{"id":1882,"date":"2025-08-01T23:01:31","date_gmt":"2025-08-01T23:01:31","guid":{"rendered":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/?p=1882"},"modified":"2025-08-19T21:30:02","modified_gmt":"2025-08-19T21:30:02","slug":"carro-eletrico-barulho-no-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/carro-eletrico-barulho-no-silencio\/","title":{"rendered":"Carro El\u00e9trico (BEV) &#8211; o Barulho na Revolu\u00e7\u00e3o do Sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>ilustra\u00e7\u00e3o: Athena&amp;PLW \u2013 colagens digitais \/ imagem: detalhe &#8211; homem conectando plug de <em> recarga el\u00e9trica <\/em> num eletroposte Freepik <\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>O causo: focinho de porco n\u00e3o \u00e9 tomada<\/strong><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/carro-eletrico-BEV-740x1024.png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do causo sobre carro el\u00e9trico e autonomia nas estradas brasileiras\" class=\"wp-image-1960\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/carro-eletrico-BEV-740x1024.png 740w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/carro-eletrico-BEV-217x300.png 217w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/carro-eletrico-BEV-768x1063.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/carro-eletrico-BEV-1110x1536.png 1110w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/carro-eletrico-BEV-780x1080.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/carro-eletrico-BEV.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>ilustra\u00e7\u00e3o: Athena&amp;PLW \u2013 colagens digitais <\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Di\u00e1logo de um tempo sem tomada (literalmente)<\/strong><br>Um motorista com um carro el\u00e9trico (BEV) perdido numa estrada com plug na m\u00e3o. Um caipira com sabedoria simples e direta.<\/p>\n\n\n\n<p>E a pergunta fatal do motorista:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Por favor, preciso de uma tomada redonda tipo&#8230; tipo&#8230; ele olha em volta e diz&#8230; focinho de porco&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caipira (s\u00e9rio, com as m\u00e3os na cintura):<\/strong><br>\u2014 Mo\u00e7o, focinho de porco n\u00e3o \u00e9 tomada!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Motorista (ligeiramente constrangido):<\/strong><br>\u2014 Sim, eu sei&#8230; \u00e9 uma que tem tipo um raio!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caipira (dando um passo atr\u00e1s):<\/strong><br>\u2014 Raio aqui s\u00f3 em nuvem preta carregada, mo\u00e7o. E oc\u00ea num ia querer um raio no seu carro, n\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Motorista (tentando explicar):<\/strong><br>\u2014 N\u00e3o \u00e9 raio de nuvem&#8230; \u00e9 daquele tipo que d\u00e1 choque na m\u00e3o, sabe?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caipira (abrindo um sorriso maroto):<\/strong><br>\u2014 Ahhh! Porque n\u00e3o falou antes? T\u00e1 cheio delas no rio! Voc\u00ea pode ficar por aqui mesmo e amanh\u00e3 pescamos umas dessas (enguias, em muitos lugares conhecida como poraqu\u00ea, um tipo de peixe el\u00e9trico)&#8230; diz o Tonho que j\u00e1 pegou uma de uns de 2 m de comprimento, e E digo eu&#8230; a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica varia de cerca de trezentos volts por volta de 0,5 amp\u00e8res at\u00e9 cerca de 860 volts por volta de tr\u00eas amp\u00e8res (nem me pergunte o poraqu\u00eas disso, que essa info, eu apenas dei um copy\/paste da Wikipedia).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas al\u00e9m desse (in)ver\u00eddico causo n\u00e3o (in)veross\u00edmil nesse artigo, vamos come\u00e7ar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A revolu\u00e7\u00e3o da mobilidade come\u00e7a onde ningu\u00e9m avisou<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No imagin\u00e1rio das cidades, os sons dos carros sempre fizeram parte da paisagem \u2014 buzinas, roncos, freadas. Mas agora, o carro el\u00e9trico surge como uma promessa silenciosa de futuro. S\u00f3 esqueceram de avisar que o sil\u00eancio, \u00e0s vezes, grita. Especialmente quando falta uma tomada no meio do caminho. E esse \u00e9 o grande piriri para quem se frustrou \u2014 e tamb\u00e9m o combust\u00edvel preferido de quem diz: isso n\u00e3o vai dar certo! Por\u00e9m, outros ao contr\u00e1rio dizem: Sim \u00e9 por a\u00ed que eu vou! <br>A grande quest\u00e3o? Os pontos de recarga nas estradas (e a bateria). Quem j\u00e1 teve carro a g\u00e1s, como eu, sabe o drama do abastecimento nos anos iniciais \u2014 e at\u00e9 hoje \u2014 n\u00e3o se compara com a gasolina. No meu caso, era uma pick-up h\u00edbrida a gasolina, ent\u00e3o autonomia n\u00e3o era problema (mas os h\u00edbridos n\u00e3o entram nessa prosa aqui, nem como uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o, encrenca ou pol\u00eamica, se poluem menos ou  poluem ainda mais&#8230; fica pra outra). Assim como avaliar o argumento do impacto ambiental das baterias &#8230; calma, isso tamb\u00e9m vai pra outro artigo. Neste aqui, o foco \u00e9 falar dos carros el\u00e9tricos raiz, os BEVs, os carros movidos exclusivamente por bateria el\u00e9trica!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mais do que uma troca de motor, uma troca de contexto<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o motor a combust\u00e3o que est\u00e1 ficando para tr\u00e1s. H\u00e1 uma reconfigura\u00e7\u00e3o completa \u2014 da forma de dirigir \u00e0 maneira de ouvir, de planejar viagens a calcular autonomia \u2014 pra uns pode at\u00e9 soar chato, mas \u00e9 o que tem pra hoje \u2014  no sentido de que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 economia, \u00e9 pisar no p\u00e9 do trip\u00e9 da sustentabilidade, principalmente no p\u00e9 ambiental. <br>E no meio disso tudo, a comunica\u00e7\u00e3o entre vendedores, marcas e motoristas ainda engasga? A omiss\u00e3o, \u00e0s vezes, ronca mais alto do que o motor antigo. Ser\u00e1 que quem comprou um EV (ve\u00edculo el\u00e9trico) pela primeira vez, descobriu mais no boca a boca do que na concession\u00e1ria? E isso ainda acontece?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E o barulho de quem tem e t\u00e1 muito que bem obrigado, apostou h\u00e1 10 anos e ainda acredita!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma coisa \u00e9 se empolgar e dar ruim, como dizem. Outra bem diferente \u00e9 apostar l\u00e1 atr\u00e1s, j\u00e1 conhecer as limita\u00e7\u00f5es \u2014 e ainda assim continuar acreditando, no caso, ainda usando.<br>Esse \u00e9 o caso de muita gente que tem carro el\u00e9trico h\u00e1 10 anos, aqui no Brasil&#8230; e ainda roda, sabendo que o BEV n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma escolha pessoal: \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o silenciosa (e eficiente) para o meio ambiente.