{"id":2795,"date":"2025-11-04T01:34:13","date_gmt":"2025-11-04T01:34:13","guid":{"rendered":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/?p=2795"},"modified":"2025-11-11T19:47:45","modified_gmt":"2025-11-11T22:47:45","slug":"pre-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/pre-cop30\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9-COP30: O Chamado da PerguntA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A COP30 ser\u00e1 realizada no Brasil em Bel\u00e9m do Par\u00e1, dia 10 de novembro de 2025 e neste artigo vamos tentar n\u00e3o reproduzir o que j\u00e1 \u00e9 noticiado sobre esse importante evento que levanta muita pol\u00eamica, pois o tema incomoda muitos interesses, e as controv\u00e9rsias s\u00e3o de diversos n\u00edveis que acontecem junto a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e por esses motivos trazer um olhar diferente. Um pr\u00e9-conte\u00fado diante de uma pr\u00e9-perguntA\u00c7\u00c3O<\/strong><br><em>imagem: Athena &amp; PLW [colagens digitais]<\/em><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">.<\/h6>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/soma-vira-multiplicacao-1-683x1024.png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o digital de uma \u00e1rvore com ra\u00edzes que se estendem como ondas sobre a \u00e1gua, simbolizando a soma que vira multiplica\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo entre escuta e a\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-2871\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/soma-vira-multiplicacao-1-683x1024.png 683w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/soma-vira-multiplicacao-1-200x300.png 200w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/soma-vira-multiplicacao-1-768x1152.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/soma-vira-multiplicacao-1-780x1170.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/soma-vira-multiplicacao-1.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>N\u00f3s aqui do CES acreditamos nos processos democr\u00e1ticos, com esperan\u00e7a, por\u00e9m sem ingenuidade. Sabemos que ainda h\u00e1 muito por fazer e para isso devemos agir. Isso fazemos de duas maneiras com uma dupla pegada: a escuta e a perguntA\u00c7\u00c3O. E o nosso velho mote de que a soma vira multiplica\u00e7\u00e3o!<\/strong><br><em>imagem: Athena &amp; PLW [colagens digitais]<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O retorno da palavra viva<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No artigo anterior, deixamos o eco de um convite: aguardem a pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>!<br>Agora, ela retorna aqui nesse da Pr\u00e9-COP30 \u2014 n\u00e3o como slogan, mas como ritual de escuta.<br>Porque perguntar, no fundo, \u00e9 abrir espa\u00e7o para o outro existir pacientemente na escuta do mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>E esse <em>outro<\/em> \u00e9 abrangente: desde os povos origin\u00e1rios e quilombolas afrodescendentes, o povo colonizador e, posteriormente, as diversas ondas de imigra\u00e7\u00e3o que nos formaram.<br>E n\u00f3s, ao grupo que me incluo \u2014 o Brasil miscigenado, esse espelho de contrastes e continuidades.<br>Perguntar \u00e9 agir \u2014 ou melhor, pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>!<br>E talvez o maior ato pol\u00edtico do nosso tempo seja perguntar sem j\u00e1 saber a resposta \u2014 e sem temer as respostas poss\u00edveis. A\u00ed vem o saber ouvir&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perguntar de onde chove<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O que realmente queremos saber da COP30?<br>Se ela ainda \u00e9 pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> \u2014 ou se apenas repete o que o mercado quer ouvir?<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que a chuva que falta \u00e9 s\u00f3 meteorol\u00f3gica?<br>Ou ser\u00e1 que falta a chuva de perguntas, aquela que encharca mais de d\u00favidas do que de certezas e faz brotar a nascente do pensament<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>?<\/p>\n\n\n\n<p>Em Tuvalu, na Polin\u00e9sia, formado por nove ilhas e at\u00f3is, a \u00e1gua pot\u00e1vel j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 met\u00e1fora \u2014 \u00e9 limite.<br>O avan\u00e7o do mar n\u00e3o \u00e9 apenas a proje\u00e7\u00e3o para 2050 ou 2100 \u2014 \u00e9 a mar\u00e9 alta que invade agora, como nas costas do mundo inteiro.<br>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o n\u00edvel do mar que conta, mas a for\u00e7a das \u00e1guas, seu impacto e a eros\u00e3o do bater cont\u00ednuo \u00e0 nossa porta!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 s\u00f3 procurar para achar: muitas cidades do litoral brasileiro \u2014 e de Portugal, da Indon\u00e9sia, e de tantos outros lugares \u2014 j\u00e1 vivem essa fronteira m\u00f3vel entre o mar e o ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa, sim \u2014 bate \u00e0 porta de todos n\u00f3s, seja no excesso ou na falta.<br>De onde a retiramos, como a utilizamos, e como a devolvemos \u00e0 natureza!<\/p>\n\n\n\n<p>Quando foi que o mundo parou de se perguntar pelo sentido da \u00e1gua?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre o dito e o vivido<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 dessa fenda que nasce o que chamamos de Pr\u00e9-COP30:<br>um territ\u00f3rio de passagem entre o dito das salas de confer\u00eancia e o vivido das florestas e quilombos \u2014 entre o PowerPoint de projetos e a planta\u00e7\u00e3o de idei<strong>A\u00c7\u00d5ES<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> come\u00e7a aqui: no esfor\u00e7o de transformar o discurso em di\u00e1logo, a urg\u00eancia em presen\u00e7a, e a palavra em gesto de cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>, pensament<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>, ide<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> \u2014 e, por fim, efetiv<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Abrindo o jogo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>A tentativa aqui \u00e9 sempre a mesma: seja qual assunto for, se isso ou aquilo ou mesmo os acol\u00e1s!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Procuramos fazer isso com humor e ironia<\/strong>, numa tentativa de revelar os lados inusitados que a hist\u00f3ria insiste em esconder. Seja por capricho, conveni\u00eancia ou simples descaso.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja essa hist\u00f3ria a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, a da sustentabilidade, a da arte, a da ci\u00eancia, ou ainda os fatos do dia a dia que pensamos controlar \u2014 e aqueles que simplesmente nos fogem das m\u00e3os, como o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou ainda, hist\u00f3rias simples ou simples hist\u00f3rias que estabelecem conex\u00f5es com o que se fala por aqui no CES.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda d\u00e1 tempo!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Brasil e Um dos Seus Assuntos Mais Importantes<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A \u00e1gua como pergunta central<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A crise h\u00eddrica \u00e9 mais que um problema: \u00e9 um espelho.<br>A \u00e1gua \u00e9 o retrato do pa\u00eds \u2014 ora falta, ora sobra, mas raramente \u00e9 ouvida. \u00c9 ensinada nas escolas o seu ciclo, por\u00e9m na pr\u00e1tica \u00e9 ignorado o fundamento principal, os aspectos vivos que mantem esse ciclo funcionando.<br>A \u00e1gua por sua vez, se infiltra nas rachaduras das cidades, desce invis\u00edvel pelos canos, evapora em promessas pol\u00edticas. Fala em todos os sotaques, mas quase ningu\u00e9m entende sua l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto discutimos quem tem raz\u00e3o, a \u00e1gua segue seu curso \u2014 e nos ensina que tudo que se divide, um dia se mistura.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/as-aguas-nascentes-1024x683.png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o digital de uma mulher ajoelhada tocando uma nascente que brota em solo seco, de onde surgem plantas, peixes e borboletas, simbolizando o ciclo da \u00e1gua e da vida\" class=\"wp-image-2838\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/as-aguas-nascentes-1024x683.