{"id":2333,"date":"2025-08-27T00:56:53","date_gmt":"2025-08-27T00:56:53","guid":{"rendered":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/?p=2333"},"modified":"2025-09-19T19:59:53","modified_gmt":"2025-09-19T19:59:53","slug":"parque-nacional-da-tijuca-1b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/parque-nacional-da-tijuca-1b\/","title":{"rendered":"Parque Nacional da Tijuca\u00a0 &#8211; Antes do Brasil &#8211; 1B"},"content":{"rendered":"<p><strong>Vista da Floresta da Tijuca a partir do Pico do Papagaio \u2014  tanto a floresta e o pico ficam no Parque Nacional da Tijuca<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>imagem: Renato.moura.b &#8211; Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported *<\/em><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">.<\/h6>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"705\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tucano-de-bico-preto-1-705x1024.jpg\" alt=\"Tucano de bico preto em galho, esp\u00e9cie presente no Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro.\" class=\"wp-image-2350\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tucano-de-bico-preto-1-705x1024.jpg 705w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tucano-de-bico-preto-1-207x300.jpg 207w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tucano-de-bico-preto-1-768x1115.jpg 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tucano-de-bico-preto-1-1058x1536.jpg 1058w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tucano-de-bico-preto-1-780x1132.jpg 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tucano-de-bico-preto-1.jpg 1102w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Tucano de bico preto, esp\u00e9cie de p\u00e1ssaro tamb\u00e9m encontrada no Parque Nacional da Tijuca<\/strong><br><em>imagem: \u00c1lvaro Fleury&nbsp;Creative Commons&nbsp;Atribui\u00e7\u00e3o-CompartilhaIgual 4.0 Internacional **<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tristes Tr\u00f3picos e Tratados: o Brasil sob olhares estrangeiros e senhoriais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Se na <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/parque-nacional-da-tijuca\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/parque-nacional-da-tijuca\/\">Parte 1A<\/a> percorremos os caminhos da Guanabara e os embates da funda\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, agora seguimos outro fio: o Brasil narrado pelos outros. Viajantes, pesquisadores, cronistas, senhores de engenho, mission\u00e1rios \u2014 cada um deixou um retrato, nem sempre fiel, quase sempre interessado. Para essa parte 1B do artigo escolhemos dois deles, sendo o primeiro, um antrop\u00f3logo franc\u00eas que deu aula no Brasil numa esp\u00e9cie de miss\u00e3o francesa fundadora da USP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cada um, cada um e suas percep\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>De um lado, o olhar estrangeiro que oscila entre fasc\u00ednio e desprezo: da Ba\u00eda de Guanabara de L\u00e9vi-Strauss \u00e0 can\u00e7\u00e3o que Caetano devolveu em ironia tropical.<br>De outro, o olhar senhorial do portugu\u00eas Gabriel Soares de Sousa, que transformou a terra em invent\u00e1rio de riquezas, descrito com zelo \u2014 e quase sem exageros \u2014 para arrancar concess\u00f5es r\u00e9gias, mas que acabou irrompendo em febre.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Com uma a\u00e7\u00e3o apenada, perdemos nossa outra l\u00edngua<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Entre um e outro, a l\u00edngua tupi que circulava como l\u00edngua geral at\u00e9 meados do s\u00e9culo XVIII \u2014 e os jesu\u00edtas, 9s fora&#8230; fora, ops!, 9, 10, 11&#8230; todos fora! E como a revis\u00e3o dos graus de um tratado de partilha do mundo, no papel, acabou refletindo na pr\u00e1tica sobre o redesenho do Brasil, na sanha tresloucada de ouro e pedras preciosas.<\/p>\n\n\n\n<p>E nesse cruzamento de olhares, se esvai o tupi como elo de liga\u00e7\u00e3o \u2014 sobrando postais e tratados, entre antropologia e poder \u2014 que vamos encontrar pistas para entender n\u00e3o s\u00f3 o Brasil do s\u00e9culo XVI, mas tamb\u00e9m o in\u00edcio dos caminhos que levariam \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o (e depois, UFA!, a regenera\u00e7\u00e3o) da floresta da Tijuca.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Abrindo o jogo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>A tentativa aqui \u00e9 sempre a mesma: seja qual assunto for, se isso ou aquilo ou mesmo os acol\u00e1s!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Procuramos fazer isso com humor e ironia<\/strong>, numa tentativa de revelar os lados inusitados que a hist\u00f3ria insiste em esconder. Seja por capricho, conveni\u00eancia ou simples descaso.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja essa hist\u00f3ria a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, a da sustentabilidade, a da arte, a da ci\u00eancia, ou ainda os fatos do dia a dia que pensamos controlar \u2014 e aqueles que simplesmente nos fogem das m\u00e3os, como o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda d\u00e1 tempo!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre Postais e Luzes: a Mordida Antropol\u00f3gica de L\u00e9vi-Strauss<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A segunda miss\u00e3o francesa fundante e o aprendiz de etnologia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O palco das batalhas da invas\u00e3o francesa era sempre o mesmo, a movimenta\u00e7\u00e3o pelas \u00e1guas tentando invadir pelas praias, na mesma paisagem que s\u00e9culos depois ganharia a mordida liter\u00e1ria de Claude L\u00e9vi-Strauss \u2014 e que Caetano Veloso reavivou em 1989 na can\u00e7\u00e3o O Estrangeiro:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O pintor Paul Gauguin amou a luz na Ba\u00eda de Guanabara<br>O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela<br>A Ba\u00eda de Guanabara<br>O antrop\u00f3logo Claude L\u00e9vi-Strauss detestou a Ba\u00eda de Guanabara<br>Pareceu-lhe uma boca banguela&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Palavras oclusivas dentais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em <em>Tristes Tr\u00f3picos<\/em> (1955), L\u00e9vi-Strauss j\u00e1 maduro revisita o Brasil dos seus vinte e poucos anos \u2014 e ao falar do Rio de Janeiro n\u00e3o economiza nas oclusivas dentais, dando uma sonora mordida deixando a paisagem carioca, literalmente, sem dentes:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Depois disso, sinto-me tanto mais embara\u00e7ado para falar do Rio de Janeiro, que me desagrada, a despeito da sua beleza tantas vezes celebrada. Como direi? Parece-me que a paisagem do Rio n\u00e3o est\u00e1 na escala das suas pr\u00f3prias dimens\u00f5es. 0 P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, O Corcovado, todos esses pontos t\u00e3o louvados parecem ao viajante que penetra na baia como tocos de dentes perdidos nos quatro cantos de uma boca banguela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"927\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Baia_de_Guanabara_vista_do_Cristoxxx-1-1024x927.jpg\" alt=\"Vista panor\u00e2mica da Ba\u00eda de Guanabara a partir do Cristo Redentor (situado dentro do Parque Nacional da Tijuca), com o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar em destaque e a cidade do Rio de Janeiro ao fundo.