<br>(T\u00e1, depois no artigo das baterias a gente fala do piriri da produ\u00e7\u00e3o&#8230; Pera\u00ed!)<\/p>\n\n\n\n<p><br>Por enquanto voltemos ao mote do blog Conex\u00f5es Eco Sustent\u00e1veis para enfrentar essa dif\u00edcil equa\u00e7\u00e3o: <strong>a soma que vira multiplica\u00e7\u00e3o<\/strong>.  E n\u00e3o s\u00f3 nessa revolu\u00e7\u00e3o silenciosa nas ruas, mas na soma de tantas pessoas que pensam a partir dos <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/5-rs-da-sustentabilidade\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/5-rs-da-sustentabilidade\/\">5Rs da sustentabilidade<\/a> \u2014 Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Recusar. Porque ao agir, a soma se multiplica.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Que Esqueceram de Dizer&#8230;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong> &#8230;de dizer a voc\u00ea ou omitiram: os poraqu\u00eas ditos e n\u00e3o ditos sobre os carros el\u00e9tricos raiz<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Notas r\u00e1pidas antes de acelerarmos:<\/strong><br>Quando falamos em carros el\u00e9tricos neste artigo, estamos nos referindo aos chamados BEVs \u2014 sigla em ingl\u00eas para <em>Battery Electric Vehicles<\/em>, ou, em bom portugu\u00eas, ve\u00edculos el\u00e9tricos a bateria. Esses s\u00e3o os modelos 100% el\u00e9tricos, que n\u00e3o t\u00eam motor a combust\u00e3o e rodam apenas com energia armazenada na bateria. Ou seja: n\u00e3o s\u00e3o h\u00edbridos, nem flex, nem meio-termo e muito menos meio a meio. S\u00e3o os <strong>carros el\u00e9tricos raiz<\/strong>, os 100% el\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ZEV, mas nem tanto\u2026 pera l\u00e1, quem e o que \u00e9?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea reparou na ilustra\u00e7\u00e3o do causo&#8230; abaixo da sigla BEVs (Battery Electric Vehicles), aparece tamb\u00e9m a tal da ZEVs \u2014 Zero Emission Vehicles, ou ve\u00edculos de emiss\u00e3o zero. Eles recebem esse nome por n\u00e3o emitirem poluentes diretamente do escapamento \u2014 at\u00e9 porque, escapamento eles nem t\u00eam!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas calma l\u00e1: isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o tenham impacto ambiental nenhum. A produ\u00e7\u00e3o das baterias, a origem da energia usada na recarga e at\u00e9 a log\u00edstica envolvida na fabrica\u00e7\u00e3o carregam uma pegada de carbono embutida. Ou seja, ningu\u00e9m \u2014 nem nada \u2014 \u00e9 ZEV total. Tudo tem um ciclo de vida que gera essa pegada e, em alguns casos, se tenta compensar as emiss\u00f5es de carbono. Inclusive n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia? Essa conta pode, sim, buscar equil\u00edbrio \u2014 por meio de a\u00e7\u00f5es, tecnologias e estrat\u00e9gias de compensa\u00e7\u00e3o. A gente ainda vai mergulhar fundo nessa hist\u00f3ria quando falarmos das baterias em outro artigo (t\u00e1 chegando, \u00e9 s\u00f3 esperar!).<\/p>\n\n\n\n<p>No fim das contas, talvez o mais importante seja o que eu sempre digo: <strong>estar em dire\u00e7\u00e3o a<\/strong>&#8230; sempre ser\u00e1 melhor do que ficar parado ou ir na dire\u00e7\u00e3o oposta. E nesse caso, <strong>estar em dire\u00e7\u00e3o a<\/strong>&#8230; um sistema mais limpo, renov\u00e1vel e consciente. Se vamos chegar l\u00e1? N\u00e3o sei. Mas se j\u00e1 estamos indo\u2026 t\u00e1 valendo. Como dizem por a\u00ed: <em>melhor caminhar rumo ao sustent\u00e1vel do que estacionar no insustent\u00e1vel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quem comprou um carro el\u00e9trico, um BEV para viajar por a\u00ed nesse mund\u00e3o que \u00e9 o Brasil \u2014 mesmo que n\u00e3o fosse do Oiapoque ao Chu\u00ed \u2014 merece todo o respeito. Porque, convenhamos, muitas dessas viagens se revelaram verdadeiras epopeias da frustra\u00e7\u00e3o, mas ser\u00e1 que foram alertados pela concession\u00e1ria, na hora da compra, de como realmente funciona a autonomia no carro el\u00e9trico?<br>Experi\u00eancias ruins com produtos, logo caem nas redes sociais, em puro desabafo e UFA!, as boas tamb\u00e9m! Em contraponto, h\u00e1 os v\u00eddeos que invertem o jogo: t\u00edtulos com perguntas provocativas, como <em>Vale a pena comprar um carro el\u00e9trico? Ou Eu comprei um carro el\u00e9trico, me arrependi?<\/em> E nas respostas que j\u00e1 parecem antes mesmo do meio do v\u00eddeo \u2014 s\u00e3o tantos pr\u00f3s que aparecem, que j\u00e1 d\u00e1 para voc\u00ea saber o final, mesmo que fa\u00e7am quest\u00e3o de apontar os contras.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>De quem \u00e9 a culpa&#8230;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 que se respeitar, as concession\u00e1rias que alertaram seus clientes, sobre as limita\u00e7\u00f5es de pontos de recarga em viagens \u2014 sobre o tempo de carregamento e a infraestrutura ainda em implanta\u00e7\u00e3o (veja o gr\u00e1fico mais abaixo e sinta o drama de quem sonhava com longas viagens el\u00e9tricas, l\u00e1 em 2017). Enfim, alertar sobre tudo deveria ser&#8230; o normal&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas houve \u2014 e ainda h\u00e1 \u2014 casos em que o vendedor preferiu omitir o lado B do carro el\u00e9trico (BEV). Talvez n\u00e3o tenham mentido\u2026 mas a omiss\u00e3o, nesse caso, \u00e9 trai\u00e7oeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns chegaram at\u00e9 a prometer: <em>Pise fundo com zero emiss\u00f5es!<\/em>, exaltando o desempenho do carro el\u00e9trico e claro de que nossas estradas geralmente v\u00e3o no limite de120 km\/h \u2014 at\u00e9 o pr\u00f3ximo radar, claro, que os <em>pilotos<\/em>, ao passar, aceleram de novo e muitas vezes querem experimentar essa tal performance do carro, a\u00ed pisa pra deitar o cabelo\u2026 Mas o verdadeiro problema \u00e9 outro, porque mesmo em 120 km na estrada ocorre <strong>a queda fatal da autonomia anunciada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos el\u00e9tricos raiz (os BEVs), isso implica uma equa\u00e7\u00e3o direta: menos pontos de recarga = mais tens\u00e3o (e n\u00e3o el\u00e9trica). J\u00e1 nos h\u00edbridos, o fim da carga da bateria n\u00e3o \u00e9 o fim da linha \u2014 o motor a combust\u00e3o assume. O problema a\u00ed \u00e9 outro: o sobrepeso. Afinal s\u00e3o dois sistemas, dois motores, muito mais componentes gerando peso a mais do que no mesmo modelo s\u00f3 a combust\u00e3o. Na estrada reta at\u00e9 vai\u2026 mas na subida\u2026 ah, a subida\u2026 sofrida, vai l\u00e1 na frente o caminh\u00e3o e o \u00f4nibus&#8230; e o h\u00edbrido tentando acompanhar, porque (geralmente) o motor a gasolina de v\u00e1rios modelos n\u00e3o d\u00e1 conta de tanto peso! B\u00e3o!, se for um modelo mais encorpado com motor mais potente, \u2014 o que, claro, exige um bolso igualmente turbinado \u2014 a\u00ed esquece: vai que vai, na boa.