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/as-aguas-nascentes-300x200.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/as-aguas-nascentes-768x512.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/as-aguas-nascentes-780x520.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/as-aguas-nascentes.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>\u00c9 importante proteger as nascentes, \u00e9 b\u00e1sico, mas \u00e9 preciso proteger o ciclo todo. E esse ciclo precisa do solo, das \u00e1rvores, dos animais e insetos, dos mares, dos rios&#8230;<\/strong><br><em>imagem: Athena &amp; PLW [colagens digitais]<\/em><br>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da chuva \u00e0 energia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Nossa matriz energ\u00e9tica tem base nas hidrel\u00e9tricas, depende do que n\u00e3o controlamos: o ciclo da \u00e1gua. N\u00e3o h\u00e1 realmente um controle direto e reto, mas h\u00e1 sim maneiras de colaborar com o ciclo, restaurar elementos que fazem parte do mesmo e at\u00e9 o simples deixar as \u00e1guas rolarem por onde devem estar que as vezes j\u00e1 tomamos o seu lugar e que se tornam lugar de trag\u00e9dia anunciada.<br>O pa\u00eds que se alimenta de barragens n\u00e3o pode esquecer que a primeira energia \u00e9 o ciclo da vida.<br>Cada represa \u00e9 tamb\u00e9m uma pausa no curso natural da \u00e1gua \u2014 um espelho tenso, onde \u00e0s vezes o reflexo da chuva demora a voltar.<br>E quando a \u00e1gua falta, tudo falta: luz, alimento, tempo. O tempo perdido do descaso.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, surge a grande pergunta:<br>e a energia das fontes alternativas \u2014 solar e e\u00f3lica \u2014 que se perde por falta de linhas de transmiss\u00e3o locais de serem interligadas ao sistema nacional? E as estruturas adequadas de armazenamento?<\/p>\n\n\n\n<p>A justificativa \u00e9 sempre a mesma: o investimento seria de grande monta.<br>Mas se h\u00e1 verba desvi\u00e1vel, <strong>desviemos ent\u00e3o o fundo destinado \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de parlamentares para esse fim \u2014 e ponto!<\/strong><br>A pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> ecoa: porque isso n\u00e3o \u00e9 feito?<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando a chover no molhado\u2026<br>n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a \u00e1gua doce que fala \u2014 as mar\u00e9s tamb\u00e9m nos chamam.<br>Seja em que oceano for, as \u00e1guas sobem, descem, invadem, recuam.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o \u00e9 o planeta que afunda \u2014 \u00e9 o solo da nossa escuta que desaba<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Talvez o mito de Atl\u00e2ntida tenha um qu\u00ea de verdade: muitas cidades est\u00e3o, de fato, afundando tais como, Nova York, o solo cede cerca de 2 mil\u00edmetros por ano sob o peso dos pr\u00f3prios arranha-c\u00e9us e a Cidade do M\u00e9xico, onde alguns pontos afundam at\u00e9 40 cent\u00edmetros anuais, resultado da extra\u00e7\u00e3o do len\u00e7ol fre\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para ficarmos em mais um exemplo, Jacarta, capital da Indon\u00e9sia, j\u00e1 tem 40% de sua \u00e1rea abaixo do n\u00edvel do mar, segundo o <a href=\"https:\/\/igc.usp.br\/2024\/09\/20\/cidade-da-indonesia-afunda-lentamente-e-ja-esta-40-abaixo-do-nivel-do-mar-entenda\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/igc.usp.br\/2024\/09\/20\/cidade-da-indonesia-afunda-lentamente-e-ja-esta-40-abaixo-do-nivel-do-mar-entenda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto de Geoci\u00eancias da USP<\/a>.<br>Ali, o processo de subsid\u00eancia \u2014 o afundamento do solo \u2014 resulta de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores antr\u00f3picos, ou seja, origem na a\u00e7\u00e3o humana e tamb\u00e9m agravado pelos naturais, os geol\u00f3gicos: a extra\u00e7\u00e3o intensa do len\u00e7ol fre\u00e1tico, a urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada e, o rebaixamento natural do terreno pela compacta\u00e7\u00e3o dos sedimentos e pela atividade tect\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1982 e 2011, a cidade afundou, em m\u00e9dia, 7,5 cent\u00edmetros por ano, e as proje\u00e7\u00f5es indicam que, em cerca de 30 anos, boa parte da regi\u00e3o norte poder\u00e1 estar quase inteiramente debaixo d\u2019\u00e1gua.<br>E, falando em estar debaixo d\u2019\u00e1gua, Jacarta enfrenta graves inunda\u00e7\u00f5es todos os anos, agravadas pelos mesmos fatores que causam o afundamento \u2014 somados ao entupimento quase total da rede de esgotos e \u00e0 drenagem prec\u00e1ria da cidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"586\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/indonesia-nusantara-imagens-aereas-NASA-586x1024.png\" alt=\"Imagens de sat\u00e9lite sobrepostas em formato vertical mostram a transforma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de Nusantara, na ilha de Born\u00e9u, de uma floresta tropical em 2022 para uma \u00e1rea urbanizada em 2024\" class=\"wp-image-2848\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/indonesia-nusantara-imagens-aereas-NASA-586x1024.png 586w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/indonesia-nusantara-imagens-aereas-NASA-172x300.png 172w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/indonesia-nusantara-imagens-aereas-NASA-768x1341.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/indonesia-nusantara-imagens-aereas-NASA-780x1362.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/indonesia-nusantara-imagens-aereas-NASA.png 835w\" sizes=\"auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Antes e depois da constru\u00e7\u00e3o de Nusantara, nova capital da Indon\u00e9sia: no alto, a floresta de Born\u00e9u em 2022; abaixo, a urbaniza\u00e7\u00e3o acelerada em 2024<\/strong><br><em>imagens: NASA Earth Observatory \/ dom\u00ednio p\u00fablico<\/em><br>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Diante desses fatores, uma dr\u00e1stica solu\u00e7\u00e3o se desenhou. Em 2022, o governo iniciou a transfer\u00eancia da capital para a prov\u00edncia de Kalimantan Oriental, na ilha de Born\u00e9u, e em agosto de 2024 inaugurou oficialmente a nova cidade \u2014 Nusantara \u2014 que ainda se parece mais com um imenso canteiro de obras do que com uma capital pronta.<br>A decis\u00e3o, contudo, tamb\u00e9m enfrenta cr\u00edticas socioambientais, como o impacto sobre os orangotangos \u2014 habitantes nativos das florestas locais \u2014 e sobre as comunidades ind\u00edgenas que est\u00e3o sendo remanejadas para abrir espa\u00e7o \u00e0 nova metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"488\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Nusantara_June_2024-1024x488.png\" alt=\"Vista a\u00e9rea de Nusantara, nova capital da Indon\u00e9sia, mostrando edif\u00edcios modernos em constru\u00e7\u00e3o cercados por \u00e1reas verdes e passarelas sinuosas\" class=\"wp-image-2854\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Nusantara_June_2024-1024x488.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Nusantara_June_2024-300x143.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Nusantara_June_2024-768x366.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Nusantara_June_2024-780x372.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Nusantara_June_2024.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Vista a\u00e9rea de Nusantara, a nova capital da Indon\u00e9sia, projetada como cidade verde e inteligente. Em constru\u00e7\u00e3o desde 2022, a obra simboliza a tentativa de conciliar modernidade, planejamento urbano e sustentabilidade<\/strong><br><em>imagem: PUPR Permukiman Kaltim&nbsp;&#8211; Wikimedia Commons \/ CC BY-SA 4.<\/em>0<br>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>E a pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> persiste:<br>ser\u00e1 ironia ou repeti\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que, para escapar de um colapso urbano, a solu\u00e7\u00e3o encontrada seja come\u00e7ar outro \u2014 derrubando a floresta?