\" class=\"wp-image-2231\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Baia_de_Guanabara_vista_do_Cristoxxx-1-1024x927.jpg 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Baia_de_Guanabara_vista_do_Cristoxxx-1-300x272.jpg 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Baia_de_Guanabara_vista_do_Cristoxxx-1-768x696.jpg 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Baia_de_Guanabara_vista_do_Cristoxxx-1-1536x1391.jpg 1536w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Baia_de_Guanabara_vista_do_Cristoxxx-1-1600x1449.jpg 1600w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Baia_de_Guanabara_vista_do_Cristoxxx-1-780x706.jpg 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Baia_de_Guanabara_vista_do_Cristoxxx-1.jpg 1782w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Ba\u00eda de Guanabara vista do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, com destaque para o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar<\/strong><br>I<strong>magem: Yeuxpapilon &#8211; Creative Commons Atribui\u00e7\u00e3o- CompartilhaIgual 4.0 Internacional ***<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por\u00e9m, ai, por\u00e9m&#8230;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ao rever o \u00e2ngulo, literalmente da sua vis\u00e3o, L\u00e9vi-Strauss reconhece que visto de cima&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 UM ESPET\u00c1CULO!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quase constantemente submergidos na bruma pegajosa dos tr\u00f3picos, esses acidentes geogr\u00e1ficos n\u00e3o chegam a mobiliar um horizonte largo demais para se contentar com eles. Se se quiser abarcar um espet\u00e1culo, \u00e9 necess\u00e1rio tomar a ba\u00eda ao contr\u00e1rio e contempl\u00e1-la das alturas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se Paulinho da Viola fosse do tempo dele,  provavelmente teria sido citado por L\u00e9vi-Strauss, ou melhor, cantarolado quando viu a Ba\u00eda de Guanabara l\u00e1 de cima:<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o posso definir aquele azul<br>N\u00e3o era do c\u00e9u nem era do mar<br>Foi um rio que passou em minha vida<br>E meu cora\u00e7\u00e3o se deixou levar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Foi um rio que passou em minha vida<br>E meu cora\u00e7\u00e3o se deixou levar&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mergulhado na segunda miss\u00e3o francesa no Brasil<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>L\u00e9vi-Strauss n\u00e3o era apenas um estrangeiro de passagem: integrava a segunda miss\u00e3o francesa que, nos anos 30, ajudou a fundar a USP. Essa nova miss\u00e3o \u2014 diferente da primeira, transit\u00f3ria \u2014 trouxe nomes como Fernand Braudel e Roger Bastide, para instalar no Brasil a ci\u00eancia, cultura e m\u00e9todo utilizados nas institui\u00e7\u00f5es francesas de onde provinham. Sua voz, portanto, n\u00e3o ecoava apenas como a de um professor de sociologia, mas como a de um estrangeiro convidado junto a seus pares a pensar o Brasil em nome da pr\u00f3pria elite que os chamara, \u2014 sob a coordena\u00e7\u00e3o, de um lado, do franc\u00eas Georges Dumas e, de outro, do brasileiro J\u00falio de Mesquita Filho.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de L\u00e9vi-Strauss, por\u00e9m, sua passagem pela USP revelou menos engajamento docente e mais o impulso de um jovem que j\u00e1 tinha em mente outro plano: n\u00e3o se contentar em ser professor, mas se credenciar como etn\u00f3logo. Aos olhos de alguns colegas franceses, essa inclina\u00e7\u00e3o parecia revelar uma sensibilidade e percep\u00e7\u00e3o sem par. Vejamos, por exemplo, o relato de Jean Maug\u00fc\u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c9ramos jovens apesar de tudo. Era natural que eu aceitasse com alegria a<br>proposta que fez L\u00e9vi-Strauss para que eu o acompanhasse numa viagem<br>aos confins de Goi\u00e1s para ter contato com os \u00edndios. Ren\u00e9 Courtin devia se<br>juntar a n\u00f3s.<\/em>..<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; <em>L\u00e9vi-Strauss logo come\u00e7ou a trabalhar, sentado sobre o mesmo<br>solo que os ind\u00edgenas, procurando se fazer entender, lan\u00e7ando perguntas,<br>tomando notas. Eu me maravilhava vendo que ele podia decifrar gestos<br>dos quais Courtin e eu n\u00e3o pod\u00edamos pegar sen\u00e3o o pitoresco<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Colocando seus planos em pr\u00e1tica, aproveitava ao m\u00e1ximo as f\u00e9rias para ir al\u00e9m do que chamava de <em>etnologia de domingo<\/em> na cidade, buscando chegar o mais longe poss\u00edvel \u2014 e o mais perto dos ind\u00edgenas \u2014 no interior do Brasil.. O primeiro contato de campo, em 1935, com os \u00edndios do Tibagi, foi uma decep\u00e7\u00e3o \u2014 <em>n\u00e3o eram nem verdadeiros \u00edndios, nem selvagens, escreveu<\/em>. Mas ele insistiu, ainda como aprendiz de etn\u00f3logo, registrando diversos povos, entre eles os Kadiw\u00e9u, que uma d\u00e9cada depois, tamb\u00e9m seriam estudados por Darcy Ribeiro. Nas f\u00e9rias de 1936\/1937, L\u00e9vi-Strauss realizou sua primeira exposi\u00e7\u00e3o em Paris, com fotografias e objetos coletados, e publicou um artigo sobre os Bororo. Como ele mesmo lembraria depois:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Eu precisava fazer minhas provas de etnologia, porque n\u00e3o tinha forma\u00e7\u00e3o alguma. Gra\u00e7as \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o de 1936, consegui cr\u00e9ditos do Museu do Homem e da Pesquisa Cient\u00edfica, ou do que acabaria chamando-se assim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 isso: conseguiu tamb\u00e9m levantar financiamento para novas pesquisas, incluindo sua expedi\u00e7\u00e3o junto aos Nambikwara. Ao retornar \u00e0 Fran\u00e7a, esse acervo de campo \u2014 somado \u00e0s cole\u00e7\u00f5es exibidas em museus e aos artigos publicados \u2014 o credenciava de pleno direito como etn\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>O passo decisivo, no entanto, viria em Nova York, durante o ex\u00edlio da guerra. Ali, o encontro com Roman Jakobson lhe abriu o caminho para algo maior: a etnologia de campo, aprendida no Brasil entre Bororo, Nambikwara e Kadiw\u00e9u, se transfigurava em teoria. Nascia a antropologia estruturalista. Do barro vermelho e dos mitos ind\u00edgenas, L\u00e9vi-Strauss extraiu n\u00e3o s\u00f3 dados, mas a chave de um m\u00e9todo que revolucionaria as ci\u00eancias humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"871\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Levi-Strauss-e-Darcy-Ribeiro-1-871x1024.png\" alt=\"L\u00e9vi-Strauss em trabalho de campo no Brasil e Darcy Ribeiro com pintura facial Kadiw\u00e9u, povos ind\u00edgenas estudados por ambos.