambientais do planeta: da floresta amaz\u00f4nica \u00e0s bacias hidrogr\u00e1ficas africanas, passando por manguezais, zonas costeiras e ecossistemas tropicais de alto valor estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dualidade \u2014 entre causar e mitigar os impactos ambientais \u2014 exp\u00f5e o paradoxo central: os BRICS+ s\u00e3o, ao mesmo tempo, parte significativa do problema e pe\u00e7as-chave da solu\u00e7\u00e3o. Se o grupo n\u00e3o encontrar um equil\u00edbrio na pr\u00f3pria pegada ambiental, o trope\u00e7o ser\u00e1 coletivo. E o custo, global. Da\u00ed a press\u00e3o sobre o Brasil na agenda ambiental n\u00e3o ser apenas regional \u2014 \u00e9 mundial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Direitos humanos: a nota dissonante<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Sustentabilidade sem direitos humanos \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o desafinada, um andar cheio de trope\u00e7os \u2014 ou mesmo uma bela constru\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica, sempre vazia. Ignorados os direitos humanos, \u00e9 ignorar o social. E o social, por sua vez, s\u00e3o as pessoas. E as pessoas somos n\u00f3s \u2014 eu e voc\u00ea. (Vamos deixar as pol\u00eamicas e distor\u00e7\u00f5es sobre os direitos humanos para outra peleja, que tal numa partida de xadrez? Um amigo tem uma m\u00fasica ideal para isso. Aguardem.)<br>Boa parte dos membros do BRICS+ enfrenta cr\u00edticas severas por repress\u00e3o \u00e0 imprensa, persegui\u00e7\u00e3o a opositores, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de express\u00e3o e viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de direitos civis.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas antes da (in)digna\u00e7\u00e3o seletiva com os problemas do Sul Global, vale lembrar: o Norte Global tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 isento desses perrengues. Os graus, as situa\u00e7\u00f5es e as circunst\u00e2ncias podem ser diferentes \u2014 mas a (in)digna\u00e7\u00e3o, ou a falta dela, revela muito sobre nossas escolhas. E deveria (in)dignar, sim, em todos os casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas fragilidades n\u00e3o comprometem apenas a perna social do trip\u00e9 da sustentabilidade. Comprometem tamb\u00e9m a governan\u00e7a ambiental.<br>Onde n\u00e3o h\u00e1 transpar\u00eancia, \u00e9 dif\u00edcil medir avan\u00e7os.<br>Onde n\u00e3o h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o social, os discursos verdes podem virar apenas cortinas de fuma\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa participa\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, n\u00e3o se resume ao engajamento em partidos ou institui\u00e7\u00f5es. Ela come\u00e7a na pr\u00e1tica, no cotidiano. \u00c9 a soma que multiplica (<em>desculpem, uso como um mantra<\/em>, tanto soma que multiplica):<br>Conhece os<a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/5-rs-da-sustentabilidade\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/5-rs-da-sustentabilidade\/\"> 5Rs da sustentabilidade<\/a>? Se n\u00e3o, clique para saber mais e participar dessa soma multiplicadora.<br>Muita gente acha que essa contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 in\u00f3cua \u2014 e \u00e9 exatamente assim que ela se mant\u00e9m invis\u00edvel. At\u00e9 que a gente junte as pontas<\/p>\n\n\n\n<p>Investir na educa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, ser exemplo dentro de casa, mudar pr\u00e1ticas do come\u00e7o ao fim da vida \u2014 tudo isso ajuda a alterar ou eliminar o prefixo da palavra que se repetiu insistentemente acima: (in)digna\u00e7\u00e3o. O que queremos \u00e9 tornar nossas a\u00e7\u00f5es dignas de aten\u00e7\u00e3o \u2014 e de consequ\u00eancia, ou seja, a\u00e7\u00f5es efetivas, dignas.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro, se quiser se engajar formalmente, se filiar, protestar, participar, tudo isso tamb\u00e9m conta. Faz parte do jogo. E amplia nossas chances de contribui\u00e7\u00e3o real para uma causa que se apresenta leg\u00edtima e que nunca deve \u2014 ou deveria \u2014 ser considerada perdida.