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria, ent\u00e3o, se divide em v\u00e1rios par\u00e2metros. E nossa proposta \u00e9 analisar tudo isso de forma clara e direta \u2014 porque h\u00e1 uma verdadeira multid\u00e3o de vari\u00e1veis nos relatos de usu\u00e1rios indignados (e outros nem tanto) nos v\u00eddeos que vi, o que me permite comentar com alguma base, um dos lados da quest\u00e3o: o social. Afinal, eu n\u00e3o tenho um carro el\u00e9trico, mas, se tivesse condi\u00e7\u00f5es de adquirir um, teria sim \u2014 e j\u00e1! Por enquanto, no meio de algumas conclus\u00f5es como sapo de fora, sigo mais ao longo do artigo tentando explicar alguns poraqu\u00eas. Ali\u00e1s&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quer saber? Explico j\u00e1!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quem comprou sabendo dos benef\u00edcios e das limita\u00e7\u00f5es \u2014 ou quem descobriu depois, mas s\u00f3 usa sobretudo,  o carro na cidade \u2014 se deu bem! E o mesmo vale para quem al\u00e9m do uso urbano, faz viagens dentro da autonomia do carro \u2014 se deu bem. Pessoalmente e ecologicamente.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Se deu bem no bolso: menos manuten\u00e7\u00e3o, menos gasto com combust\u00edvel e, se consegue recarregar em casa, melhor ainda. Ganha at\u00e9 um <em>se deu bem b\u00f4nus!<\/em> se a energia vier do pr\u00f3prio telhado solar.<\/li>\n\n\n\n<li>Se deu bem na pr\u00e1tica: recarrega em shoppings, postos, supermercados\u2026 e ainda pega tr\u00e2nsito regenerando energia, sem gastar nada quando est\u00e1 parado.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Se deu bem o meio ambiente<\/strong>: Menos CO\u2082, menos polui\u00e7\u00e3o sonora, menos depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Agora\u2026 quem n\u00e3o foi avisado pelas concession\u00e1rias de que poderia passar sufoco na estrada \u2014 mesmo dentro da autonomia anunciada (a\u00ed entram os sen\u00f5es e por\u00e9ns) \u2014 especialmente os que gostam de entrar no carro e deitar o cabelo Brasil afora, provavelmente deu ruim.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cidade: tudo certo.<br>Na estrada: pode come\u00e7ar o drama.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse deu ruim vem de onde? Dos muitos relatos e v\u00eddeos de consumidores frustrados. Claro, h\u00e1 os satisfeitos \u2014 especialmente em trechos planejados, em partes do Nordeste ou entre cidades como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Mas, no geral, a infraestrutura ainda engasga. E a\u00ed o problema nem sempre \u00e9 do carro. \u00c9 a tomada que falta no meio do caminho\u2026 Se em alguns trajetos n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o, em outros a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 tra\u00e7ar estrat\u00e9gias poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o, com licen\u00e7a po\u00e9tica e um pedido de perd\u00e3o ao mestre mineiro:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>No meio da estrada n\u00e3o tinha uma recarga,<br>n\u00e3o tinha uma recarga no meio do caminho\u2026<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Depois de alguns poraqu\u00eas&#8230; os piriris<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma pergunta pertinente seria:<br>Se respeitei a autonomia, dirigi como manda o manual, se respeitei os 120 km (segundo o manual o carro corre uns 200 e berimbau!), por que fiquei na estrada?<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Na cidade, voc\u00ea circula em m\u00e9dia entre 40 \u00e0 80 km\/h \u2014 e o carro el\u00e9trico se sente em casa.<\/li>\n\n\n\n<li>No tr\u00e2nsito, o el\u00e9trico consome bem menos que um a combust\u00e3o (que queima combust\u00edvel at\u00e9 no ponto morto).<\/li>\n\n\n\n<li>Parando e parado, ele respira. Recupera. Regenera. N\u00e3o gasta!<br>J\u00e1 na estrada&#8230; o buraco \u00e9 mais embaixo. O neg\u00f3cio \u00e9 usar a autonomia que se tem estrategicamente como veremos mais \u00e0 frente.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>E a resposta nem sempre est\u00e1 no p\u00e9 direito (sobretudo nos p\u00e9s mais pesados). A autonomia informada pelo fabricante depende de muitos fatores: velocidade, topografia, temperatura ambiente, uso do ar-condicionado, tipo de recarga anterior\u2026 e o pr\u00f3prio tipo de carro \u2014 afinal, essas vari\u00e1veis atuam, seja qual for o combust\u00edvel. O problema \u00e9 que, muitas vezes, o motorista nem sabe que faz parte da equa\u00e7\u00e3o. Mas faz. E como faz.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong> Motorista de aplicativo, entregas e porque n\u00e3o os taxistas no&#8230; sonho meu, sonho meu&#8230;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Carros el\u00e9tricos est\u00e3o rodando quase o dia todo \u2014 e n\u00e3o s\u00f3 com passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos motoristas de aplicativo e taxistas, muitos profissionais aut\u00f4nomos e empresas est\u00e3o adotando ve\u00edculos el\u00e9tricos p<strong>ara entregas urbanas \u2014 <\/strong>seja no Mercado Livre (que est\u00e1 investindo em sua pr\u00f3pria frota de ve\u00edculos el\u00e9tricos no Brasil),  Amazon, aplicativos log\u00edsticos ou sistemas pr\u00f3prios. Em cidades grandes, esse movimento cresce por v\u00e1rios motivos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Rodam muito e gastam pouco:<\/strong> Com custo por km rodado muito menor que a gasolina ou etanol, os el\u00e9tricos compensam mais r\u00e1pido<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Silenciosos e n\u00e3o poluentes:<\/strong> Ideal para circular em zonas de restri\u00e7\u00e3o ou \u00e1reas centrais<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Est\u00e3o isentos de rod\u00edzio em algumas cidades:<\/strong> Como em S\u00e3o Paulo, o que garante liberdade total de circula\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Acesso a incentivos e parcerias:<\/strong> Algumas plataformas de entrega oferecem aluguel ou financiamento facilitado de BEVs<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>J\u00e1 tem entregador rodando de Kwid E-Tech, BYD Dolphin, JAC E-JS1 e outros modelos compactos \u2014 silenciosos, econ\u00f4micos e discretos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses se deram bem, e como!<\/p>\n\n\n\n<p>Se tivesse trilha sonora, seria <em>Sonho Meu<\/em> \u2014 de Dona Ivone Lara e D\u00e9lcio Carvalho \u2014 entoada por Gal e Beth\u00e2nia no antol\u00f3gico LP <em>\u00c1libi<\/em> de 1978.