\" class=\"wp-image-2434\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Levi-Strauss-e-Darcy-Ribeiro-1-871x1024.png 871w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Levi-Strauss-e-Darcy-Ribeiro-1-255x300.png 255w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Levi-Strauss-e-Darcy-Ribeiro-1-768x903.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Levi-Strauss-e-Darcy-Ribeiro-1-1307x1536.png 1307w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Levi-Strauss-e-Darcy-Ribeiro-1-1600x1881.png 1600w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Levi-Strauss-e-Darcy-Ribeiro-1-780x917.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Levi-Strauss-e-Darcy-Ribeiro-1.png 1677w\" sizes=\"auto, (max-width: 871px) 100vw, 871px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Na foto maior, L\u00e9vi-Strauss em trabalho de campo no Brasil<\/strong> (<em>Saudades do Brasil<\/em>). <strong>Na foto menor, Darcy Ribeiro com pintura facial Kadiw\u00e9u<\/strong> \u2013 <em>Museu do \u00cdndio<\/em>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Povos que marcaram L\u00e9vi-Strauss<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Kadiw\u00e9u<\/strong> \u2013 \u00daltimo povo de l\u00edngua Guaikur\u00fa, no Mato Grosso do Sul. Seus rituais e tradi\u00e7\u00f5es de pintura corporal de linhas finas e delicadas chamaram a aten\u00e7\u00e3o de L\u00e9vi-Strauss e, d\u00e9cadas depois, tamb\u00e9m de Darcy Ribeiro, que aprofundou os estudos sobre eles.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bororo<\/strong> \u2013 Povo do Mato Grosso, conhecido pela complexa organiza\u00e7\u00e3o social e rituais funer\u00e1rios que impressionaram L\u00e9vi-Strauss. Foram tema de seus primeiros artigos etnogr\u00e1ficos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nambikwara<\/strong> \u2013 Habitantes do norte de Mato Grosso e Rond\u00f4nia, tiveram forte impacto no jovem etn\u00f3logo. Inspiraram sua tese de doutorado, <em>La vie familiale et sociale des Indiens Nambikwara<\/em> (1948), obra-chave para seu reconhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quanto Rios Passam em Nossas Vidas?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>De tratado em tratado, tentar ler o futuro pelo passado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Na minha vida passaram v\u00e1rios rios \u2014 um deles, o pr\u00f3prio Rio de Janeiro. Nesse pre\u00e2mbulo eu perambulo pela inf\u00e2ncia na Praia Vermelha. Meu primeiro trabalho de Hist\u00f3ria, ainda na 3\u00aa ou 4\u00aa s\u00e9rie do prim\u00e1rio, foi sobre o Tratado de Tordesilhas e pelo que lembro junto as Capitanias Heredit\u00e1rias. Agora, ele ecoa \u2014 com sotaque de mar e caneta Bic \u2014 no <em>Tratado Descritivo<\/em> que resolvi tratar de ler&#8230; procurando entender se algum tipo de l\u00f3gica de concess\u00f5es e privil\u00e9gios atuais n\u00e3o funciona de maneira semelhante \u00e0quelas das capitanias heredit\u00e1rias&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma diferen\u00e7a crucial, por\u00e9m, \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 mais um El-Rei: h\u00e1 nos poderes v\u00e1rios que se fazem de El-Reis que se autobeneficiam. Choveria no molhado \u2014 e ficaria encharcado \u2014 se eu continuasse nessa linha&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Soares de Souza \u2014 comerciante e senhor de engenho no Brasil de 1587 \u2014 escrevendo com olhos atentos ou por alarde, tentando arrancar uma concess\u00e3o do El-Rei da vez.<br>Ele descreve a costa brasileira, seus acidentes geogr\u00e1ficos do Rio Amazonas at\u00e9 o Rio da Prata \u2014 um quase <em>Oiapoque ao Chu\u00ed<\/em> avant la lettre \u2014 e apresenta ao soberano as riquezas da terra:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Como todas as coisas t\u00eam fim, conv\u00e9m que tenham prin\u00adc\u00edpio, e como o de minha pretens\u00e3o \u00e9 manifestar a gran\u00addeza, fertilidade e outras grandes partes que tem a Bahia de Todos os Santos e demais Estados do Brasil, <strong>do que os reis passados tanto se descuidaram<\/strong>, a El-Rei Nosso Senhor conv\u00e9m, e ao bem do seu servi\u00e7o, que lhe mostre, por estas lembran\u00e7as, os grandes mere\u00adcimentos deste seu Estado&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1701\" height=\"1869\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tratado-Descritivo-do-Brasil-e-Medicoes-Tratado-Tordesilhas-capitanias-hereditarias.jpg\" alt=\"Montagem com a capa da edi\u00e7\u00e3o de 1851 do Tratado Descritivo do Brasil de Gabriel Soares de Souza (1587) e mapa com diferentes medi\u00e7\u00f5es do meridiano de Tordesilhas segundo diferentes ge\u00f3grafos\" class=\"wp-image-2494\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tratado-Descritivo-do-Brasil-e-Medicoes-Tratado-Tordesilhas-capitanias-hereditarias.jpg 1701w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tratado-Descritivo-do-Brasil-e-Medicoes-Tratado-Tordesilhas-capitanias-hereditarias-273x300.jpg 273w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tratado-Descritivo-do-Brasil-e-Medicoes-Tratado-Tordesilhas-capitanias-hereditarias-932x1024.jpg 932w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tratado-Descritivo-do-Brasil-e-Medicoes-Tratado-Tordesilhas-capitanias-hereditarias-768x844.jpg 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tratado-Descritivo-do-Brasil-e-Medicoes-Tratado-Tordesilhas-capitanias-hereditarias-1398x1536.jpg 1398w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tratado-Descritivo-do-Brasil-e-Medicoes-Tratado-Tordesilhas-capitanias-hereditarias-1600x1758.jpg 1600w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tratado-Descritivo-do-Brasil-e-Medicoes-Tratado-Tordesilhas-capitanias-hereditarias-780x857.jpg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 1701px) 100vw, 1701px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>capa da edi\u00e7\u00e3o de 1851 do Tratado Descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Souza (imagem maior), mapa do meridiano de Tordesilhas (1494) que dividia as terras do Novo Mundo entre Portugal e Espanha com diferentes medi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, segundo diversos ge\u00f3grafos ao longo do tempo (imagem menor acima) e Capitanias Heredit\u00e1rias de Lu\u00eds Teixeira de (1574) (imagem menor abaixo)<\/strong><br><em>Montagem de Paulo Lai Werneck com base em imagens de dom\u00ednio p\u00fablico \u2013 Wikimedia Commons<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>No del\u00edrio do ouro e pedras preciosas: o tratado como alavanca!