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a aus\u00eancia de uma democracia plena em diversos pa\u00edses do bloco impede que a sustentabilidade se firme como um compromisso verdadeiramente coletivo. Ainda assim, talvez seja melhor colocarmos uma solu\u00e7\u00e3o comum \u2014 mesmo que n\u00e3o totalmente satisfat\u00f3ria \u2014 para voar, do que ficarmos com duas ideias na m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E os parceiros atuam no econ\u00f4mico, social e ambiental?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A inclus\u00e3o dos pa\u00edses parceiros amplia o raio de a\u00e7\u00e3o do BRICS+, mas tamb\u00e9m levanta d\u00favidas sobre sua real participa\u00e7\u00e3o nos eixos centrais do bloco.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, esses parceiros atuam mais intensamente na dimens\u00e3o econ\u00f4mica, sobretudo em com\u00e9rcio, investimentos e coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. S\u00e3o pa\u00edses com voca\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas \u2014 seja por sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, recursos naturais, ou acordos bilaterais com os membros permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na dimens\u00e3o social, a atua\u00e7\u00e3o \u00e9 mais discreta e desigual. Alguns parceiros, como Cuba e Bol\u00edvia, trazem agendas voltadas \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 soberania alimentar. Outros ainda enfrentam desafios profundos em direitos humanos e inclus\u00e3o social \u2014 e alguns convivem com retrocessos preocupantes.<\/p>\n\n\n\n<p>No pilar ambiental, poucos t\u00eam protagonismo vis\u00edvel, embora possuam biomas de relev\u00e2ncia planet\u00e1ria \u2014 como as florestas da Bacia do Congo (Nig\u00e9ria e Uganda), ou os ecossistemas costeiros e florestais do Sudeste Asi\u00e1tico (Mal\u00e1sia, Tail\u00e2ndia e Vietn\u00e3). Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, a coopera\u00e7\u00e3o ambiental entre os parceiros ainda \u00e9 incipiente \u2014 muitas vezes mais ret\u00f3rica do que a\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n\n\n\n<p>E h\u00e1 um desafio comum que atravessa v\u00e1rios desses pa\u00edses \u2014 inclusive o Brasil: o impacto da minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, muitas vezes em zonas protegidas, terras ind\u00edgenas ou \u00e1reas de alt\u00edssima biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o entre explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e conserva\u00e7\u00e3o ambiental continua mal resolvida \u2014 quando n\u00e3o deliberadamente silenciada. Ou pior: quando essa explora\u00e7\u00e3o assume contornos de uma guerra civil n\u00e3o declarada.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio agora \u00e9 integrar os parceiros de forma que n\u00e3o apenas ampliem o n\u00famero de cadeiras, mas tamb\u00e9m fortale\u00e7am a consist\u00eancia do trip\u00e9. Para que o BRICS+ n\u00e3o seja apenas um grupo mais largo \u2014 mas um bloco mais s\u00f3lido, coerente e compromissado com o futuro do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sul Global em constru\u00e7\u00e3o: tijolos, trincas e tect\u00f4nica internacional<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os BRICS como alternativa ao G7?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Desde sua origem, os BRICS \u2014 e, mais recentemente, sua vers\u00e3o ampliada com a confirma\u00e7\u00e3o em 2023 e a efetiva\u00e7\u00e3o em 2024 da entrada de novos pa\u00edses \u2014 agora chamados <strong>BRICS+<\/strong> \u2014 se apresentam como uma for\u00e7a emergente, capaz de contrabalan\u00e7ar o dom\u00ednio do G7 e das pot\u00eancias ocidentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com pa\u00edses populosos, grandes reservas naturais e forte influ\u00eancia regional, o bloco busca afirmar sua voz nos f\u00f3runs multilaterais e propor uma nova arquitetura global.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como erguer uma nova funda\u00e7\u00e3o para a casa comum da humanidade \u2014 ao Sul Global, claro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que o Norte Global (G7) se considera a \u00fanica funda\u00e7\u00e3o leg\u00edtima?