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E o pulo do gato?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Parece que o segredo \u00e9 esperar um <strong>usado com dois anos de vida<\/strong>, quando o pre\u00e7o j\u00e1 escorregou e a frustra\u00e7\u00e3o dos antigos donos vira economia para os novos compradores. Mas nos usados sempre paira a d\u00favida: se eu comprar agora, ele dura mais quanto? Comprar aos 2 anos&#8230; e a previs\u00e3o da pane geral, ser\u00e1 quando?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 outra hist\u00f3ria \u2014 a da <strong>obsolesc\u00eancia programada<\/strong>, quando o fabricante projeta um produto com vida \u00fatil limitada:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>F\u00edsica<\/strong>: as pe\u00e7as se desgastam ou simplesmente param de funcionar<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Simb\u00f3lica<\/strong>: lan\u00e7am algo novo s\u00f3 para tornar o anterior ultrapassado<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Digital<\/strong>: o software deixa de ser atualizado e o carro fica \u00f3rf\u00e3o do sistema<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Mas no caso dos carros el\u00e9tricos\u2026 o quanto disso \u00e9 mito, intriga ou verdade inconveniente?<br>Mais uma conspira\u00e7\u00e3o importada (ou inventada por aqui) de que carro el\u00e9trico seria tipo: deu problema, joga fora? Seriam descart\u00e1veis?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, sinceramente, n\u00e3o saberia dizer.<br>Mas j\u00e1 sei que tem muito carro el\u00e9trico por a\u00ed\u2026 com bateria trocada e vida nova.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos saber disso juntos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para o motorista de aplicativo e tamb\u00e9m para entregadores e taxistas el\u00e9tricos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Economia de combust\u00edvel que vai direto pro bolso.<\/li>\n\n\n\n<li>Imagem ecol\u00f3gica que rende cinco estrelas.<\/li>\n\n\n\n<li>Rodagem urbana sem sustos de autonomia.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Afinal, o carro \u00e9 el\u00e9trico. Mas o sorriso&#8230; ainda \u00e9 \u2014 e deve ser \u2014 humano.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>OPA!<\/strong><br>Para tudo e rebobina a fita<br>que eu achei uma voz no YouTube<br>num outro tom<br>meio que em contra m\u00e3o<br> e isso \u00e9 bom e num bom tom!<br>Ele \u00e9 dos que dizem:<br>Sim \u00c9 Por A\u00ed Que Eu Vou!<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Carro El\u00e9trico: o Que Ningu\u00e9m Te Conta (mas Tem Quem Sabe)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O valor est\u00e1 no uso, n\u00e3o na revenda: mercado ainda n\u00e3o entendeu<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Roberto Santucci, um propriet\u00e1rio que dirige marcas e modelos como Audi, BMW i3, BMW iX e Tesla \u2014 todos el\u00e9tricos raiz, nada de h\u00edbridos. Ele tem uma vis\u00e3o realista da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica: enquanto a China avan\u00e7a decididamente, o Brasil ainda engatinha, preso a lobbies que protegem os combust\u00edveis f\u00f3sseis. Sua opini\u00e3o \u00e9 bem argumentada, alinhada com dados de sondagem global e com a expans\u00e3o verde do mercado. Sim, ele \u00e9 ir\u00f4nico ao comentar a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos el\u00e9tricos \u2014 que, segundo ele, perdem valor mais r\u00e1pido do que os a combust\u00e3o. Usa como exemplo seu pr\u00f3prio BMW i3, e d\u00e1 uma bela volta por cima: mesmo que o valor n\u00e3o aumente, a moral t\u00e1 l\u00e1 em cima.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio, diz ele, assusta quem ainda v\u00ea carro como investimento de revenda. Mas seu discurso revela a paix\u00e3o pelos BEVs \u2014 e ele arremata com sabedoria ao dizer, no final do v\u00eddeo:<br><strong><em>o carro el\u00e9trico vale pelo uso!<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a maioria dos depoimentos s\u00e3o de pessoas com seu primeiro carro el\u00e9trico e em grande parte propriet\u00e1rios de um BYD da linha Dolphin ou outros de entrada, o que me chamou aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi porque ele tem carros que no Brasil chamamos de <em>luxo <\/em>(mesmo que l\u00e1 fora n\u00e3o sejam), foi o t\u00edtulo, <strong><em>Carro el\u00e9trico no Brasil com 10 anos! E agora?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O \u00e9 de v\u00eddeo de setembro 2024, quando faltavam cinco meses para completar os 10 anos e agora j\u00e1 o bolo j\u00e1 foi cortado \u2014 e a vela&#8230; n\u00e3o tem! (afinal, \u00e9 el\u00e9trico, n\u00e9?). No caso um BMWi3 de 2015 em que ele colocava a inc\u00f3gnita e agora?, depois de 10 anos se pergunta, o que fazer com o seu EV depois de ter trocado a sua bateria&#8230; opa, <em>ficar com ele mais 10, 15 ou 20 anos!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o ele continua trafegando tranquilamente entre Rio-S\u00e3o Paulo com seus BEVs (n\u00e3o sei se ainda vai com o BMWi3) e passa uma importante dica: <strong><em>autonomia nesse caso \u00e9 como um el\u00e1stico, pisa diminui, tira o p\u00e9 aumenta<\/em><\/strong>, mexendo num dos maiores estigmas do carro el\u00e9trico, serve pra cidade e n\u00e3o serve para viajar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Imagino que o i3 dele tenha o famoso <em>range extender<\/em>. Por qu\u00ea?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ora, pensemos: em 2015, mesmo entre S\u00e3o Paulo e Rio, a infraestrutura de carregamento ainda era mais sonho do que rede. E o <em>range extender<\/em> \u2014 um pequeno motor a combust\u00e3o que gera eletricidade quando a bateria se esgota \u2014 era quase uma carta na manga para quem queria ser el\u00e9trico raiz, afinal isso n\u00e3o torna o i3 um h\u00edbrido.<\/p>\n\n\n\n<p>E como ele mesmo diz: autonomia \u00e9 como um el\u00e1stico&#8230; Vai ver ele apenas dominou t\u00e3o bem essa l\u00f3gica que hoje quase ningu\u00e9m nota se tem ou n\u00e3o o REx (sei l\u00e1, pode ser at\u00e9 que n\u00e3o tenha) \u2014 talvez nem ele mais se lembre que est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 mais encher o tanque e ir embora. A l\u00f3gica agora \u00e9 se perguntar quanto preciso pra rodar, e onde posso carregar com intelig\u00eancia (e uma m\u00e3o na roda s\u00e3o os aplicativos de pontos de recarga)? E pra quem ainda d\u00favida ele continua: <em>Comprei um Chevrolet Bolt, um dos melhores carros de autonomia vai a mais de 400 (km) e agora que minha mulher tem o carrinho el\u00e9trico dela e quando as amigas dela querem viajar aqui para perto ali na serra, qual \u00e9 o carro que elas escolhem? O carro da minha mulher. Todo mundo quer ir de carro el\u00e9trico n\u00e9? N\u00e3o vai pagar gasolina &#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pera\u00ed, pera\u00ed, pera\u00ed!