<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Atl\u00e2ntida pode ser mito, mas o que ela espelha \u2014 continua sendo real.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Todos conhecemos o ditado: <em>\u00e1gua mole em pedra dura tanto bate at\u00e9 que fura<\/em>.<br>Mas esquecemos que as ondas do mar tamb\u00e9m batem at\u00e9 que derrubam!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos acreditam que a eleva\u00e7\u00e3o de mil\u00edmetros a cent\u00edmetros no n\u00edvel do mar \u00e9 in\u00f3cua.<br>Mas a massa d\u2019\u00e1gua exerce uma for\u00e7a monumental \u2014 e quando arremessada nas mar\u00e9s altas, principalmente nas ressacas, seu impacto \u00e9 devastador.<br>Esse processo \u00e9 altamente erosivo, como se v\u00ea em v\u00e1rias cidades litor\u00e2neas do pa\u00eds e mundo afora.<br>(Procure no YouTube e achar\u00e1s!)<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 alarmismo: as proje\u00e7\u00f5es para 2050 e 2100 n\u00e3o s\u00e3o profecias, s\u00e3o alertas que n\u00e3o fecham a conta entre as a\u00e7\u00f5es que reduzem a temperatura e as que ainda a elevam.<\/p>\n\n\n\n<p>E claro, falar assim \u00e9 simplificar uma quest\u00e3o das mais complexas do nosso tempo.<br>O <em>tempo<\/em> em sua diversidade de sentidos: o tempo que temos (ou n\u00e3o) para reverter a situa\u00e7\u00e3o, e o tempo como clima \u2014 o bom, o ruim, o imprevisto.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos lugares foram povoados em zonas inst\u00e1veis \u2014 como Atafona, no norte do Rio de Janeiro, no encontro de uma foz de rio e o mar.<br>Outros, por especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e o desejo de ter o mar aos p\u00e9s.<br>Durante d\u00e9cadas, n\u00e3o houve preocupa\u00e7\u00e3o com o avan\u00e7o das \u00e1guas.<br>Nem sequer se usava a express\u00e3o <em>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Ressaca em Atafona\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ajhG2bLDP4M?start=15&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>.<br>Lembro de alertas j\u00e1 nos anos 80 de especialistas, na TV Educativa, falarem que fen\u00f4menos como muita seca em alguns lugares e outros com um volume de chuvas intenso e frequentes iriam acontecer. Dito e feito, infelizmente.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito tempo que a combina\u00e7\u00e3o entre ocupa\u00e7\u00f5es irregulares das v\u00e1rzeas dos rios e obras estruturais mal planejadas para resolver a situa\u00e7\u00e3o, vem agravando os desastres <em>naturais<\/em> que se repetem diante de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez algu\u00e9m ainda diga que h\u00e1 alarmismo.<br>Mas, diante da hist\u00f3ria que se desenrola \u00e0 nossa frente, n\u00e3o \u00e9 prudente esperar que algum lugar fique totalmente submerso ou que mais cidades litor\u00e2neas tenham sua linha de frente derrubada como a de Atafona para come\u00e7armos a pensar em solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pequenas a\u00e7\u00f5es, grandes sinais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O cuidado come\u00e7a no gesto m\u00ednimo.<br>Isso \u00e9 dif\u00edcil de aceitar para quem nega o poder das pequenas <strong>A\u00c7\u00d5ES<\/strong> \u2014<br>mas \u00e9 justamente a\u00ed que est\u00e1 a equa\u00e7\u00e3o simples: <strong>a soma que vira multiplica\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A soma \u00e9 a das pessoas que acreditam nesse poder individual, independentemente do seu vizinho comungar das mesmas ideias ou n\u00e3o.<br>Algu\u00e9m, em algum outro lugar, certamente sim. E se voc\u00ea \u2014 ou qualquer outro \u2014 pratica uma pequena <strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> nesse sentido,<br>e depois mais uma, e outra, e assim sucessivamente, h\u00e1 um efeito multiplicador que se faz sentir.<\/p>\n\n\n\n<p>Invis\u00edvel, talvez. Imensur\u00e1vel, com certeza. Ou seja, voc\u00ea n\u00e3o receber\u00e1 medalhas e nem os louros, mas sua consci\u00eancia o premiar\u00e1 pelo simples prazer interno de pensar e sentir: eu fiz a minha parte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ideia \u00e9 simples, mas pode se tornar poderosa: se mil, milh\u00e3o, bilh\u00e3o \u2014 eis a soma das pessoas \u2014 fizerem uma A\u00c7\u00c3O cada, duas, tr\u00eas&#8230; eis a multiplica\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>(Num outro momento, prometemos um artigo s\u00f3 sobre isso&#8230;)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Cuidar tamb\u00e9m \u00e9 perceber o percurso da \u00e1gua \u2014 a mesma que brota da montanha, atravessa o nosso corpo e se torna onda no litoral. Porque, afinal, \u00e9 tudo a mesma \u00e1gua: doce, salgada, subterr\u00e2nea, a\u00e9rea \u2014 e toda ela pede o mesmo em troca: respeito no ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Maratona Clim\u00e1tica e os Que Correm Descal\u00e7os<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A corrida das COPs<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As confer\u00eancias do clima j\u00e1 viraram uma esp\u00e9cie de maratona global. Poder\u00edamos perfilar n por\u00e9ns das COPs, mas j\u00e1 fizemos algo semelhante aqui:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/cop-maratona-climatica\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/cop-maratona-climatica\/\">COPs: a Maratona Clim\u00e1tica em que o Planeta Ainda Tenta Chegar \u00e0 Linha de Chegada<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cops-eventos-climaticos-sustentabilidade-1024x1024.png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de um corredor com cabe\u00e7a de planeta Terra cruzando faixa com a frase Evento Clim\u00e1tico, representando a COP\" class=\"wp-image-1053\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cops-eventos-climaticos-sustentabilidade-1024x1024.png 1024w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cops-eventos-climaticos-sustentabilidade-300x300.png 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cops-eventos-climaticos-sustentabilidade-150x150.png 150w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cops-eventos-climaticos-sustentabilidade-768x768.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cops-eventos-climaticos-sustentabilidade-1536x1536.png 1536w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cops-eventos-climaticos-sustentabilidade-780x780.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cops-eventos-climaticos-sustentabilidade.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>A COP \u00e9 uma confer\u00eancia que tenta conter a crise clim\u00e1tica antes que a pr\u00f3pria mudan\u00e7a clim\u00e1tica ela cruze a linha de chegada. Dif\u00edcil de acreditar, mas ainda estamos na frente nessa corrida, por isso ainda d\u00e1 tempo, pois quando formos efetivamente ultrapassados, a\u00ed&#8230; a\u00ed ser\u00e1 aiaiai uiuiui<\/strong><br><em>ilustra\u00e7\u00e3o: Athena&amp;PLW [colagens digitais]<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De COP em COP, o papel se repete \u2014 relat\u00f3rios, metas, promessas \u2014 mas o clima n\u00e3o l\u00ea atas.<\/p>\n\n\n\n<p>De COP em COP, s\u00f3 nos encheremos de papo?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E a COP30<\/strong>?<\/h3>\n\n\n\n<p>Sempre pol\u00eamicas, as constru\u00e7\u00f5es nas cidades que recebem grandes eventos \u2014 principalmente os internacionais \u2014 e a COP30 n\u00e3o foge \u00e0 regra.