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, quem define as regras do jogo s\u00e3o os que estavam \u00e0 mesa quando o jogo come\u00e7ou. O G7 \u2014 formado por Estados Unidos, Alemanha, Fran\u00e7a, Reino Unido, It\u00e1lia, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o \u2014 reunindo as pot\u00eancias industrializadas que dominaram o cen\u00e1rio geopol\u00edtico do p\u00f3s-guerra: tanto as vencedoras da Segunda Guerra quanto algumas das derrotadas que foram\u2026 reconstru\u00eddas com esmero. Ah, sim \u2014 a Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m participa como convidada permanente, imaginem que n\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>(Curiosidade que n\u00e3o \u00e9 bem segredo):<\/em> dos sete membros do G7, tr\u00eas perderam a guerra \u2014 Alemanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o \u2014 e quatro venceram. Mas todos se sentaram juntos \u00e0 mesma mesa de negocia\u00e7\u00f5es um tempo depois. Porque, no fim das contas, quem perdeu a guerra, mas venceu depois \u2014 na base da reconstru\u00e7\u00e3o suada, da produtividade e do mercado \u2014 tamb\u00e9m foi convidado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas se produtividade e mercado \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para entrar no clube&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A China, apesar de ser hoje a segunda maior economia do mundo, nunca fez parte do G7. Sua condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds emergente, sua trajet\u00f3ria pr\u00f3pria de desenvolvimento e \u2014 vale dizer \u2014 suas estrat\u00e9gias nada convencionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, inundou o mundo com produtos <em>chinglings<\/em>: baratinhos, c\u00f3pias de outras marcas, acess\u00edveis para todos os bolsos. Depois, consolidou suas pr\u00f3prias marcas, assumiu outro patamar de competitividade e passou a avan\u00e7ar em \u00e1reas estrat\u00e9gicas: intelig\u00eancia artificial, constru\u00e7\u00e3o, energia, infraestrutura..<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas o modelo autorit\u00e1rio de governo, a opacidade institucional e as tens\u00f5es diplom\u00e1ticas persistentes nunca combinaram com o figurino ocidental do G7 \u2014 onde, ao menos no discurso, liberdade e transpar\u00eancia continuam sendo os valores da fachada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J\u00e1 a R\u00fassia chegou a ser incorporada em 1998, transformando o G7 em G8<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> A R\u00fassia, que por sua vez, havia passado pela fase da glasnost e da perestroika, abriu a economia, desmontou parte do aparato sovi\u00e9tico e ensaiou uma integra\u00e7\u00e3o com o Ocidente. Mesmo com os tra\u00e7os autorit\u00e1rios j\u00e1 vis\u00edveis \u2014 e que s\u00f3 se intensificaram com Putin \u2014 muita gente fingiu n\u00e3o ver. Afinal, a prioridade era outra: manter o arsenal nuclear sob controle, garantir acesso ao petr\u00f3leo e abrir novos mercados para as pot\u00eancias ocidentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Liberdade de imprensa? Oligarquias emergentes? Elei\u00e7\u00f5es viciadas? Fica pra depois. O que interessava era que a R\u00fassia tivesse largado a foice, ainda que mantivesse o martelo. Por\u00e9m passaram a foice na pr\u00f3pria R\u00fassia que foi expulsa do G7 em 2014, ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia. Entrou pela porta da frente, com pompa e circunst\u00e2ncia; saiu pelos fundos, ao som de san\u00e7\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. E agora a guerra com a Ucr\u00e2nia causa uma saia t\u00e3o justa, na verdade, quase rasgando&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente (ou n\u00e3o), foi em 2009 \u2014 no intervalo entre a entrada e a sa\u00edda da R\u00fassia do G8 \u2014 que aconteceu a primeira c\u00fapula oficial dos BRICs, ainda sem o S da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 um zumzumzum que parece gritaria no Norte Global. Sinal de que&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E uma cantilena no Sul Global: <em>a cada novo membro incomoda muita gente, mais dez parceiros incomodam muito mais\u2026<\/em><br>(Ou ser\u00e1 que mais membros incomodantes significam mais mudan\u00e7as inevit\u00e1veis muito mais?)