<\/strong> Eu comprei um que s\u00f3 tem 200 km de autonomia&#8230;<br>Calma, isso conta \u2014 mas a dica do el\u00e1stico, do aplicativo e a rede de recarga que cresce todo dia&#8230; ainda n\u00e3o \u00e9 planejada como deveria, pois depende muito do investimento privado e at\u00e9 de algumas promessas de fabricante, mas&#8230; d\u00e1 pra rodar. (veja a tabela mais abaixo. Com uma autonomia menor voc\u00ea conseguir\u00e1 viajar se planejar e\/ou se a rede existente permitir um bom planejamento. E em v\u00e1rios carros el\u00e9tricos de entrada, a autonomia costuma variar entre 200 e 350 km, dependendo do modelo, do uso e da bateria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>E n\u00e3o vem com hist\u00f3ria<\/strong><br><strong>Venho sim!<\/strong><br>A Eletrizante Hist\u00f3ria Inacabada<br>do Carro El\u00e9trico!<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>10 anos rodando e quase nada de oficina<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 um dos que tem carro el\u00e9trico h\u00e1 mais de 10 anos no Brasil \u2014 e feliz da vida. Com mais de 100 mil quil\u00f4metros rodados estampado no od\u00f4metro, manuten\u00e7\u00e3o m\u00ednima, bateria trocada no limite da garantia, e ainda rodando mais de 100 km por carga, mesmo com um modelo considerado ultrapassado (na sua ironia e comparado \u00e9 claro com modelos novos).<\/p>\n\n\n\n<p>Diz ele que pra quem dirige em m\u00e9dia 30 km por dia (como 98% da popula\u00e7\u00e3o mundial, segundo um estudo da BMW), \u00e9 mais do que suficiente. E tudo isso com zero barulho, zero gasolina e zero idas ao mec\u00e2nico para trocar junta, correia, vela, filtro, \u00f3leo ou qualquer outra pe\u00e7a que s\u00f3 existe em carro velho \u2014 ops, quer dizer, carro a combust\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E se o carro el\u00e9trico for como um celular como ele diz?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>O carro el\u00e9trico evolui como um celular, n\u00e3o como um motor barulhento.<\/strong><br>A teoria dele \u00e9 simples: a cada cinco anos, tudo dobra \u2014 mais autonomia, mais pot\u00eancia, menos tempo de recarga.<br>Isso quer dizer que os modelos antigos v\u00e3o desvalorizar mesmo \u2014 <strong>n\u00e3o por serem ruins<\/strong>, mas porque a tecnologia nova \u00e9 ainda melhor E isso, convenhamos, acontece com qualquer produto digital.<br>N\u00e3o que um carro el\u00e9trico seja exatamente compar\u00e1vel a um celular\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a verdade \u00e9 que o digital j\u00e1 vive no cora\u00e7\u00e3o dos BEVs \u2014 e agora com sensores, algoritmos e intelig\u00eancia artificial fazendo as vezes de copiloto invis\u00edvel: aprende, corrige rota, economiza energia e at\u00e9 conversa \u2014 atuando em tempo real para otimizar desempenho, seguran\u00e7a e autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tem algo que n\u00e3o desvaloriza: a experi\u00eancia. Quem dirige um carro el\u00e9trico pela primeira vez entende que ele n\u00e3o \u00e9 apenas um outro tipo de carro \u2014 \u00e9 uma nova forma da mobilidade, uma nova maneira de se relacionar com a cidade, com a energia, com o tempo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o tem estepe. Isso \u00e9 defeito ou evolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quase que a \u00fanica cr\u00edtica dele no v\u00eddeo aos carros el\u00e9tricos BEVs, foi a falta do estepe. E ainda pondera: at\u00e9 daria pra passar sem, <strong>se<\/strong> n\u00e3o fosse o estado das estradas brasileiras. Por uma decis\u00e3o rara da montadora seu BMWi3 tem estepe.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos modelos de carros el\u00e9tricos \u2014 inclusive alguns h\u00edbridos tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00eam com estepe. No lugar dele, encontramos kits de reparo, pneus run-flat ou um n\u00famero de assist\u00eancia t\u00e9cnica na tela do painel.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Reduz peso (o inimigo n\u00famero um da autonomia).<\/li>\n\n\n\n<li>Libera espa\u00e7o para baterias e componentes el\u00e9tricos.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 pensada para um tipo de condu\u00e7\u00e3o mais urbana, mais planejada, mais conectada.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Em estradas boas, como as europeias ou norte-americanas, isso costuma funcionar bem. Mas ser\u00e1 que o carro el\u00e9trico foi pensado s\u00f3 para pistas perfeitas? Por aqui, temos umas estradas <em>pra l\u00e1<\/em> de imperfeitas. E a\u00ed entra nossa dura e crua realidade: rasgou o pneu? Adeus, kit de reparo. S\u00f3 guinchando!<br>(Ah, e de quebra vem a pol\u00eamica: ped\u00e1gio como \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para melhorar rodovias e tarifas justas pra quem?)<\/p>\n\n\n\n<p>Quem tem carro el\u00e9trico sabe: muitos preferem carregar um estepe adaptado ou universal no porta-malas mesmo perdendo espa\u00e7o, especialmente em viagens.<br>Porque o carro pode ser do futuro, mas os buracos continuam no passado, infelizmente ainda presente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre o receio e a desinforma\u00e7\u00e3o: um mel\u00f3dico saxofone!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Enf\u00e1tico, Roberto Santucci* (link do v\u00eddeo no final do artigo) reinventa o velho ditado colocar a boca no trombone \u2014 no caso dele, um mel\u00f3dico saxofone com algumas trombonadas. Ele critica o alarde exagerado em torno de inc\u00eandios em baterias de carros el\u00e9tricos:<br><em>Na Noruega, onde quase 90% dos carros vendidos s\u00e3o el\u00e9tricos, como \u00e9 o servi\u00e7o de seguran\u00e7a contra inc\u00eandios nos carregadores?<br>N\u00e3o tem. N\u00e3o tem porque n\u00e3o pega fogo!<br>E na Europa? Tamb\u00e9m n\u00e3o tem. U\u00e9, n\u00e3o tem porque n\u00e3o pega fogo!<br><\/em>Ironia fina, com toda raz\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o sensacionalista e ele n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3, participa de uma associa\u00e7\u00e3o, a Abravei, Associa\u00e7\u00e3o Brasileira Dos Propriet\u00e1rios De Ve\u00edculos El\u00e9tricos Inovadores** com sede em Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o risco de inc\u00eandio em ve\u00edculos el\u00e9tricos \u00e9 at\u00e9 25 vezes menor do que nos carros a combust\u00e3o, segundo o <em>National Transportation Safety Board<\/em> (NTSB) dos EUA e o <em>Insurance Institute for Highway Safety<\/em> (IIHS).