<br>Grande parte das interven\u00e7\u00f5es, como a Green Zone e a Blue Zone, foi conclu\u00edda, assim como as importantes obras de saneamento e a amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas internas do aeroporto, para poder acompanhar o aumento de visitantes e delega\u00e7\u00f5es \u2014 restando saber se a rodovia ladeada por ciclovias, planejada para integrar partes distantes da cidade e desafogar os demais acessos \u00e0 capital, tamb\u00e9m foi finalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma boa not\u00edcia de Pr\u00e9-COP30, o tradicional Mercado Ver-o-Peso, cora\u00e7\u00e3o pulsante da cidade e s\u00edmbolo de Bel\u00e9m, finalmente ganha sistema de esgoto. Meu pai, Ernesto Werneck que morou l\u00e1 por um tempo, lembrava do cheiro intenso que tomava conta do ar \u2014 algo que, por d\u00e9cadas, parecia fazer parte da paisagem., mas apesar dessa cr\u00edtica, a imagem do mercado para ele foi impactante, fiquei com tr\u00eas obras que ele fez do local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-oPeso-Belem.jpg\" alt=\"Vista do Mercado Ver-o-Peso em Bel\u00e9m do Par\u00e1, com suas torres azuis, barcos atracados e barracas de feira \u00e0s margens da ba\u00eda do Guajar\u00e1\" class=\"wp-image-2830\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-oPeso-Belem.jpg 800w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-oPeso-Belem-300x200.jpg 300w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-oPeso-Belem-768x512.jpg 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-oPeso-Belem-780x520.jpg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>O Ver-o-Peso, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, \u00e9 mais que um mercado: \u00e9 um ponto de encontro entre rios e cultura. \u00c0s margens da ba\u00eda do Guajar\u00e1, re\u00fane hist\u00f3rias, sabores e saberes da Amaz\u00f4nia<\/strong><br><em>imagem: Wikimedia Commons \/ dom\u00ednio p\u00fablico<\/em><br>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"886\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-o-peso-3-obras-EW-1-886x1024.png\" alt=\"Fotografia de tr\u00eas quadros do artista Ernesto Werneck representando o Mercado Ver-o-Peso, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, em diferentes t\u00e9cnicas e tonalidades\" class=\"wp-image-2832\" srcset=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-o-peso-3-obras-EW-1-886x1024.png 886w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-o-peso-3-obras-EW-1-260x300.png 260w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-o-peso-3-obras-EW-1-768x887.png 768w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-o-peso-3-obras-EW-1-1329x1536.png 1329w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-o-peso-3-obras-EW-1-1600x1849.png 1600w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-o-peso-3-obras-EW-1-780x901.png 780w, https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ver-o-peso-3-obras-EW-1.png 1731w\" sizes=\"auto, (max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Tr\u00eas vers\u00f5es do Ver-o-Peso, em Bel\u00e9m do Par\u00e1 \u2014 obras de Ernesto Werneck. As varia\u00e7\u00f5es de cor e tra\u00e7o revelam o olhar do artista sobre o mesmo cen\u00e1rio amaz\u00f4nico, entre o porto, os barcos e as torres do mercado<\/strong><br><em>imagem: acervo pessoal  de Paulo Lai Werneck<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas deixemos que dois v\u00eddeos, produzidos por um canal voltado \u00e0 arquitetura, falem por si. Para quem tiver disposi\u00e7\u00e3o e mais meia hora livre, eles oferecem um panorama precioso da cidade: no primeiro v\u00eddeo hist\u00f3ria da cidade contada pela arquitetura \u2014 que se em alguns momentos os arquitetos souberam lidar com o conforto t\u00e9rmico nesse ambiente de calor \u2014 muitos ainda n\u00e3o descobriram a utiliza\u00e7\u00e3o plena da madeira na arquitetura contempor\u00e2nea, nem os da COP30. O Par\u00e1 \u00e9 lugar que sofre grandes desmatamentos e poderia virar o jogo e se tornar num polo de madeira certificada para arquitetura, com uma mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o, uma dr\u00e1stica mudan\u00e7a por sinal. No segundo v\u00eddeo o olhar t\u00e9cnico sobre os investimentos feitos para a COP30 e a possibilidade de o espectador tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es sobre se o montante foi bem gasto ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que, infelizmente, isso n\u00e3o altere a forma \u2014 quase sempre desigual \u2014 a respeito da aplica\u00e7\u00e3o das verbas dispon\u00edveis. As obras de saneamento, essenciais e urgentes, beneficiaram tanto as \u00e1reas mais vulner\u00e1veis, frequentemente atingidas por enchentes, quanto os bairros nobres, mas apenas nestes \u00faltimos, sobre os canais requalificados, foram constru\u00eddas \u00e1reas de lazer. Por\u00e9m antes das obras pr\u00e9-COP30 em 2021 o projeto <a href=\"https:\/\/www.seac.pa.gov.br\/content\/usinas-da-paz\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.seac.pa.gov.br\/content\/usinas-da-paz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Usinas da Paz<\/a> faz a vez nos bairros mais carentes com op\u00e7\u00f5es modestas, mas com boas solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas e alcance social precioso, n\u00e3o s\u00f3 \u00e1reas de lazer, mas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, promovendo inclus\u00e3o familiar. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A CARA DE BEL\u00c9M | Com bilh\u00f5es para a COP e holofote global, o que se constr\u00f3i na capital do Par\u00e1?\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/09KJj_zoBnA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"LEGADO DA COP | Or\u00e7amento bilion\u00e1rio do evento levou em conta arquitetura e urbanismo de Bel\u00e9m?\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/17bZG8kBikM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><br><strong>Quem corre por sobreviv\u00eanci<\/strong>a<\/h3>\n\n\n\n<p>Nas margens da corrida oficial h\u00e1 outros atletas, descal\u00e7os e sem patroc\u00ednio: povos ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares.<br>Eles n\u00e3o correm por medalhas, correm por sobreviv\u00eancia e por garantir seus direitos, infelizmente costumeiramente violados, principalmente suas terras. nclusive, os povos ind\u00edgenas t\u00eam a seu favor um direito que antecede a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o \u2014 chamado direito origin\u00e1rio.<br>N\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio concedido pelo Estado, mas o reconhecimento de uma presen\u00e7a anterior a ele.<br>Esses direitos n\u00e3o come\u00e7am em 1988: eles v\u00eam de antes das leis, antes das cercas, antes dos mapas. Como diz o pr\u00f3prio texto constitucional, os direitos origin\u00e1rios s\u00e3o anteriores \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro. O territ\u00f3rio ind\u00edgena n\u00e3o \u00e9 propriedade \u2014 \u00e9 parentesco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os povos ind\u00edgenas e os quilombolas t\u00eam, em sua maioria, uma vis\u00e3o diferente da nossa \u2014 especialmente de n\u00f3s, que habitamos as cidades.<br>Eles sabem que o solo n\u00e3o \u00e9 recurso \u2014 \u00e9 rela\u00e7\u00e3o. E que a natureza n\u00e3o \u00e9 tema de debate \u2014 \u00e9 membro da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem vive da terra, a COP acontece todo dia \u2014 e sem <em>coffee break.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Garantir que possam viver com plena autonomia, de acordo com suas cren\u00e7as e valores, \u00e9 o m\u00ednimo que se espera de uma sociedade que se diz civilizada.<\/p>\n\n\n\n<p>E, da mesma forma, deve-se acolher com respeito os ind\u00edgenas e quilombolas que escolhem viver nas cidades \u2014 sem presumir que esse \u00e9, ou deva ser, o destino de todos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A verdadeira chegada<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Talvez o planeta s\u00f3 chegue \u00e0 linha de chegada quando aprendermos a correr juntos.<br>N\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3ria poss\u00edvel sem partilha de ritmo.<br>A maratona clim\u00e1tica s\u00f3 faz sentido se o pelot\u00e3o que segue a frente respirar no mesmo compasso \u2014 o da floresta, do campo, dos povos que nunca deixaram de ouvir o ch\u00e3o e os das cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem corre descal\u00e7o sente antes: a textura da terra, a inclina\u00e7\u00e3o do mundo, o pulso do tempo. E nada contra \u2014 s\u00f3 a favor de tecnologias que realmente respeitem a natureza em seus ciclos, afinando e ampliando as perspectivas sobre os saberes ancestrais que continuam sendo a base das t\u00e9cnicas de regenera\u00e7\u00e3o do solo e, consequentemente, da pr\u00f3pria Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O que n\u00e3o d\u00e1 \u00e9 tentar vender conceitos como o de agrofloresta aos povos origin\u00e1rios e quilombolas como se fossem tecnologias de ponta \u2014 como j\u00e1 lembrava Ant\u00f4nio Bispo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, no mar aberto das negocia\u00e7\u00f5es globais, h\u00e1 quem ainda insista em ver sinal de esperan\u00e7a.