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do invent\u00e1rio de riquezas, fauna, flora e gente da terra, ele fala bastante dos Tupinamb\u00e1, do esp\u00edrito guerreiro ao ritual antropof\u00e1gico, mas versa sobre outras etnias ind\u00edgenas. Gabriel Soares narra epis\u00f3dios que n\u00e3o cabem aqui, mas deixo o link para a edi\u00e7\u00e3o da USP \u2013 <a href=\"https:\/\/digital.bbm.usp.br\/handle\/bbm\/4795\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/digital.bbm.usp.br\/handle\/bbm\/4795\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biblioteca Brasiliana<\/a> e outra vers\u00e3o modernizada de 2014 da <a href=\"https:\/\/fundar.org.br\/publicacoes\/biblioteca-basica-brasileira\/tratado-descritivo-do-brasil-em-1587\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/fundar.org.br\/publicacoes\/biblioteca-basica-brasileira\/tratado-descritivo-do-brasil-em-1587\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro<\/a>.<br>Vale lembrar que, ao escrever, ele se dirigia a um rei espanhol \u2014 tempos de Uni\u00e3o Ib\u00e9rica ap\u00f3s a morte de Dom Sebasti\u00e3o. Os reis descuidados a quem ele alfineta eram os anteriores reis portugueses que deixaram o Brasil a descoberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de entrarmos no ouro e pedras preciosas, Gabriel Soares trata do barro \u2014 a nossa conhecida <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/bioconstrucao-no-campo\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/bioconstrucao-no-campo\/\">taipa de pil\u00e3o<\/a>, se referindo a Mem de S\u00e1 quando este transferiu a <em>cidade <\/em>do Rio de Janeiro, que seu sobrinho Est\u00e1cio de S\u00e1 havia fundado nos p\u00e9s do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, para o Morro do Castelo. Afinal, como era o costume portugu\u00eas, edificar no alto significava garantir seguran\u00e7a e dom\u00ednio sobre a paisagem:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8230;e assentou a cidade, que murou com muros de taipas com suas<br>torres, em que p\u00f4s artilharia necess\u00e1ria, onde edificou algumas<br>igrejas, com sua casa de Miseric\u00f3rdia e hospital, e um mosteiro<br>de padres da companhia, que agora \u00e9 col\u00e9gio, em que os padres<br>ensinam latim&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Soares sucumbe a febre do ouro e pedras preciosas, abandona tudo para se aventurar no sert\u00e3o, ent\u00e3o ele quer a concess\u00e3o das terras onde seu irm\u00e3o, j\u00e1 falecido havia achado alguma coisa. E para isso elabora essa esp\u00e9cie de relat\u00f3rio da sua viv\u00eancia e de relatos sobre o Brasil para seduzir o El Rei \u2014 e consegue. Seria natural haver e h\u00e1 imprecis\u00f5es, por exemplo: <em>\u00c9 sem verdade que Soares afirma que n\u00e3o havia noutro tempo formigas em S\u00e3o Paulo. J\u00e1 Anchieta d\u00e1 delas conta. E S\u00e3o Paulo \u00e9, desgra\u00e7adamente, terra proverbial, quanto \u00e0s tanajuras, \u00e0s sa\u00favas e \u00e0s tocas de cupins.<\/em> Por\u00e9m, os acertos s\u00e3o de grande monta. Em 15 de setembro de 1851, no Rio de Janeiro, Francisco Adolfo de Varnhagen, nas notas de uma edi\u00e7\u00e3o que ele compilou, deu seu aval e atestou autenticidade \u2014 foi diante de tantas c\u00f3pias com altera\u00e7\u00f5es e sem autor nomeado \u2014 que devolveu a Gabriel Soares a autoria do texto, fruto de uma exaustiva pesquisa e de uma poss\u00edvel biografia desse autor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O grande rio que passou na vida de Gabriel Soares: O S\u00e3o Francisco!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Nos cap\u00edtulos finais, Gabriel Soares se esfor\u00e7a em n\u00e3o dar bandeira sobre a quantidade de ouro e pedras preciosas que imaginava existir na regi\u00e3o para a qual pedia concess\u00f5es r\u00e9gias, visando a busca de riquezas no Rio S\u00e3o Francisco. Ao mesmo tempo que apontou tantas riquezas no Brasil, mostrou a necessidade de maior seguran\u00e7a nos portos, assim como nos povoados que as produziam \u2014 sobretudo as planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar, al\u00e9m da extra\u00e7\u00e3o de pau-brasil. Com certeza, esse texto foi fundamental para o resultado: conseguiu a concess\u00e3o r\u00e9gia, recursos e ainda um t\u00edtulo de arregalar os olhos \u2014 Capit\u00e3o-mor e Governador da Conquista e Descobrimento do Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"975\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mandacaru_Rio_Sao_Francisco_e_UHE_Xingo.jpg\" alt=\"Mandacaru \u00e0s margens do Rio S\u00e3o Francisco, com a Usina Hidrel\u00e9trica de Xing\u00f3 ao fundo\" class=\"wp-image-2441\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mandacaru_Rio_Sao_Francisco_e_UHE_Xingo.jpg 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mandacaru_Rio_Sao_Francisco_e_UHE_Xingo-240x300.jpg 240w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mandacaru_Rio_Sao_Francisco_e_UHE_Xingo-768x960.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>O rio S\u00e3o Francisco, na \u00e9poca colonial j\u00e1 era visto como um rio caudaloso e forte, abriga hoje em dia diversas usinas hidroel\u00e9tricas, na foto com um mandacaru, cact\u00e1cea t\u00edpica da regi\u00e3o e ao fundo a Usina Hidrel\u00e9trica de Xing\u00f3<\/strong><br><em>imagem: Vanessa Pereira &#8211; Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International ****<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rio S\u00e3o Francisco foi <em>descoberto <\/em>e renomeado por Am\u00e9rico Vesp\u00facio em 1501, pois os ind\u00edgenas. da regi\u00e3o o chamavam de Opar\u00e1, que significa rio-mar na l\u00edngua tupi-guarani. Num outro tratado, anterior ao de Gabriel Soares, o<em> Tratado da terra do Brasil<\/em> &#8211;<em> Hist\u00f3ria da Prov\u00edncia Santa Cruz<\/em>, a que vulgarmente chamamos Brasil. Pero de Magalh\u00e3es Gandavo, publicado em 1576 j\u00e1 se dava conta de sua for\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p><em>H\u00e1 dous rios caudais at\u00e9 a Bahia de Todos os Santos; um se<br>chama S\u00e3o Francisco, est\u00e1 em dez graus e meio, o qual entra no mar com<br>tanta f\u00faria que vinte l\u00e9guas pelo mesmo mar correm suas \u00e1guas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Logo que chegou de Portugal, a aventura no Brasil come\u00e7ou com um naufr\u00e1gio. A urca flamenga <em>Abra\u00e3o<\/em>, que trazia Gabriel Soares de Sousa e sua expedi\u00e7\u00e3o, foi engolida pela barra do rio Vaza-Barris, em