<\/p>\n\n\n\n<p>Se a inten\u00e7\u00e3o dos BRICS+ \u00e9 principalmente econ\u00f4mica \u2014 e est\u00e1 funcionando \u2014, ent\u00e3o eis o motivo da gritaria. O inc\u00f4modo vem do fato de que esse grupo, antes rotulado como <em>subdesenvolvido<\/em> ou <em>em desenvolvimento<\/em>, come\u00e7a agora a ditar parte do jogo. Se um j\u00e1 deu um salto triplo, o receio \u00e9 que os outros ganhem impulso suficiente para aterrissar no centro da situa\u00e7\u00e3o. O que antes era periferia agora negocia como centro emergente \u2014 e cada passo na dire\u00e7\u00e3o da autonomia econ\u00f4mica soa como uma amea\u00e7a ao antigo jogo estabelecido.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Avan\u00e7os concretos: bancos, obras e coopera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) \u2014 informalmente chamado de Banco dos BRICS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora que a sigla <strong>NDB<\/strong> pegou, vale lembrar: o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) foi fundado em julho de 2014, durante a 6\u00aa c\u00fapula dos BRICS, realizada em Fortaleza, Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>E como nada \u00e9 por acaso:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Entre 27 de fevereiro e 18 de mar\u00e7o de 2014: da ocupa\u00e7\u00e3o, referendo (n\u00e3o reconhecido internacionalmente) em que a maioria dos votantes teria optado por se unir \u00e0 R\u00fassia. e tratado formal de anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia.<\/li>\n\n\n\n<li>24 de mar\u00e7o de 2014: durante a C\u00fapula de Seguran\u00e7a Nuclear em Haia, os l\u00edderes do G7 anunciam a suspens\u00e3o da R\u00fassia do grupo. O G8 volta a ser G7 oficialmente.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ele surgiu como uma alternativa ao Banco Mundial e ao FMI, com foco em financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustent\u00e1vel nos pa\u00edses do bloco \u2014 e tamb\u00e9m em outras economias emergentes.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O nome <em>Banco dos BRICS <\/em>\u00e9 uma forma popular de se referir ao NDB, mas nunca foi seu nome oficial \u2014 embora, na pr\u00e1tica, nunca tenha deixado de ser o <em>banco dos BRICS<\/em> (porque, claro, se pode complicar, pra que simplificar?).<\/li>\n\n\n\n<li>A sede do banco fica em Xangai, na China, e ele vem expandindo seus membros. J\u00e1 admitiu pa\u00edses como Bangladesh, Egito e Emirados \u00c1rabes Unidos, com a Indon\u00e9sia ainda em negocia\u00e7\u00f5es antes de se tornar membro pleno do BRICS em 2025.<\/li>\n\n\n\n<li>Desde 2023, a presid\u00eancia do NDB \u00e9 ocupada pela ex-presidenta brasileira Dilma Rousseff, o que refor\u00e7a o papel do Brasil no bloco \u2014 e tamb\u00e9m gera debates internos sobre protagonismo e alinhamento.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Argentina e os BRICS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A Argentina tem buscado h\u00e1 anos integrar os BRICS. Sua economia, apesar de inst\u00e1vel, \u00e9 estrategicamente relevante na Am\u00e9rica do Sul, e a afinidade pol\u00edtica com pa\u00edses como Brasil, China e R\u00fassia tem favorecido essa aproxima\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Em 2023, o convite para a entrada no BRICS foi aprovado, mas a troca de governo em 2024, com a vit\u00f3ria de Javier Milei, interrompeu o processo, j\u00e1 que o novo presidente rejeitou a ades\u00e3o, alegando alinhamento com os Estados Unidos e Israel.<\/li>\n\n\n\n<li>Mesmo assim, a Argentina continua atuando como parceira de di\u00e1logo, especialmente em \u00e1reas como energia e com\u00e9rcio agr\u00edcola.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Indon\u00e9sia como membro efetivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A Indon\u00e9sia participou por v\u00e1rios anos como observadora e parceira nos f\u00f3runs do BRICS, o que indica que a nova categoria de parceiros pode funcionar como um est\u00e1gio preparat\u00f3rio para a entrada no bloco \u2014 quase como um pleito por aproxima\u00e7\u00e3o e compromissos.<\/li>\n\n\n\n<li>Em 2025, foi oficialmente confirmada como membro pleno, ampliando o grupo para 11 integrantes efetivos.<\/li>\n\n\n\n<li>Sua inclus\u00e3o refor\u00e7a o papel estrat\u00e9gico do Sudeste Asi\u00e1tico no novo eixo multipolar \u2014 com a Indon\u00e9sia se destacando como pot\u00eancia regional e o pa\u00eds mu\u00e7ulmano mais populoso do mundo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adendo sobre a Ar\u00e1bia Saudita \u2013 est\u00e1, mas n\u00e3o est\u00e1?