<br>Paul Watson, fundador da <em>Sea Shepherd Conservation Society<\/em>, veterano das frentes ambientais mais duras, aposta no Tratado do Alto Mar, assinado em 2023 para proteger a biodiversidade marinha em \u00e1guas internacionais. O acordo precisa da ratifica\u00e7\u00e3o de 60 pa\u00edses \u2014 57 j\u00e1 o fizeram, e o Brasil aguarda apenas a san\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a terra e o mar, h\u00e1 sinais de que a escuta come\u00e7a a se mover \u2014 ainda fr\u00e1gil, mas viva.<\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Finalmente Nos Convidaram Pra Essa Festa Pobre!<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sem ingenuidade, mas tamb\u00e9m sem desist\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas na COP30 n\u00e3o se deu exatamente por um convite formal, com data ou gesto oficial \u00fanico \u2014 mas sim por conquista atrav\u00e9s de um processo de mobiliza\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo constante, fruto de d\u00e9cadas de luta constante.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez, o Brasil tem um Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas cuja ministra, Sonia Guajajara, \u00e9 uma lideran\u00e7a ind\u00edgena. E, tamb\u00e9m pela primeira vez, a Funai \u00e9 presidida por outra lideran\u00e7a, Joenia Wapichana, tamb\u00e9m ind\u00edgena.<br>Duas mulheres, duas trajet\u00f3rias e um mesmo gesto simb\u00f3lico: colocar as vozes origin\u00e1rias no lugar de fala e de decis\u00e3o. A presen\u00e7a ind\u00edgena na COP30 \u00e9, portanto, ao mesmo tempo conquista e reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>As lideran\u00e7as ind\u00edgenas sabem que as COPs t\u00eam sido, em grande parte, balc\u00f5es de neg\u00f3cio travestidos de esperan\u00e7a, mas n\u00e3o pretendem abandonar o espa\u00e7o.<br>Auric\u00e9lia Arapiun, que segue em frente mesmo sob amea\u00e7as por seu engajamento e atua\u00e7\u00e3o como advogada e lideran\u00e7a ind\u00edgena, ressalta que a \u00fanica coisa positiva que v\u00ea na COP30 \u00e9 a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o popular na C\u00fapula dos Povos \u2014 a Aldeia COP, uma esp\u00e9cie de COP dos ind\u00edgenas, com espa\u00e7o para cerca de 3 mil participantes \u2014 e a presen\u00e7a efetiva na Zona Azul de negocia\u00e7\u00f5es oficiais, com uma comiss\u00e3o escolhida pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas por meio do Ciclo COParente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/iifb-indigenous.org\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/01-nayra-mpi-reuniao-gt-cop-2-1.pdf\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/iifb-indigenous.org\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/01-nayra-mpi-reuniao-gt-cop-2-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um documento do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas<\/a>, datado de 1\u00ba de setembro de 2025, resume bem o desafio:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Historicamente, as dificuldades log\u00edsticas limitaram a participa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nas COPs.<br>Indo poucas pessoas e com grande burocracia para credenciar entidades, o Movimento Ind\u00edgena, via de regra, consegue suas credenciais com ONGs parceiras.<br>Em Bel\u00e9m, ser\u00e1 o oposto. H\u00e1 grande demanda dos povos ind\u00edgenas, ao mesmo tempo em que a COP diminui o n\u00famero de credenciados.<br>Assim, se n\u00e3o pensarmos uma sa\u00edda estrutural, teremos restri\u00e7\u00f5es objetivas na participa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u2014 que poder\u00e3o ser entendidas como exclus\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Povos Ind\u00edgenas e Povos e Comunidades Tradicionais rumo \u00e0 COP 30\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EwQNRzSaq0c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>.<br>Ou seja: n\u00e3o \u00e9 mais sobre pedir convite \u2014 \u00e9 sobre garantir assento.<br>E dessa vez, com o rosto ind\u00edgena estampando a pr\u00f3pria COP.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma grande movimenta\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios em torno da COP30 n\u00e3o \u00e9 apenas justific\u00e1vel, mas essencial \u2014 resultado de constantes e justas reivindica\u00e7\u00f5es. Ser em Bel\u00e9m do Par\u00e1 pode ter suas desvantagens log\u00edsticas, j\u00e1 apontadas pela m\u00eddia, mas uma coisa \u00e9 certa: eles estar\u00e3o presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das cr\u00edticas contundentes \u2014 um coro quase un\u00e2nime \u2014 a COP continua sendo um canal democr\u00e1tico capaz de estreitar os la\u00e7os entre pa\u00edses que realmente buscam medidas efetivas contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Davi Kopenawa \u2014 A floresta j\u00e1 fala, mas ningu\u00e9m traduz o vento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No seu livro gestado em 20 anos de conversa com o antrop\u00f3logo franc\u00eas Bruce Albert chamado <strong>A queda do C\u00e9u: Palavras de um Xam\u00e3 Yanomami<\/strong>, ele faz sua parte em colocar seus pensamentos em pele de papel, como ele mesmo diz:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O pensamento dos brancos \u00e9 outro. Sua mem\u00f3ria \u00e9 engenhosa, mas est\u00e1 enredada em palavras esfuma\u00e7adas e obscuras. O caminho de sua mente costuma ser tortuoso e espinhoso. Eles n\u00e3o conhecem de fato as coisas da floresta. S\u00f3 contemplam sem descanso as peles de papel em que desenharam suas pr\u00f3prias palavras. Se n\u00e3o seguirem seu tra\u00e7ado, seu pensamento perde o rumo. Enche-se de esquecimento e eles ficam muito ignorantes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Seus dizeres s\u00e3o diferentes dos nossos. Nossos antepassados n\u00e3o possu\u00edam peles de imagens e nelas n\u00e3o inscreveram leis. Suas \u00fanicas palavras eram as que pronunciavam suas bocas e eles n\u00e3o as desenhavam, de modo que elas jamais se distanciavam deles. Por isso os brancos as desconhecem desde sempre&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8230; Entretanto, para que minhas palavras sejam ouvidas longe da floresta, fiz com que fossem desenhadas na l\u00edngua dos brancos. Talvez assim eles afinal as entendam, e depois deles seus filhos, e mais tarde ainda, os filhos de seus filhos. Desse modo, suas ideias a nosso respeito deixar\u00e3o de ser t\u00e3o sombrias e distorcidas e talvez at\u00e9 percam a vontade de nos destruir. Se isso ocorrer, os nossos n\u00e3o mais morrer\u00e3o em sil\u00eancio, ignorados por todos, como jabutis escondidos no ch\u00e3o da floresta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E a pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> mais l\u00f3gica seria: porque n\u00e3o nos acercarmos desse pensamento e s\u00f3 depois tentarmos equacionar nosso entendimento?<\/p>\n\n\n\n<p><em>Que a COP30 priorize os povos ind\u00edgenas e a Amaz\u00f4nia<\/em>, disse o l\u00edder Yanomami em uma entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os brancos desenham planos de carbono e metas de neutralidade, o c\u00e9u continua caindo sobre as cabe\u00e7as Yanomami \u2014 n\u00e3o como met\u00e1fora, mas como merc\u00fario, fuma\u00e7a, desmatamento.