Sergipe. Grande parte dos equipamentos se perdeu no desastre. Mas Gabriel, obstinado, ainda reorganizaria a empreitada em Salvador antes de seguir para o sert\u00e3o \u2014 rumo \u00e0s cabeceiras que nunca alcan\u00e7aria. Entrou pelo rio Paragua\u00e7u sert\u00e3o adentro, por\u00e9m todo esse esfor\u00e7o se mostrou in\u00fatil, era apenas uma quimera da tal febre&#8230; das riquezas. Nessa ousada expedi\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o as cabeceiras do Rio S\u00e3o Francisco onde acreditava estar a m\u00edtica Lagoa Dourada, Frei Vicente do Salvador registrou na sua <em>Hist\u00f3ria do Brasil <\/em>de 1627:<\/p>\n\n\n\n<p><em>mais outras cinq\u00fcentas l\u00e9guas, onde nasce o rio de Paragua\u00e7u,&#8217;<br>a fazer outra fortaleza, na qual, por as \u00e1guas serem ruins e os mantimentos<br>piores, que eram cobras e lagartos, adoeceram muitos, e entre eles o mesmo<br>Gabriel Soares, que morreu em poucos dias no mesmo lugar, pouco mais<br>ou menos, onde seu irm\u00e3o havia falecido<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E onde entra a Tijuca nessa hist\u00f3ria de invas\u00f5es? Entra bem! \u2014 ironicamente, como recomendaria o pr\u00f3prio Gabriel Soares \u2014 no Tratado Descritivo do Brasil, em 1587 na Primeira parte, o Roteiro Geral da Costa Bras\u00edlica:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Neste Rio de Janeiro se podem fazer muitos engenhos por ter terras e \u00e1guas para isso, no qual se d\u00e3o as vacas muito bem, e todo o gado de Espanha; onde se d\u00e1 trigo, cevada, vinho, marmelos, rom\u00e3s, figo e todas as frutas de espinho; e muito farto de pescado e marisco, e de todos os mantimentos que se d\u00e3o na costa do Brasil; onde h\u00e1 muito pau do Brasil, e muito bom.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"462\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/pau-brasil-flor-e-arvore-1-1024x462.png\" alt=\"Flor amarela de Pau-Brasil com centro vermelho e exemplar da \u00e1rvore no Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro, esp\u00e9cie s\u00edmbolo nacional.\" class=\"wp-image-2417\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/pau-brasil-flor-e-arvore-1-1024x462.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/pau-brasil-flor-e-arvore-1-300x135.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/pau-brasil-flor-e-arvore-1-768x346.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/pau-brasil-flor-e-arvore-1-780x352.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/pau-brasil-flor-e-arvore-1.png 1065w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Flor de Pau Brasil (Caesalpinia echinata<\/strong>)<strong> que mostra o vermelho intenso da tintura e na foto ao lado, um exemplar de pau Brasil do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro tamb\u00e9m exibe partes avermelhadas em seu tronco<\/strong><br><em>imagem flor: Monocromatico &#8211; Creative Commons&nbsp;Atribui\u00e7\u00e3o-CompartilhaIgual 3.0 N\u00e3o Adaptada***** e imagem \u00e1rvore: Mauroguanandi &#8211; &nbsp;public domain<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o ter rios caudalosos, mas ter v\u00e1rios cursos de \u00e1gua menores com certa abund\u00e2ncia, a regi\u00e3o que hoje abriga o bairro e a Floresta da Tijuca foi invadida pela cana-de-a\u00e7\u00facar e, depois, pelas fazendas de caf\u00e9. E, como sabemos, nem \u00e9 preciso dizer que a escravatura permeia essa hist\u00f3ria \u2014 desde a tentativa de submeter ind\u00edgenas at\u00e9 a chegada, nos portos do Rio, dos navios negreiros carregados de africanos escravizados.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tupi or Not Tupi, That Is the Question<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>L\u00edngua Geral<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Oswald de Andrade, num ato de antropofagia cultural, devorou a c\u00e9lebre frase de Shakespeare (essa frase.. aiai, \u00e9 quase um pau ingl\u00eas pra toda obra) \u2014 <em>To be or not to be, that is the question<\/em> (ser ou n\u00e3o ser, eis a quest\u00e3o) \u2014 quase uma quest\u00e3o ontol\u00f3gica e com perfeita sincronia de som e assincronia de imagem, encaixou-a no <em>Manifesto Antrop\u00f3fago<\/em>, trasmutando para uma quest\u00e3o de identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o a l\u00edngua geral, de base tupi. Essa l\u00edngua era tamb\u00e9m o principal instrumento dos jesu\u00edtas para catequizar ind\u00edgenas nas aldeias, miss\u00f5es e escolas. Assim, os portugueses que se transferiam para a Am\u00e9rica precisavam, no m\u00ednimo, tornar-se bil\u00edngues para se comunicar com a popula\u00e7\u00e3o local, nos diz o site do Museu da L\u00edngua brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Falava-se a <em>l\u00edngua geral<\/em>, de base tupi. Era o principal instrumento dos jesu\u00edtas para catequizar ind\u00edgenas nas aldeias, miss\u00f5es e escolas. Para os portugueses que se transferiam para a Am\u00e9rica, se tornou praticamente obrigat\u00f3rio o bilinguismo para lidar com a popula\u00e7\u00e3o local \u2014 como explica o <a href=\"https:\/\/www.museudalinguaportuguesa.org.br\/os-povos-indigenas-e-o-portugues-do-brasil\/#:~:text=At%C3%A9%20a%20metade%20do%20s%C3%A9culo,nas%20aldeias%2C%20miss%C3%B5es%20e%20escolas.\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.museudalinguaportuguesa.org.br\/os-povos-indigenas-e-o-portugues-do-brasil\/#:~:text=At%C3%A9%20a%20metade%20do%20s%C3%A9culo,nas%20aldeias%2C%20miss%C3%B5es%20e%20escolas.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Museu da L\u00edngua Portuguesa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"363\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/abaporu-2-cke-1024x363.png\" alt=\"Montagem com as obras Abaporu (1928) e Antropofagia (1929), de Tarsila do Amaral, e ao centro a primeira publica\u00e7\u00e3o do Manifesto Antropof\u00e1gico (1928) de Oswald de Andrade ilustrado por Tarsila, relacionando arte modernista e antropofagia cultural.\" class=\"wp-image-2216\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/abaporu-2-cke-1024x363.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/abaporu-2-cke-300x106.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/abaporu-2-cke-768x272.