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora listada como membro pleno desde 2024, a Ar\u00e1bia Saudita ainda n\u00e3o confirmou sua ades\u00e3o formal ao bloco \u2014 um movimento cauteloso para preservar seus la\u00e7os com os EUA. No Rio, o pr\u00edncipe herdeiro ou sua comitiva n\u00e3o participaram da sess\u00e3o plen\u00e1ria inicial nem da foto oficial, justamente porque chegaram depois \u2014 o que refor\u00e7a a ideia de uma integra\u00e7\u00e3o ainda em constru\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Parte da comitiva saudita participou de reuni\u00f5es subsequentes, incluindo um encontro com o Brasil para fechar acordos comerciais na c\u00fapula. O pr\u00edncipe Mohammed bin Salman tem boa rela\u00e7\u00e3o com Donald Trump \u2014 e isso pode ter influenciado a posi\u00e7\u00e3o hesitante do reino, que aparece dividido entre estreitar la\u00e7os com a China e preservar sua rela\u00e7\u00e3o com os EUA no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mas h\u00e1 rachaduras vis\u00edveis nas paredes do projeto<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Nem tudo est\u00e1 bem estruturado. Choques entre autocracias e democracias geram tens\u00f5es silenciosas.<br>As prioridades econ\u00f4micas e ambientais divergem. Disputas por protagonismo \u2014 especialmente entre China e \u00cdndia \u2014 se tornam mais vis\u00edveis \u00e0 medida que o bloco cresce.<br>A tect\u00f4nica geopol\u00edtica faz o ch\u00e3o tremer em alguns pontos, revelando as trincas de um projeto ainda em obras.<br>O risco? Tentar erguer um novo andar antes de refor\u00e7ar os alicerces \u2014 e descobrir tarde demais que a parede era s\u00f3 de drywall geopol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tijolos, bloquinhos de montar e contradi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O BRICS+, ampliado, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas um acr\u00f4nimo simp\u00e1tico \u2014 \u00e9 um conjunto em muta\u00e7\u00e3o, tentando se tornar um bloco pol\u00edtico, econ\u00f4mico e, quem sabe, clim\u00e1tico. Mas, a cada novo integrante, surgem novas disson\u00e2ncias. Em vez de uma parede s\u00f3lida, temos, por ora, um mosaico de blocos de montar geoestrat\u00e9gicos: coloridos, intrigantes \u2014 mas ainda inst\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pot\u00eancia, sem d\u00favida. Mas tamb\u00e9m fissuras, jogos de interesse, sil\u00eancios protocolados e empurr\u00f5es nos bastidores. Ainda assim, h\u00e1 gentilezas, sorrisos diplom\u00e1ticos e boa vontade pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O verde como cimento poss\u00edvel<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>E se a sustentabilidade for justamente o cimento que falta?<br>O trip\u00e9 ambiental-social-econ\u00f4mico pode ser o ponto de converg\u00eancia para um grupo t\u00e3o diverso em regimes, culturas e projetos de mundo? Este, claro seria um cen\u00e1rio ideal, dif\u00edcil de se tornar&#8230; concreto.<br>Preservar florestas, proteger comunidades vulner\u00e1veis, construir economias de baixo carbono \u2014 talvez a\u00ed esteja o verdadeiro tijolo mestre que se mostre vivo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem planta ideias colhe conex\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Porque mesmo num planeta <em>Thick as a Brick<\/em> \u2014 cabe\u00e7a dura como um tijolo \u2014 ainda d\u00e1 pra abrir janelas, plantar ideias e colher conex\u00f5es. N\u00e3o sabemos ainda, mas acredito ser um poss\u00edvel caminho para soma se tornar multiplica\u00e7\u00e3o.<br>E quem sabe, com sorte, engenho e afeto, a gente concretamente troque o concreto armado por um verde mais vivo \u2014 e mais justo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um trip\u00e9 que insiste em caminhar \u2014 mesmo quando o equil\u00edbrio ainda \u00e9 uma promessaimagem: Athena &amp; PLW [colagens digitais]&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agenda-2030"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/tripe-da-sustentabilidade.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1730"}],"version-history":[{"count":100,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1730\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3805,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1730\/revisions\/3805"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}