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sim, casos de inc\u00eandio em baterias existem<\/strong> \u2014 geralmente em decorr\u00eancia de colis\u00f5es ou instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas irregulares. As causas, no fundo, s\u00e3o as mesmas de alguns inc\u00eandios em ambientes dom\u00e9sticos: fia\u00e7\u00e3o mal feita, uso de carregadores n\u00e3o homologados (como acontece tamb\u00e9m com celulares), ou falhas pontuais de componentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos incidentes ocorreu fora do Brasil, em regi\u00f5es com frotas muito maiores, como Estados Unidos, China e pa\u00edses da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>E por aqui? Segundo a ABVE (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Ve\u00edculo El\u00e9trico) e plataformas como a Tupi Mobilidade, at\u00e9 agora o n\u00famero \u00e9 direto e sem fuma\u00e7a: zero casos confirmados de inc\u00eandio espont\u00e2neo em baterias no Brasil. <strong>Houve, sim, casos de inc\u00eandio<\/strong> \u2014 mas sempre relacionados a fatores como os citados acima.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o existe, claro. Afinal, \u00e9 uma tecnologia ainda relativamente nova para muita gente. E uma bateria de l\u00edtio em combust\u00e3o assusta mesmo \u2014 pelo tipo de fogo, dif\u00edcil de conter.<br>Mas h\u00e1 muita desinforma\u00e7\u00e3o circulando por a\u00ed \u2014 seja espont\u00e2nea ou, em alguns casos, cuidadosamente fabricada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Frear, Regenerar e Seguir: o Segredo dos Carros el\u00e9tricos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O freio que devolve energia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Um dos recursos mais inteligentes (e talvez menos comentados) dos carros el\u00e9tricos \u00e9 o freio regenerativo. Ao contr\u00e1rio dos freios tradicionais, que transformam energia cin\u00e9tica em calor e desperdi\u00e7am tudo, o sistema regenerativo reaproveita essa energia para recarregar a bateria. \u00c9 como se cada vez que voc\u00ea freasse, o carro dissesse: obrigado, vou usar isso depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso torna o ve\u00edculo mais eficiente, especialmente em trajetos urbanos com muitos anda e para, anda e para, anda e para&#8230; Em descidas, ent\u00e3o, o efeito \u00e9 ainda mais not\u00e1vel: o carro reduz a velocidade de forma suave e ainda ganha autonomia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um novo jeito de dirigir: num p\u00e9 s\u00f3<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Junto com o freio regenerativo, surge um novo estilo de dirigir chamado <em>One-Pedal Drive<\/em> \u2014 ou dirigir com um p\u00e9 s\u00f3. Nesse modo, o carro desacelera assim que voc\u00ea tira o p\u00e9 do acelerador, e essa energia \u00e9 imediatamente transformada em carga para a bateria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, o pedal do acelerador vira um maestro: voc\u00ea acelera e freia com ele, dosando com precis\u00e3o. Em muitos casos, o uso do freio tradicional se torna quase dispens\u00e1vel no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aten\u00e7\u00e3o: nem todo freio regenerativo \u00e9 igual.<br>Cada fabricante implementa a tecnologia de maneira diferente. Alguns modelos oferecem n\u00edveis ajust\u00e1veis de regenera\u00e7\u00e3o; outros s\u00e3o quase que autom\u00e1ticos. Alguns param completamente sozinhos; outros exigem um toque final no freio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da\u00ed deduzimos um outro aspecto, voc\u00ea que queria um carro autom\u00e1tico&#8230;<\/strong> <strong>ou j\u00e1 t\u00e1 acostumado<\/strong><br>Se j\u00e1 dirigiu (ou conhece) um carro autom\u00e1tico, com aquele c\u00e2mbio f\u00edsico que desliza entre as letras <strong>D<\/strong> (drive \u2013 dirigir), <strong>N<\/strong> (neutral \u2013 ponto morto), <strong>R<\/strong> (reverse \u2013 r\u00e9) e <strong>P<\/strong> (park \u2013 estacionado), vai se sentir quase em casa num carro el\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a? Nos BEVs (carros el\u00e9tricos a bateria), o motor n\u00e3o precisa de c\u00e2mbio \u2014 entrega torque direto e cont\u00ednuo. Ou seja: sem marchas, sem trocas suaves, sem trancos disfar\u00e7ados. S\u00f3 acelera\u00e7\u00e3o limpa. Os comandos continuam os mesmos, mas no lugar da alavanca tradicional, o que voc\u00ea encontra s\u00e3o bot\u00f5es, seletores girat\u00f3rios ou alavancas eletr\u00f4nicas tipo joystick. \u00c9 o futuro com cara (ou melhor, toque) de videogame.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Efici\u00eancia com sustentabilidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Pode parecer um detalhe t\u00e9cnico, mas o freio regenerativo \u00e9, na pr\u00e1tica, uma mudan\u00e7a de paradigma. Ele transforma o ato de parar \u2014 que sempre foi perda \u2014 em movimento a favor da efici\u00eancia. Como se o carro dissesse: Tudo bem, estamos freando&#8230; mas n\u00e3o estamos perdendo nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais autonomia, menos desgaste de pe\u00e7as, menos uso do freio convencional, e uma dire\u00e7\u00e3o mais suave. \u00c9 a tecnologia criando um novo ritmo de condu\u00e7\u00e3o, onde at\u00e9 o que freia ajuda a seguir adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>E os Poraqu\u00eas dos Piriris da Recarga<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre Brasil, Fran\u00e7a e EUA j\u00e1 \u00e9 um baita ch\u00e3o&#8230; pra chegar na China, um abismo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O Brasil tem cerca de 15 mil pontos p\u00fablicos e semip\u00fablicos de recarga \u2014 o que, para um territ\u00f3rio continental como o nosso, ainda \u00e9 pouco. Enquanto isso, a Fran\u00e7a, praticamente do tamanho de Minas Gerais, j\u00e1 ultrapassou os 150 mil. Os Estados Unidos operam com 190 mil pontos. E a China, com dimens\u00e3o semelhante \u00e0 nossa, avan\u00e7a com impressionantes 3,5 milh\u00f5es de esta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agosto de 2024, v\u00eddeos e reportagens citavam cerca de 10 mil pontos de recarga el\u00e9trica no Brasil \u2014 n\u00famero confirmado pela Tupi Mobilidade e pela ABVE: eram exatamente 10.622, sendo 89% de carga lenta (AC) e apenas 11% de carga r\u00e1pida (DC).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas conforme o setor avan\u00e7a, os trancos da infraestrutura come\u00e7am a ser suavizados:<br>No final de 2024, o n\u00famero j\u00e1 havia subido para 12.137, e em fevereiro de 2025 passou a marca dos 14 mil, chegando a 14.827 eletropostos p\u00fablicos e semip\u00fablicos em funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Dando uma olhada no gr\u00e1fico, d\u00e1 para entender que, se estamos falando de Brasil, antes de 2024 estava bem dif\u00edcil achar um eletroposto em muitos eixos rodovi\u00e1rios por onde o carro el\u00e9trico chegou \u2014 ou foi levado \u2014 antes de estar no radar das empresas de recarga.