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/abaporu-2-cke-1536x544.png 1536w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/abaporu-2-cke-2048x726.png 2048w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/abaporu-2-cke-1600x567.png 1600w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/abaporu-2-cke-780x276.png 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>\u00c0 esquerda, Abaporu (1928); ao centro, a primeira publica\u00e7\u00e3o do Manifesto Antropof\u00e1gico de Oswald de Andrade, ilustrada por Tarsila do Amaral; \u00e0 direita, Antropofagia (1929)<\/strong><br><em>Montagem digital: Paulo Lai W<\/em>erneck<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>,<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A teoria do Cunhadismo de Darcy Ribeiro<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No seu livro O Povo Brasileiro, pode nos ajudar a entender n\u00e3o s\u00f3 a r\u00e1pida miscigena\u00e7\u00e3o, quanto a quest\u00e3o da l\u00edngua:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A institui\u00e7\u00e3o social que possibilitou a forma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro foi o cunhadismo, velho uso ind\u00edgena de incorporar estranhos \u00e0 sua comunidade. Consistia em lhes dar uma mo\u00e7a \u00edndia como esposa. Assim que ele a assumisse, estabelecia, automaticamente, mil la\u00e7os que o aparentavam com todos os membros do grupo. Isso se alcan\u00e7ava gra\u00e7as ao sistema de parentesco classificat\u00f3rio dos \u00edndios, que relaciona, uns com os outros, todos os membros de um povo. Assim \u00e9 que, aceitando a mo\u00e7a, o estranho passava a ter nela sua temeric\u00f3 e, em todos os seus parentes da gera\u00e7\u00e3o dos pais, outros tantos pais ou sogros. O mesmo ocorria em sua pr\u00f3pria gera\u00e7\u00e3o, em que todos passavam a ser seus irm\u00e3os ou cunhados. Na gera\u00e7\u00e3o inferior eram todos seus filhos ou genros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, nessa situa\u00e7\u00e3o, a m\u00e3e transmitia aos filhos a sua l\u00edngua \u2014 e, pelo que consta, n\u00e3o havia interfer\u00eancia: o tupi se mantinha intacto. Muitos portugueses, interessados em ampliar la\u00e7os e garantir m\u00e3o de obra, formaram v\u00e1rias uni\u00f5es, se aproveitando desse costume \u2014 o que tamb\u00e9m atraiu franceses e holandeses. Era, digamos, uma troca que unia estrat\u00e9gia social e interesses econ\u00f4micos, num tempo em que raramente se trazia esposa da metr\u00f3pole\u2026 e que, com certo humor de \u00e9poca, poder\u00edamos chamar de um <em>espertismo<\/em> \u00e0 moda da terra.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Marqu\u00eas de Pombal canetou, ops!, apenou: adeus l\u00edngua tupi-guarani e aos jesu\u00edtas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Tudo come\u00e7ou a mudar em 1757, quando o Marqu\u00eas de Pombal proibiu a l\u00edngua geral. A intensa imigra\u00e7\u00e3o portuguesa nesse per\u00edodo, somada \u00e0 expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas dois anos depois, que tiveram que sair do Brasil praticamente com uma m\u00e3o na frente e outra atr\u00e1s, acelerou a substitui\u00e7\u00e3o do tupi pelo portugu\u00eas. Mesmo assim, resistiram os nomes de animais, plantas, lugares, acidentes geogr\u00e1ficos e at\u00e9 pessoas \u2014 que ainda hoje soam em tupi.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Preservar as L\u00ednguas Ind\u00edgenas \u00c9 Importante <em>\u2014<\/em> e Quem Fala Atrav\u00e9s Delas Mais Ainda<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Estamos cercados de voc\u00e1bulos tupis-guaranis<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Tijuca continuou Tijuca: <em>nome tupi que significa:&nbsp;t(\u00fd)&nbsp;\u2013 \u00e1gua \u2013&nbsp;iuka (iuk)&nbsp;\u2013 podre (podrid\u00e3o), \u00e1gua podre (malcheirosa)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de receber \u00e1gua de alguns rios do Parque Nacional da Tijuca, a Lagoa da Tijuca que deu nome a regi\u00e3o, por causa de seus mangues n\u00e3o faz parte do Parque.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Portugu\u00eas\u2013Tupi:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>como? de que maneira? \u2014 <em>mar\u00e3 jab\u00e9?<\/em><br>como de costume \u2014 <em>\u00eeandu!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(Para os mais curiosos: <em>Vocabul\u00e1rio em dois volumes \u2014 L\u00edngua Bras\u00edlica<\/em>, por Carlos Drummond, 1952, dispon\u00edvel na <a href=\"http:\/\/www.etnolinguistica.org\/\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/www.etnolinguistica.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biblioteca Digital Curt Nimuendaj\u00fa<\/a>.)<\/p>\n\n\n\n<p>E como de costume&#8230; algo se perdeu! N\u00e3o uma poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o com o portugu\u00eas que falamos, mas h\u00e1 um mito em que havia uma comunica\u00e7\u00e3o fluente de todos para todos quando se fala em uma l\u00edngua geral e do tupi-guarani, n\u00e3o podemos esquecer o outro tronco lingu\u00edstico ind\u00edgena, como o Marco-J\u00ea e as fam\u00edlias, Aruak, Karib, Guaikur\u00fa, e Pano, entre tantas outras que existiam e ainda existem.<\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil-1024x1024.png\" alt=\"Mapa mostrando a distribui\u00e7\u00e3o das principais fam\u00edlias lingu\u00edsticas ind\u00edgenas no Brasil, como Tupi-Guarani, J\u00ea, Karib, Aruak, Pano, Yanomami, entre outras.\" class=\"wp-image-2452\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil-1024x1024.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil-300x300.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil-150x150.png 150w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil-768x768.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil-1536x1536.png 1536w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil-1600x1600.png 1600w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil-780x780.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/mapa_familias-de-linguas-indigenas-do-brasil.png 1811w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Mapa das fam\u00edlias lingu\u00edsticas ind\u00edgenas no Brasil, incluindo Tupi-Guarani, J\u00ea, Karib, Aruak, Pano, Yanomami entre tantas outras<\/strong><br><em>Fonte: Instituto Socioambiental (ISA), 2023<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quaresma or not Quaresma: eis a (in)digest\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No <em>Manifesto Antrop\u00f3fago<\/em> (1928), Oswald de Andrade j\u00e1 tinha feito do Tupi or not Tupi um gesto de identidade \u2014 devorar a cultura europeia e devolver em vers\u00e3o brasileira. Antes disso, por\u00e9m, Lima Barreto mostrou em <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma<\/em> (1915) como o ideal tupi podia ser mal compreendido e ridicularizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quaresma, em seu patriotismo ing\u00eanuo, acreditava no Brasil de ra\u00edzes ind\u00edgenas, sonhando com o tupi como idioma nacional. O sonho era fora de \u00e9poca \u2014 talvez invi\u00e1vel, mas n\u00e3o exatamente loucura completa. Afinal, fazia pouco mais de 150 anos (no tempo do livro) que o Marqu\u00eas de Pombal havia proibido a l\u00edngua geral, impondo o portugu\u00eas e expulsando os jesu\u00edtas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fugindo um pouco da fic\u00e7\u00e3o e da realidade interrompida por decreto, uma segunda l\u00edngua nacional poderia ter sido um elo vivo com os povos ind\u00edgenas. Mas a ideia de substituir o portugu\u00eas era demais: o ind\u00edgena fora idealizado pelo Romantismo, mas n\u00e3o para tanto \u2014 na pr\u00e1tica, o ind\u00edgena estava marginalizado. N\u00e3o deu outra: Quaresma virou motivo de chacota e isolamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua tentativa de viver da agricultura, guiada pelo lema <em><strong>plantando, tudo d\u00e1<\/strong><\/em>, terminou em decep\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>E a agricultura? Nada. As terras n\u00e3o eram ferazes e ela n\u00e3o era f\u00e1cil como diziam os livros. Outra decep\u00e7\u00e3o<\/em>, narra Lima Barreto.