<br>Kopenawa n\u00e3o quer uma COP a mais; quer menos conversa e mais verdadeira escut<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Txai Suru\u00ed \u2014 O futuro j\u00e1 nasceu \u2014 s\u00f3 precisa ser cuidado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Txai Suru\u00ed fala sobre a COP30 e outros assuntos, tais como as amea\u00e7as e as agress\u00f5es j\u00e1 sofridas pelos povos ind\u00edgenas, podemos ouvir e ver nesse v\u00eddeo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Jovem ind\u00edgena fala de COP30, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e valores de lideran\u00e7a\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sVL_psqt60k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>.<br>Quando Txai Suru\u00ed falou na COP26, o mundo a ouviu, mas poucos entenderam.<br>Ela disse: <em>O futuro \u00e9 ancestral.<\/em><br>E com essa frase, desmontou s\u00e9culos de arrog\u00e2ncia cronol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixemos que ela mesmo fale:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discurso de Txai Suru\u00ed na abertura da COP26:<\/strong><br><em>Meu nome \u00e9 Txai Suru\u00ed, eu tenho s\u00f3 24, mas meu povo vive h\u00e1 pelo menos 6 mil anos na floresta Amaz\u00f4nica. Meu pai, o grande cacique Almir Suru\u00ed me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as \u00e1rvores.<br><br>Hoje o clima est\u00e1 esquentando, os animais est\u00e3o desaparecendo, os rios est\u00e3o morrendo, nossas planta\u00e7\u00f5es n\u00e3o florescem como antes. A Terra est\u00e1 falando. Ela nos diz que n\u00e3o temos mais tempo.<br><br>Uma companheira disse: vamos continuar pensando que com pomadas e analg\u00e9sicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanh\u00e3 a ferida ser\u00e1 maior e mais profunda?<br><br>Precisamos tomar outro caminho com mudan\u00e7as corajosas e globais.<br>N\u00e3o \u00e9 2030 ou 2050, \u00e9 agora!<br><br>Enquanto voc\u00eas est\u00e3o fechando os olhos para a realidade, o guardi\u00e3o da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de inf\u00e2ncia, foi assassinado por proteger a natureza.<br><br>Os povos ind\u00edgenas est\u00e3o na linha de frente da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, por isso devemos estar no centro das decis\u00f5es que acontecem aqui. N\u00f3s temos ideias para adiar o fim do mundo.<br><br>Vamos frear as emiss\u00f5es de promessas mentirosas e irrespons\u00e1veis; vamos acabar com a polui\u00e7\u00e3o das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habit\u00e1veis.<br><br>\u00c9 necess\u00e1rio sempre acreditar que o sonho \u00e9 poss\u00edvel.<br>Que a nossa utopia seja um futuro na Terra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O tempo dos povos da floresta n\u00e3o \u00e9 linha \u2014 \u00e9 espiral. N\u00e3o se trata de salvar o amanh\u00e3, mas de cuidar do que j\u00e1 nasceu. Txai fala com a serenidade de quem sabe que a juventude ind\u00edgena n\u00e3o \u00e9 promessa, \u00e9 presen\u00e7a.<br>Enquanto se fala em transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, eles j\u00e1 vivem a transi\u00e7\u00e3o \u2014 do desmatamento \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o, da perda \u00e0 persist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Formada em direito ela tamb\u00e9m atua na defesa dos direitos ambientais dos povos ind\u00edgenas na Associa\u00e7\u00e3o de Defesa <a href=\"https:\/\/kaninde.org.br\/quem-somos\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/kaninde.org.br\/quem-somos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Etnoambiental Kanind\u00e9<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Txai Saru\u00ed pertence a juventude que planta \u00e1rvore hoje e n\u00e3o espera aplausos: espera sombra.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ailton Krenak \u2014 Se for sal\u00e3o de neg\u00f3cios, fracassa antes de come\u00e7ar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"#Provoca | Ailton Krenak\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dBk8gk-cOec?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>.<br>No programa Provoca, Aiton Krenak provoca:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O Oswald de Andrade tem uma poeminha que chama Erro de Portugu\u00eas \u00e9 onde ele fala que o portugu\u00eas chegou na nossa praia estava num dia de chuva ele vestiu os \u00edndios se ele tivesse chegado no dia de sol os \u00edndios teriam despido portugu\u00eas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;Essa brincadeira me animou depois de muito muito tempo lendo aprendendo sobre poesia e literatura criar um outro poema, Equ\u00edvoco de Portugu\u00eas. Ele saiu pensando que estava indo para as \u00cdndias e veio bater com a nau dele aqui nas Am\u00e9ricas, mas como ele pensou que estava indo para as \u00cdndias ele chamou as pessoas que ele encontrou na praia de \u00edndio. H\u00e1 um erro e um equ\u00edvoco no caminho.<\/em>..<\/p>\n\n\n\n<p>Krenak ri, mas o riso \u00e9 flecha no alvo:<br>a coloniza\u00e7\u00e3o come\u00e7a no erro de endere\u00e7o e no equ\u00edvoco de nomear o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Declaradamente contr\u00e1rio \u00e0 ideia de <em>progresso<\/em>, ele lembra que foi em nome desse progresso que, em 2015, o rompimento da barragem da Samarco \u2014 controlada pelas multinacionais Vale e BHP Billiton \u2014 despejou no Rio Doce os dejetos de uma a\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica chamada minera\u00e7\u00e3o.<br>Essa mesma tecnologia que promete desenvolvimento \u00e9 a que destruiu o que, para os Krenak, \u00e9 vida:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O Rio Doce, que n\u00f3s chamamos de Watu, nosso av\u00f4, \u00e9 uma pessoa,<br>n\u00e3o um recurso \u2014 como dizem os economistas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quatro anos depois, veio Brumadinho. N\u00e3o por falta de recurso, mas por excesso de descuido. A tecnologia mais barata, o c\u00e1lculo mais conveniente, o mesmo resultado:<br>barragens rompidas, vidas soterradas, rios em estado terminal que lentamente se recuperam.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje imortal da Academia Brasileira de Letras, Krenak prop\u00f5e levar para dentro dela as l\u00ednguas dos povos amer\u00edndios. A l\u00edngua da terra, a l\u00edngua da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu livro <strong>Ideias para Adiar o Fim do Mundo<\/strong>, ele desmonta o vocabul\u00e1rio confort\u00e1vel da sustentabilidade:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Recurso natural pra quem?<br>Desenvolvimento sustent\u00e1vel pra qu\u00ea?<br>O que \u00e9 preciso sustentar?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta ecoa como trov\u00e3o.<br>A COP30, diz ele, corre o risco de repetir os mesmos erros de sempre:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Se for um sal\u00e3o de neg\u00f3cios, a COP j\u00e1 fracassa antes de come\u00e7ar!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Krenak n\u00e3o \u00e9 contra o di\u00e1logo \u2014 \u00e9 contra o discurso travestido de mercado.<br>A economia verde que fala em compensar o carbono \u00e9 a mesma que deixa impune quem o produz. E o maior risco \u00e9 transformar a esperan\u00e7a em ativo financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua cr\u00edtica atravessa o r\u00f3tulo vazio do <em>sustent\u00e1vel<\/em> e entra direto no territ\u00f3rio da comunica\u00e7\u00e3o que engana quem j\u00e1 quer ser enganado e responde para Marcelo Tas no Provoca:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Se querem ir pra Marte, que v\u00e3o logo \u2014 e saiam de cima de n\u00f3s.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A frase vem com aquele bom humor que o caracteriza mesmo falando com toda seriedade.<br>Podemos interpretar assim: deixe quem quiser partir, mas respeite quem escolheu ficar \u2014 quem ainda chama e considera<em> a Terra de M\u00e3e, de Pacha Mama, de Gaia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Saberes Que Regeneram o Solo Dentro de Um Sentido Ancestral<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ant\u00f4nio Nego Bispo dos Santos \u2014 <em>O quilombola que semeou pensamento<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00eago Bispo, pensador e agricultor quilombola do Piau\u00ed, ensinou que a terra tamb\u00e9m pensa \u2014 e que o pensamento, quando nasce do ch\u00e3o, j\u00e1 vem f\u00e9rtil.