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"605\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/grafico-evolucao-eletropostos-brasil-2017-2025-2-1024x605.png\" alt=\"Gr\u00e1fico do crescimento dos eletropostos p\u00fablicos e semip\u00fablicos no Brasil entre 2017 e 2025\n\n\" class=\"wp-image-1949\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/grafico-evolucao-eletropostos-brasil-2017-2025-2-1024x605.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/grafico-evolucao-eletropostos-brasil-2017-2025-2-300x177.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/grafico-evolucao-eletropostos-brasil-2017-2025-2-768x454.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/grafico-evolucao-eletropostos-brasil-2017-2025-2-1536x907.png 1536w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/grafico-evolucao-eletropostos-brasil-2017-2025-2-1600x945.png 1600w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/grafico-evolucao-eletropostos-brasil-2017-2025-2-780x461.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/grafico-evolucao-eletropostos-brasil-2017-2025-2.png 1664w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Expans\u00e3o dos pontos de recarga para ve\u00edculos el\u00e9tricos no Brasil<\/strong> <strong>de 2017-2025<\/strong> <strong>&#8211; Fonte: ABVE (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Ve\u00edculo El\u00e9trico) e Tupi Mobilidade<\/strong><br><em>imagem: [Athena&amp;PLW \u2013 colagens digitais]<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O ovo e a galinha ou a galinha e o ovo?<\/strong> <strong>Mas antes temos que dar nomes aos bois<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A equa\u00e7\u00e3o ovo-galinha da energia \u00e9 um daqueles impasses cl\u00e1ssicos. Mas afinal, qual \u00e9 mesmo a quest\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>O ideal seria que a estrutura j\u00e1 estivesse l\u00e1, prontinha, esperando a demanda que naturalmente viria. Mas algu\u00e9m tem que bancar esse cen\u00e1rio ideal \u2014 e isso significa investir. E estrutura dando sopa antes da demanda? A\u00ed j\u00e1 vira quase conto de fadas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso parecido (mas com sabor tecnol\u00f3gico) aconteceu com os celulares. As operadoras precisavam instalar antenas para funcionar. Estava no contrato, tudo certinho. Mas o que rolou? Espalharam as antenas de um jeito que, n\u00e3o importava a operadora, sempre sobrava um buraco sem sinal no meio do seu caminho. Depois de muito perrengue, alguma solu\u00e7\u00e3o apareceu. Talvez dividiram antenas, talvez criaram acordos. Mas, convenhamos: a solu\u00e7\u00e3o sempre chegou depois \u2014 e sempre passou pelo bolso do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o investidor parece preferir aquele velho arranjo: o consumidor paga a conta, s\u00f3 que disfar\u00e7ada, embutida na fatura. Agora sim, podemos contar uma verdadeira hist\u00f3ria da carrocinha com motor el\u00e9trico&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>E se a gente se meter nessa historinha, de quem vem (no caso, dever vir) antes colocando o pintinho no meio?<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso era uma vez&#8230; havia um impasse assim:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2014<\/strong> <strong>N\u00e3o coloco carregador porque n\u00e3o tem carro suficiente   <\/strong>(E se carregador for a galinha?)<strong><br>\u2014 N\u00e3o compro carro el\u00e9trico porque n\u00e3o tem carregador<\/strong> (ent\u00e3o o carro el\u00e9trico \u00e9 o ovo?)<\/p>\n\n\n\n<p>E assim seguimos: as vezes ningu\u00e9m quer ser o ovo, ningu\u00e9m quer ser a galinha <strong>\u2014<\/strong> ou melhor, ningu\u00e9m quer ser o primeiro. Mas na nossa historinha, os ovos j\u00e1 est\u00e3o por a\u00ed&#8230; a esperando o chocar da galinha. Enquanto isso, os pintinhos el\u00e9tricos \u2014 que somos n\u00f3s \u2014 precisamos de achar jeitos criativos de existir nessa granja.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem pode carregar em casa, carrega. Mas quem mora em pr\u00e9dio sem vaga, ou com garagem coletiva onde o condom\u00ednio n\u00e3o libera tomada 220V, ou ainda  sem espa\u00e7o fixo nenhum, fica piando de fora dessa equa\u00e7\u00e3o, esperando que as galinhas deem conta de chocar tantos ovos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tem promessa de expans\u00e3o? Tem.Tem promessa de expans\u00e3o? Tem historinha, sim..<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A BYD, por exemplo, anunciou um plano ambicioso de criar sua pr\u00f3pria malha de recarga no Brasil.<br>Mas promessa aqui, a gente sabe\u2026 (mudando de bicho de novo) pode ser s\u00f3 conversa pra boi dormir.<br>E, por enquanto, o boi ainda est\u00e1 parado na frente do carro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Se voc\u00ea tem um ve\u00edculo el\u00e9trico, conhecer os apps de recarga \u00e9 t\u00e3o importante quanto saber onde recarregar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O EZVolt (Easy Volt App) permite localizar, verificar disponibilidade e pagar direto pelo app \u2014 e, desde maio de\u202f2025, motoristas BYD podem usar o BYD Recharge para acessar a rede EZVolt em mais de 450 esta\u00e7\u00f5es, tudo integrado via tecnologia OCPI. Para quem prefere uma base colaborativa, o PlugShare oferece mapa global e avalia\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios.<br>J\u00e1 o app Eletroposto F\u00e1cil, da Copel (Paran\u00e1), permite reserva presencial e gerenciamento da carga, mas \u00e9 restrito \u00e0 rede p\u00fablica local. Em muitos casos, apps de navega\u00e7\u00e3o como Google Maps e Waze j\u00e1 exibem pontos de recarga, agilizando buscas durante a rota.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, o ideal mesmo \u00e9 ter pelo menos dois apps instalados: um da rede do fabricante ou privativa (como EZVolt ou BYD Recharge) e outro colaborativo (como PlugShare). Assim, voc\u00ea cobre maior parte da malha de recarga, evita perfil de erro e garante praticidade no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom checar: alguns aplicativos informam em tempo real se o terminal de recarga est\u00e1 dispon\u00edvel, ocupado ou em manuten\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O carregamento dom\u00e9stico resolve? Sim. Mas n\u00e3o pra todo mundo.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Parte significativa dos donos hoje carrega \u00e0 noite em casa, como quem carrega um celular. Um conhecido de quem procura informa\u00e7\u00f5es sobre carro el\u00e9trico no YouTube respondeu a pergunta da filha: <em>Pai quanto leva pra voc\u00ea recarregar o carro?