<\/p>\n\n\n\n<p>A ironia de Lima Barreto desmonta o mito da abund\u00e2ncia natural e aponta para uma pol\u00edtica desigual, racista e excludente. O Tupi de Quaresma n\u00e3o encontrou lugar nem no campo, nem na cidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aparte<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Mas se para Quaresma a terra parecia ingrata, hoje sabemos que o problema n\u00e3o est\u00e1 no solo em si, e sim no modelo. Monoculturas exaurem, adubos qu\u00edmicos e agrot\u00f3xicos fragilizam, e a diversidade se perde. A agricultura e outras pr\u00e1ticas tradicionais ind\u00edgenas prezam por misturar, recompor e reinventar \u2014 e ressurgem nas agroflorestas, nas bioconstru\u00e7\u00f5es, na regenera\u00e7\u00e3o. Onde antes havia frustra\u00e7\u00e3o, pode haver colheita \u2014 se plantarmos como floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Guanabara<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A ba\u00eda da ba\u00eda<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Palavra de origem tupi, <strong>Guanabara<\/strong> pode ter tr\u00eas significados: <em>Igua\u00e1-Mbara<\/em> (igua\u00e1 = enseada do rio; mbar\u00e1 = mar); ou ent\u00e3o <em>guana<\/em> (seio) + <em>bara<\/em> (mar), mar do seio ou seio de onde brota o rio-mar, em refer\u00eancia ao formato arredondado da ba\u00eda e \u00e0 fartura de pesca que proporcionava; ou ainda <em>k\u00fb\u00e1rana-par\u00e1<\/em> (mar que se assemelha a enseada, pela jun\u00e7\u00e3o de <em>k\u00fb\u00e1<\/em> = enseada; <em>rana<\/em> = semelhan\u00e7a; e <em>par\u00e1<\/em> = mar).<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja: todos esses sentidos ind\u00edgenas j\u00e1 apontam para aquilo que em portugu\u00eas chamamos simplesmente de <strong>ba\u00eda<\/strong>. Quando dizemos <em>Ba\u00eda de Guanabara<\/em>, n\u00e3o estamos dizendo, no fundo, <em>Ba\u00eda da Ba\u00eda<\/em>? Uma redund\u00e2ncia lingu\u00edstica que revela como, no processo de tradu\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o, os significados originais foram sendo apagados ou embaralhados \u2014 junto com tantas outras camadas da mem\u00f3ria ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Oswald de Andrade parecia partilhar dessa hist\u00f3ria de n\u00e3o redundar <em>ba\u00eda <\/em>com <em>Guanabara <\/em>na sua <em>Poesia Pau Brasil<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Agente<\/strong><br><em>Quartos para familias e cavalheiros<br>Predio de 3 andares<br>Construido para esse fim<br>Todos de frente<br>Mobiliados a estylo moderno<br>Modern Sstyle<br>Agua Telephone elevadores<br>Grande Terra\u00e7o systema yankee<br>Donde se descortina o bello panorama<br>De Guanabara<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel pensar que os portugueses, acostumados a chamar esse tipo de acidente geogr\u00e1fico de ba\u00eda, ao ouvirem os ind\u00edgenas se referirem ao lugar como <em>Guanabara<\/em>, simplesmente uniram as duas refer\u00eancias: o termo gen\u00e9rico europeu e o nome ind\u00edgena pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"579\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baia-de-guanabara-vista-de-santa-terza-1024x579.jpg\" alt=\"Fotografia hist\u00f3rica em preto e branco da Ba\u00eda de Guanabara com destaque para o Bairro do Flamengo e o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, no Rio de Janeiro.\" class=\"wp-image-2423\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baia-de-guanabara-vista-de-santa-terza-1024x579.jpg 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baia-de-guanabara-vista-de-santa-terza-300x170.jpg 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baia-de-guanabara-vista-de-santa-terza-768x434.jpg 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baia-de-guanabara-vista-de-santa-terza-1536x869.jpg 1536w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baia-de-guanabara-vista-de-santa-terza-780x441.jpg 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/baia-de-guanabara-vista-de-santa-terza.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Ba\u00eda de Guanabara e o Bairro do Flamengo vistos de Santa Teresa, com o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar ao fundo \u2014 fotografia hist\u00f3rica do Rio de Janeiro<\/strong><br><em>imagem: Biblioteca do Congresso dos EUA \/ Dom\u00ednio P\u00fablico<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Rio de Janeiro e a Guanabara em seus estados s\u00f3lidos, l\u00edquidos e gasosos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>E claro que os nomes Guanabara e Rio de Janeiro nunca se descolaram completamente um do outro \u2014 viveram um verdadeiro <em>troca-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1<\/em> de posi\u00e7\u00f5es depois de findo o per\u00edodo colonial, como se v\u00ea abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Rio como Capital do Imp\u00e9rio: o Munic\u00edpio Neutro (1834\u20131889)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro foi transformada em Munic\u00edpio Neutro, uma unidade administrativa especial criada pelo Ato Adicional \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1824. Isso significava que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>N\u00e3o pertencia a nenhuma prov\u00edncia \u2013 foi destacada da Prov\u00edncia do Rio de Janeiro.<\/li>\n\n\n\n<li>Servia exclusivamente como capital do Imp\u00e9rio, administrada diretamente pelo governo central.<\/li>\n\n\n\n<li>A Prov\u00edncia do Rio de Janeiro passou a ter como capital a cidade de Niter\u00f3i, vizinha do Rio.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>O Rio como Capital da Rep\u00fablica: o Distrito Federal (1889\u20131960)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica (1889), o Munic\u00edpio Neutro foi transformado em Distrito Federal. Assim:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A cidade do Rio de Janeiro continuou como capital nacional, agora sob o regime republicano.<\/li>\n\n\n\n<li>O territ\u00f3rio do antigo Munic\u00edpio Neutro virou oficialmente o Distrito Federal.