<\/p>\n\n\n\n<p>No seu livro, <strong>A Terra d\u00e1, a Terra quer<\/strong> ele prop\u00f5e:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Em outros escritos em que traduzi os saberes ancestrais de nossa gera\u00e7\u00e3o av\u00f3 da oralidade para a escrita, trouxemos algumas denomina\u00e7\u00f5es que as pessoas na academia chamam de conceitos. A partir da\u00ed, seguimos na pr\u00e1tica das denomina\u00e7\u00f5es dos modos e das falas, para contrariar o colonialismo. \u00c9 o que chamamos de guerra das denomina\u00e7\u00f5es: o jogo de contrariar as palavras coloniais como modo de enfraquec\u00ea-las.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8230;n\u00f3s vamos dizer que o desenvolvimento desconecta, que o desenvolvimento \u00e9 uma variante da cosmofobia. Vamos dizer que a cosmofobia \u00e9 um v\u00edrus pand\u00eamico e botar para ferrar com a palavra desenvolvimento. Porque a palavra boa \u00e9 envolvimento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Para enfraquecer o desenvolvimento sustent\u00e1vel, n\u00f3s trouxemos a biointera\u00e7\u00e3o; para a coincid\u00eancia, trouxemos a conflu\u00eancia; para o saber sint\u00e9tico, o saber org\u00e2nico; para o transporte, a transflu\u00eancia; para o dinheiro (ou a troca), o compartilhamento; para a coloniza\u00e7\u00e3o, a contracoloniza\u00e7\u00e3o\u2026 e assim por diante. Ele entendeu esse<\/em> <em>jogo de palavras:<\/em> <em>Voc\u00ea tem toda a raz\u00e3o! Vamos botar mais palavras dentro da l\u00edngua portuguesa. E vamos botar palavras que os pr\u00f3prios eurocolonizadores n\u00e3o t\u00eam coragem de falar!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E Ant\u00f4nio N\u00eago Bispo falava mesmo. Tinha a coragem de falar \u2014 sua fala era incisiva e po\u00e9tica.<br>Se n\u00e3o prestarmos aten\u00e7\u00e3o, ca\u00edmos na velha ilus\u00e3o: pensamos que ele estava indo, mas ele j\u00e1 estava voltando \u2014 e voltando com uma ideia antiga, resgatada dos ancestrais, mas com cara e energia nova, pronta para encarar o mundo pelo avesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica aqui nossa singela homenagem ao quilombola N\u00eago Bispo \u2014<br>o homem que plantava palavras para que o pensamento voltasse a nascer da terra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Nego Bispo \u2013 Pr\u00eamio Mil\u00fa Villela \u2013 Ita\u00fa Cultural 35 Anos\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DTMp5dGVCXw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O sustent\u00e1vel que esqueceu o ch\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A palavra <em>sustent\u00e1vel<\/em>, para Bispo, soa como um eco estrangeiro \u2014 um termo feito para caber nos editais, nos artigos acad\u00eamicos, n\u00e3o nos quilombos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua proposta \u00e9 outra: uma ecologia da viv\u00eancia, n\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o.<br>Enquanto o ambientalismo t\u00e9cnico busca consertar o planeta, o quilombola busca conviver com ele. Um fala em mitiga\u00e7\u00e3o; o outro fala em rela\u00e7\u00e3o. O primeiro mede carbono; o segundo mede o tempo do feij\u00e3o, a volta da abelha, o retorno da sombra.<br>Entre um e outro h\u00e1 um abismo, mas tamb\u00e9m uma ponte \u2014 e \u00e9 nela que o CES caminha.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja como for, os saberes ind\u00edgenas e quilombolas s\u00e3o a base do que hoje chamamos de <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/agrofloresta\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/agrofloresta\/\">agrofloresta <\/a>\u2014 sistemas de plantio diversos que regeneram o solo e se tornaram inspira\u00e7\u00e3o direta para a <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/o-que-e-permacultura\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/o-que-e-permacultura\/\">permacultura<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A tecnologia pode somar-se a esses saberes, mas \u00e9 curioso notar:<br>muitas vezes, eles aceitam nossa tecnologia antes mesmo de n\u00f3s aceitarmos seus saberes. Saberes que devolvem vida a solos cansados, \u00e0s vezes abandonados e muitas vezes em processo de desertifica\u00e7\u00e3o \u2014 tudo sem agrot\u00f3xicos, sem veneno e sem pressa.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente do que muita gente diz, <em>i<\/em>sso n\u00e3o \u00e9 querer voltar \u00e0 Idade da Pedra ou a um per\u00edodo id\u00edlico da humanidade. \u00c9, na verdade, um recurso valioso, capaz at\u00e9 de chamar a chuva: a agrofloresta cria umidade, revitaliza o ciclo das \u00e1guas e faz da conviv\u00eancia com a terra uma <a href=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/regeneracao-do-solo\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/regeneracao-do-solo\/\">tecnologia de regenera\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pluralidade dos ambientalismos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O CES reconhece: n\u00e3o existe um \u00fanico ambientalismo. H\u00e1 o cient\u00edfico, o comunit\u00e1rio, o espiritual, o ancestral \u2014 e todos podem coexistir se houver escuta.<\/p>\n\n\n\n<p>E h\u00e1 tamb\u00e9m o ambientalismo do marketing, o do r\u00f3tulo apenas. Nenhuma empresa \u00e9 100% sustent\u00e1vel \u2014 mas h\u00e1, sim, aquelas que caminham na dire\u00e7\u00e3o de uma sustentabilidade real, mesmo quando isso \u00e9 dif\u00edcil de aferir.<br>Acreditar em toda a\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica declarada seria ingenuidade; mas ignorar os esfor\u00e7os concretos tamb\u00e9m seria.<\/p>\n\n\n\n<p>O planeta, afinal, n\u00e3o fala uma l\u00edngua s\u00f3.<br>O CES \u2014 Conex\u00f5es Eco Sustent\u00e1veis \u2014 acredita que a palavra <em>sustent\u00e1vel<\/em> precisa crescer nas suas acep\u00e7\u00f5es: enraizar no ch\u00e3o e ramificar ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 nascemos desvencilhados do uso acess\u00f3rio da palavra \u2014 aquela que serve de adorno ou de marketing verde, ou como diz Krenak, apenas um r\u00f3tulo vazio.<br>Mas seguimos acreditando que <em>sustent\u00e1vel<\/em> ainda \u00e9 uma palavra-ponte: ela pode ligar mundos diferentes, desde que n\u00e3o apague os caminhos nem ande por trilhas escusas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, seguimos quatro dire\u00e7\u00f5es de responsabilidade que consideramos essenciais a qualquer tipo de conex\u00e3o eco sustent\u00e1vel \u2014 ambiental, social, econ\u00f4mica e empresarial \u2014 somando a cada uma delas ecos vindos dos saberes ancestrais. N\u00e3o buscamos equival\u00eancias, mas resson\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ambiental<\/strong> cresce quando aprende com o territ\u00f3rio-parente: a terra viva, os rios com voz, o vento que ensina medida.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Social<\/strong> se amplia quando entende o coletivo como corpo, o <strong>N\u00d3S<\/strong> como base de qualquer <strong>EU<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Econ\u00f4mico<\/strong> se regenera quando troca o ac\u00famulo pela circula\u00e7\u00e3o \u2014 o suficiente como no\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Empresarial<\/strong>, talvez o mais desafiador, floresce quando o trabalho volta a ser mutir\u00e3o, gesto de fazer-junto, quando h\u00e1 remunera\u00e7\u00e3o justa e claro, a atua\u00e7\u00e3o em ramos que respeitam os preceitos b\u00e1sicos &nbsp;do que chamamos de respeito a vida no seu sentido amplo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Muito conhecimento sobre a terra \u00e9 ancestral, deriva dos modos ind\u00edgenas ou quilombolas \u2014  aprendemos com eles.<br>Ao criarem e preservarem vocabul\u00e1rios pr\u00f3prios para dar sentido \u00e0s suas comunidades e marcarem diferen\u00e7as de posi\u00e7\u00e3o em diversos planos, n\u00e3o apenas substituem o nosso vocabul\u00e1rio; nos oferecem a chance de ressignificar \u2014 ou de alargar o nosso.