<\/em>, ele bem humorado respondeu: <em>Um minuto, afinal eu plugo e vou dormir.<\/em>.. E isso funciona bem para quem pode ter isso em casa, mas\u2026<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Nem todo mundo mora em casa.<\/li>\n\n\n\n<li>Nem todo pr\u00e9dio aceita a instala\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria<\/li>\n\n\n\n<li>Nem toda vaga tem acesso \u00e0 rede el\u00e9trica confi\u00e1vel. O ideal \u00e9 ter fia\u00e7\u00e3o nova , disjuntor, tomada homologada \u2014 uma deriva\u00e7\u00e3o dedicada apenas a recarga do seu ve\u00edculo<\/li>\n\n\n\n<li>E nem todo ponto p\u00fablico funciona<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Sim \u00e9 comum, por exemplo, lugares com 3 carregadores \u2014 e dois quebrados. Fila, frustra\u00e7\u00e3o e, \u00e0s vezes, muita bateria, pouco carregador<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Som do Sil\u00eancio: Quando Dirigir Muda de Trilha Sonora<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Adeus, ronco \u2014 ol\u00e1, sussurro<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A transi\u00e7\u00e3o do motor a combust\u00e3o para o el\u00e9trico come\u00e7a pelo ouvido \u2014 ou melhor, pela aus\u00eancia do barulho. A pot\u00eancia agora \u00e9 suave. O cl\u00e1ssico olha s\u00f3 o ronco desse motor!, perdeu lugar para o som do sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso divide opini\u00f5es. Para muitos, o sil\u00eancio soa estranho, desconfort\u00e1vel, ou at\u00e9 perigoso. Afinal, o som do motor sempre foi uma refer\u00eancia para pedestres, ciclistas e motoristas. Agora, surge um novo paradigma: o sil\u00eancio como sinal de avan\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Seguran\u00e7a e reeduca\u00e7\u00e3o auditiva:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Assim como o g\u00e1s de cozinha, que precisou ganhar cheiro para alertar vazamentos, o carro el\u00e9trico precisou ganhar som. Modelos mais novos j\u00e1 v\u00eam equipados com um sistema chamado AVAS (<em>Acoustic Vehicle Alerting System<\/em>), que emite um ru\u00eddo artificial abaixo de 20 a 30 km\/h \u2014 um alerta sonoro para quem atravessa sem olhar.<br>Em muitos pa\u00edses, isso j\u00e1 \u00e9 obrigat\u00f3rio por lei. No Brasil? O debate caminha\u2026 em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o motorista, o sil\u00eancio tamb\u00e9m exige adapta\u00e7\u00e3o. Antes, o som do motor indicava falhas, marchas, at\u00e9 o sentir do carro. Agora, ele precisa reaprender a escutar: rangidos internos, avisos eletr\u00f4nicos e o som ambiente voltam ao palco. A cidade, antes abafada, se revela: p\u00e1ssaros, conversas, tilintar de bicicleta, o ritmo da chuva&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da cidade silenciosa \u00e0 nova cultura do volante<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Com a eletrifica\u00e7\u00e3o da frota, a paisagem sonora urbana muda. Menos escapamentos, menos buzinas nervosas, menos ru\u00eddo constante. A cidade ganha zonas calmas, respira melhor. Mas cuidado: pneus ainda fazem barulho, motoristas continuam acelerando como se estivessem num racha.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos mostram que o sil\u00eancio pode induzir a uma dire\u00e7\u00e3o mais calma, mas s\u00f3 se o motorista estiver disposto a desacelerar. Ainda h\u00e1 ru\u00eddos no interior dos carros, especialmente nos modelos de entrada \u2014 o sil\u00eancio, afinal, tamb\u00e9m precisa de bom isolamento ac\u00fastico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que um detalhe t\u00e9cnico, o som (ou a aus\u00eancia dele) virou quest\u00e3o de identidade automotiva. Se antes o barulho era s\u00edmbolo de poder, agora o sil\u00eancio pode ser sin\u00f4nimo de sofistica\u00e7\u00e3o, cuidado ambiental ou est\u00e9tica minimalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Como dizem por a\u00ed: em um mundo barulhento, quem silencia se destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A revolu\u00e7\u00e3o silenciosa j\u00e1 est\u00e1 em curso<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata apenas de trocar de combust\u00edvel: a cultura narrativa e ecol\u00f3gica do carro est\u00e1 sendo redesenhada. E se voc\u00ea sentiu falta do barulho ambiental que a bateria faz&#8230; aguarde! Em breve, publicaremos o artigo <strong>A Vil\u00e3 do S\u00e9culo: A Bateria<\/strong>?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O sil\u00eancio \u00e9 pol\u00edtico, urbano e social<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas afetam n\u00e3o s\u00f3 a experi\u00eancia de dirigir, mas tamb\u00e9m a maneira como vivemos juntos nas cidades. Silenciar o motor pode significar muito mais do que apenas desligar o ru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7a na tomada (mas n\u00e3o s\u00f3 nela)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ainda h\u00e1 gargalos consider\u00e1veis: infraestrutura limitada, desconfian\u00e7a no mercado de usados, preconceito com marcas chinesas e d\u00favidas persistentes sobre a autonomia \u2014 mesmo quando atestadas pelo Inmetro. Mas as solu\u00e7\u00f5es est\u00e3o surgindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos t\u00eam \u2014 e n\u00e3o querem voltar atr\u00e1s. Outros est\u00e3o entre a frustra\u00e7\u00e3o e a pulga atr\u00e1s da orelha. E quem est\u00e1 curioso j\u00e1 sabe: \u00e9 melhor mesmo se informar antes de comprar \u2014 inclusive sobre o que ningu\u00e9m te conta.<\/p>\n\n\n\n<p>*<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YWS5MUUAfLc&amp;t=313s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YWS5MUUAfLc&amp;t=313s<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>**<a href=\"https:\/\/www.abravei.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.abravei.org\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ilustra\u00e7\u00e3o: Athena&amp;PLW \u2013 colagens digitais \/ imagem: detalhe &#8211; homem conectando plug de recarga el\u00e9trica num eletroposte Freepik O causo:&hellip;<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":2051,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1882","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-ciencia-tecnologia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/carro-eletrico-hq-carregador-posto-recarga-brasil-CES.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1882"}],"version-history":[{"count":147,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1882\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2490,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1882\/revisions\/2490"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}