<\/li>\n\n\n\n<li>O vizinho Estado do Rio de Janeiro manteve como capital a cidade de Niter\u00f3i.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Da Guanabara ao Estado do Rio: a mudan\u00e7a para Bras\u00edlia (1960\u20131975)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em <strong>1960<\/strong>, com a transfer\u00eancia da capital nacional para Bras\u00edlia:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Criou-se um novo Distrito Federal no Planalto Central.<\/li>\n\n\n\n<li>O antigo Distrito Federal (cidade do Rio) foi transformado no <strong>Estado da Guanabara<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>A Guanabara existiu como estado aut\u00f4nomo at\u00e9 1975, quando foi fundida ao Estado do Rio de Janeiro.<\/li>\n\n\n\n<li>A cidade do Rio de Janeiro passou ent\u00e3o a ser a capital do estado unificado, e Niter\u00f3i deixou de ser capital.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um mergulho na Ba\u00eda de Guanabara<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ufa! Depois dessa passagem r\u00e1pida pelos estados s\u00f3lido e gasoso da Guanabara e do Rio de Janeiro \u2014 e, obviamente, pensando no l\u00edquido \u2014 poder\u00edamos, num momento relax, mergulhar na Ba\u00eda de Guanabara.<br>Puts\u2026 acho que n\u00e3o d\u00e1, n\u00e9? Ainda est\u00e1 bem polu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas opa! Essa imagem ficou colada no imagin\u00e1rio de quem n\u00e3o \u00e9 \u2014 ou n\u00e3o vai ao Rio \u2014 desde as Olimp\u00edadas de 2016, quando os esportes n\u00e1uticos, disputados nas \u00e1guas da Ba\u00eda de Guanabara, como as regatas, se depararam com o lixo flutuante e a condi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas impr\u00f3prias para banho. A boa not\u00edcia \u00e9 que, em v\u00e1rios pontos, j\u00e1 d\u00e1, sim, para mergulhar sem medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Confira nessa mat\u00e9ria, <a href=\"https:\/\/thesummerhunter.com\/baia-de-guanabara-propria-pra-banho\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/thesummerhunter.com\/baia-de-guanabara-propria-pra-banho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ba\u00eda de Guanabara pr\u00f3pria pra banho?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>E outra boa not\u00edcia: h\u00e1 milhares de palavras ind\u00edgenas a serem desvendadas, no sentido mesmo de curiosidade e de nos acercarmos do que nos cerca \u2014 sejam nomes pr\u00f3prios ou nomes de lugares. Boa procura!<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre postais e tratados<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Vimos como o Brasil foi narrado mais pelos que olhavam de fora ou escreviam de cima do que pelos que viviam na terra. O olhar de L\u00e9vi-Strauss, constrangido em falar mal do Rio, ecoa s\u00e9culos depois da pena interessada de Gabriel Soares, ambos tentando traduzir \u2014 cada um \u00e0 sua maneira \u2014 o que viam e o que desejavam dessa paisagem sempre numa contradit\u00f3ria rela\u00e7\u00e3o com o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que se esvaiu nunca voltar\u00e1?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que o senso de brasilidade sempre esbarrou em paradoxos: apagamos o ind\u00edgena do cotidiano ao mesmo tempo em que beb\u00edamos de sua heran\u00e7a lingu\u00edstica e cultural. Hoje, essa presen\u00e7a resiste e se reinventa \u2014 espraia-se em filmes, m\u00fasicas, v\u00eddeos, livros, agora muitas vezes produzidos por eles mesmos \u2014 como se dissesse que, apesar de tudo, o que se tentou calar ainda encontra modos de falar.<br>S\u00f3 que fala\u2026 ainda em portugu\u00eas. Se for em tupi, ter\u00e1 de vir legendado&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"> <strong>Do papel \u00e0 floresta: a pr\u00f3xima cena<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que entramos, na Parte 2, na hist\u00f3ria da pr\u00f3pria floresta. Depois de s\u00e9culos de explora\u00e7\u00e3o intensa, a Tijuca seria devastada \u2014 para ent\u00e3o, no s\u00e9culo XIX, renascer pela m\u00e3o humana em uma das primeiras experi\u00eancias de reflorestamento em larga escala do mundo. O palco muda, mas a pergunta persiste: o que fazemos com aquilo que nos cerca?<\/p>\n\n\n\n<p>Links para as permiss\u00f5es de uso de imagens:<\/p>\n\n\n\n<p>* <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Panor%C3%A2mica_da_Floresta_da_Tijuca_a_partir_do_Pico_do_Papagaio.jpg\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Panor%C3%A2mica_da_Floresta_da_Tijuca_a_partir_do_Pico_do_Papagaio.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vista da Floresta da Tijuca<\/a>: com cortes laterais para adequa\u00e7\u00e3o ao blog<\/p>\n\n\n\n<p>** <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Tucano_parque_da_chacrinha.jpg\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Tucano_parque_da_chacrinha.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tucano de Bico Preto<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>*** <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Ba%C3%ADa_de_Guanabara_vista_do_Cristo.jpg\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Ba%C3%ADa_de_Guanabara_vista_do_Cristo.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ba\u00eda de Guanabara vista do Cristo Redentor<\/a>: corte para adequa\u00e7\u00e3o ao blog<\/p>\n\n\n\n<p>**** <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Mandacaru,_Rio_S%C3%A3o_Francisco_e_UHE_Xing%C3%B3.jpg\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Mandacaru,_Rio_S%C3%A3o_Francisco_e_UHE_Xing%C3%B3.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rio S\u00e3o Francisco Usina Hidroel\u00e9trica de Xing\u00f3<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>***** <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Caesalpinia_echinata-flor.jpg\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Caesalpinia_echinata-flor.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Flor do Pau Brasil<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vista da Floresta da Tijuca a partir do Pico do Papagaio \u2014 tanto a floresta e o pico ficam no&hellip;<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":2355,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-2333","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destinos-sustentaveis"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Panoramica_da_Floresta_da_Tijuca_a_partir_do_Pico_do_Papagaioxxx-1-scaled.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2333"}],"version-history":[{"count":119,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2333\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2730,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2333\/revisions\/2730"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}