<br>E \u00e9 nesse encontro de sentidos que a palavra <em>sustent\u00e1vel<\/em> deixa de ser adjetivo e volta a ser verbo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Nota CES \u2013 O que escapa \u00e9 o que nos ensina<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Eduardo Viveiros de Castro disse que toda boa descri\u00e7\u00e3o de um povo termina com a frase:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 isso que voc\u00ea falou, mas n\u00e3o \u00e9 bem isso<\/em>!<\/p>\n\n\n\n<p>E talvez seja essa a melhor tradu\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre mundos: saber que sempre vai faltar algo, porque o que escapa \u00e9 justamente o que mant\u00e9m o outro vivo. O CES reconhece esse limite com alegria \u2014 n\u00e3o como derrota.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o queremos decifrar tudo, nem traduzir demais. A compreens\u00e3o total \u00e9 uma forma de desaparecimento, de invisibilidade. Por isso, como dizia \u00c9douard Glissant, \u00e9 preciso defender o direito \u00e0 opacidade \u2014 o direito de cada ser ou cultura continuar existindo sem precisar ser completamente entendido.<\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Comunicar Tamb\u00e9m \u00c9 Cuidar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O guia para comunicadores<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o sobre o clima n\u00e3o \u00e9 neutra \u2014 \u00e9 tamb\u00e9m um ato pol\u00edtico e afetivo.<br>O <strong><a href=\"https:\/\/observatoriobranquitude.com.br\/educacao-antirracismo-e-cop-guia-de-cobertura-para-comunicadores\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/observatoriobranquitude.com.br\/educacao-antirracismo-e-cop-guia-de-cobertura-para-comunicadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guia para Comunicadores: Educa\u00e7\u00e3o, Antirracismo e COP30<\/a><\/strong>, produzido pelo Observat\u00f3rio da Branquitude, lembra que <em>falar de planeta \u00e9 tamb\u00e9m falar de quem foi apagado da hist\u00f3ria.<\/em><br>N\u00e3o h\u00e1 transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica sem transi\u00e7\u00e3o de linguagem. E n\u00e3o h\u00e1 cuidado com o planeta sem cuidado com quem o narra.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise clim\u00e1tica \u00e9 tamb\u00e9m uma crise de escuta. As COPs se repetem, mas o ru\u00eddo aumenta.<br>De cada relat\u00f3rio nasce um novo acr\u00f4nimo; de cada urg\u00eancia, uma nova sigla.<br>Mas o que falta ainda \u00e9 o mais simples: ouvir de onde v\u00eam as palavras.<br>Quem fala sobre o clima? Quem \u00e9 ouvido? E quem continua traduzido pela metade?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O descomunicador ir\u00f4nico<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Tem figurinha carimbada que talvez nem se veja como comunicador \u2014 e, se visse, dificilmente daria bola para o guia citado acima. Prefere se autoproclamar polemista de estima\u00e7\u00e3o da descomunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 provocar, \u00e9 produzir fuma\u00e7a onde o fogo j\u00e1 queima demais.<br>O chamado <em>politicamente incorreto<\/em> at\u00e9 poderia ter um papel interessante se realmente questionasse contradi\u00e7\u00f5es \u2014 mas, quando distorce fatos para zombar de causas leg\u00edtimas, s\u00f3 ajuda a desinforma\u00e7\u00e3o a se mascarar de coragem. \u00c9 mais um penduricalho chamando aten\u00e7\u00e3o pro lado errado.<\/p>\n\n\n\n<p>Palavras t\u00eam responsabilidade \u2014 e, como o carbono, tamb\u00e9m deixam rastro. Palavras tamb\u00e9m t\u00eam pegada de carbono \u2014 e algumas poluem mais do que esclarecem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que pensamos no CES<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel \u00e9 aquela que sabe ficar em sil\u00eancio quando o assunto \u00e9 ouvir<\/p>\n\n\n\n<p>No CES, acreditamos que comunicar \u00e9 tamb\u00e9m cuidar: cuidar das margens, das pausas, do tom e do tempo. N\u00e3o d\u00e1 pra puxar a sardinha pro nosso fogo e chamar isso de \u00e9tica.<br>O fogo que aquece demais de um lado costuma queimar o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, preferimos soprar o vento da pergunta \u2014 ele apaga excessos e mant\u00e9m o fogo aceso o suficiente para cozinhar ideias, n\u00e3o queimar diferen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui no CES (Conex\u00f5es Eco Sustent\u00e1veis), a gente pensa \u2014 e pensa junto.<br>Mas pensar, pra n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 escolher um lado: \u00e9 abrir espa\u00e7o para outros lados existirem, coexistirem&#8230;<br>Em tempos de polariza\u00e7\u00f5es em alta e escutas em baixa, comunicar tamb\u00e9m \u00e9 cuidar das margens, onde as vozes se encontram antes de virar grito.<\/p>\n\n\n\n<p>O CES n\u00e3o se prop\u00f5e a salvar o planeta \u2014 ele se prop\u00f5e a escutar. Escutar as pessoas, a terra, as \u00e1guas, os ru\u00eddos e os sil\u00eancios.<br>E quando a gente fala de sustentabilidade, fala de <em>cuidar<\/em> \u2014 \u00e9 disso que se trata:<br>de resistir \u00e0 pressa das certezas, de perguntar antes de culpar, e de seguir pensando \u2014 porque pensar, aqui, \u00e9 verbo de a\u00e7\u00e3o e de afeto.<\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A esperan\u00e7a como presen\u00e7a<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Apesar dos impasses de infraestrutura, dos problemas na hospedagem e, sobretudo, da aus\u00eancia de convite para que ind\u00edgenas, quilombolas e comunidades tradicionais ocupem um lugar de destaque e de fala \u2014 mantemos a esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperan\u00e7a de que a COP30 n\u00e3o apenas os receba, mas os reconhe\u00e7a, e que suas presen\u00e7as n\u00e3o sejam simb\u00f3licas, mas fundadoras de sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Que a escuta dessas vozes ancestrais se transforme em gesto pol\u00edtico, que o lugar de fala se torne lugar de decis\u00e3o, e que, entre as metas e os relat\u00f3rios,<br>haja espa\u00e7o para o que n\u00e3o cabe em planilha: a presen\u00e7a viva de quem cuida da Terra.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pergunta volta com o vento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A COP30 ainda nem come\u00e7ou, mas a pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> j\u00e1 voltou a circular: quem fala pelo planeta e quem ainda n\u00e3o foi ouvido?<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do solo com a \u00e1gua, com a vegeta\u00e7\u00e3o, com animais, insetos \u2014 e a <strong>A\u00c7\u00c3O <\/strong>humana \u2014 continua sendo o centro de tudo!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A plantA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O CES segue perguntando, porque perguntar \u00e9 um jeito de plantar. E se a terra d\u00e1 e a terra quer, talvez o planeta tamb\u00e9m queira o mesmo: menos discurso e mais devolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Que nossas palavras caiam como chuva boa \u2014 n\u00e3o pra lavar a culpa, mas pra fazer brotar o di\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a Pergunt<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong> se transforma em escut<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>,<br>e o ciclo se completa:<br>da palavra \u00e0 pr\u00e1tica,<br>do ru\u00eddo \u00e0 respir<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>,<br>da COP ao corpo,<br>do ch\u00e3o \u00e0 <strong>formA\u00c7\u00c3O<\/strong> do n\u00f3s,<br>numa verdadeira constel<strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A COP30 ser\u00e1 realizada no Brasil em Bel\u00e9m do Par\u00e1, dia 10 de novembro de 2025 e neste artigo vamos&hellip;<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":2839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2795","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agenda-2030"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pre-COP30.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2795"}],"version-history":[{"count":124,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2795\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3903,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2795\/revisions\/3903"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/conexoesecosustentaveis.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}