O que são os ODS? – parte A

Ilustração com os 17 ODS em ícones coloridos, representando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pela Agenda 2030 da ONU.
Os ODS são metas globais que apontam caminhos para um futuro mais justo, sustentável e digno para todos.
ilustração: Athena&PLW – colagens digitais

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Introdução

Para falar de ODS, devemos falar antes da agenda 2030

Pelo nome — já traz uma data que é uma meta. Podemos dizer que essa agenda é o documento, uma declaração, um guia, um plano, recebe essas e outras designações todas amarradas em um compromisso muito importante.

Uma agenda que não pode ficar na gaveta

Sim, parece aquelas listas ambiciosas de resoluções de fim de ano: acabar com a pobreza, salvar o planeta, garantir dignidade para todos.
A diferença? Esta foi assinada por 193 países — e não dá pra esquecer no fundo da gaveta junto com a promessa de começar a academia… Reúne os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que formam um plano coletivo para transformar o mundo até 2030.

Agora vai?

Ambicioso? Sim. Impossível? Não — desde que a gente troque promessas vazias por ações conscientes, uma escolha de cada vez. Neste artigo, vamos explorar o que está por trás dos ODS, como eles já estão em movimento e o que você, enfim todos nós temos a ver com tudo isso.

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Entre o Engajamento e o Marketing

Sinais desse compromisso por aí

Talvez não com essa sigla, mas com certeza, já esbarrou com eles por aí — seja numa embalagem de produto consciente, numa aula de ciências sociais ou naquele post motivacional sobre salvar o mundo até 2030.

Engajamento

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ou simplesmente ODS, são uma espécie de plano global para melhorar a vida no planeta sem explodir os recursos que ainda restam (nem o futuro das próximas gerações). E esse engajamento deve ser de todos os setores da sociedade usando os ODSs como 17 bússolas, em que cada uma delas se ocupa de dar o norte a um problema e/ou conjunto de problemas especificos, porém interdependentes.

Marketing

Embora haja engajamento formal dos países que assinam a Agenda 2030, há também a intenção de ficar bem na fita. È claro que não basta o país assinar se não há efetividade no cumprimento desses ODSs. Para que isso aconteça há uma necessidade de implementar programas internos, pois cada país pode ter potencial de lidar com esses alguns problemas eficazmente e ao mesmo tempo ter dificulades para resolver outros. No geral é isso que muitos países vêm tentando fazer: com avanços, tropeços, recomeços… uns mais engajados, outros menos, com mais ou com menos estrutura e até quem tenha perdido o interesse no meio do caminho. Mas essa conversa — pode deixar — continuamos nos próximos capítulos.

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O Que São os ODS?

Definição clara (sem ONUês)

Criados em 2015 pela Assembleia Geral da ONU, os 17 ODS são como um grande checklist para tornar o mundo mais justo, equilibrado e sustentável. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) são 17 metas globais lançadas em 2015 com a missão de tornar o mundo um lugar melhor até 2030. Sim, é um plano ousado — e talvez você esteja pensando até — 2030 já tá aí, dá tempo?. A resposta é: dá, se a gente parar de empurrar as soluções com a barriga e começar a agir de forma coletiva.

Esses objetivos tratam de tudo o que realmente importa: erradicar a pobreza, garantir acesso à saúde, promover educação de qualidade, proteger a biodiversidade, combater as mudanças climáticas e por aí vai, Ufa! É uma lista ambiciosa, mas também necessária — afinal, o relógio climático está correndo, as desigualdades continuam aí, e o botão soneca da humanidade já foi apertado vezes demais.

. Cada ODS vem acompanhado de metas mensuráveis — porque dizer que quer salvar o mundo é bonito — mas o difícil mesmo é entregar resultados.

De onde vieram? (Spoiler: não foi de Marte)

Falar sobre isso com algumas pessoas é como se disséssemos que viemos de Marte — como os ODS… Mas não: os ODS nasceram de uma revisão dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que traziam 8 metas principais em vigor desde 2000. E, por sua vez, os ODM derivaram do Relatório Brundtland, lançado em 1987, que já apontava para um mundo com menos pobreza e mais acesso a serviços básicos.

Com o tempo, porém, ficou claro que era preciso ir além: ampliar as metas, integrar dimensões ambientais, sociais e econômicas. Em 2015, durante a Cúpula da ONU, 193 países se reuniram para criar algo mais ambicioso e conectado — e assim nasceu a Agenda 2030.

Essa nova proposta reconheceu uma verdade óbvia (mas pouco praticada): não dá pra separar o social, o ambiental e o econômico como se fossem departamentos diferentes de uma empresa que competissem entre si numa espécie de vale tudo. O mundo real como grande parte das coisas, é um sistema interligado. E a Agenda 2030 trouxe também um lema que vale ouro: não deixar ninguém para trás enfatizando a importância desse princípio fundamental que orienta todas as metas estabelecidas.

Um plano global para problemas bem reais

Os ODS surgem como resposta direta às dores do nosso tempo: desigualdade social crescente, crise climática, exclusão, degradação ambiental e sistemas que parecem feitos para beneficiar poucos. Em vez de atacar os problemas de forma isolada, os ODS propõem soluções integradas. Tipo um kit de primeiros socorros para um planeta com febre, pressão alta e ansiedade crônica.

Eles querem garantir que o desenvolvimento chegue a todos — sem arrebentar os limites do planeta no processo. Porque não adianta promover crescimento econômico se ele vem acompanhado de devastação ambiental ou de mais injustiça social. O desafio é justamente equilibrar essas dimensões para que o progresso de hoje não comprometa o amanhã.

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Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

O grande pacto global

Se os ODS fossem um cardápio, ele não traria pratos prontos, mas ingredientes para cozinhar um futuro melhor. São 17 metas interligadas que formam a espinha dorsal da Agenda 2030 da ONU, e funcionam como um grande pacto global para transformar nossas sociedades e, quem sabe, evitar que a gente entre para a história como uma geração que fritou o planeta enquanto fazia selfies, stories, etc.

Cada um dos 17 objetivos foca em um aspecto essencial para garantir um mundo mais justo, equilibrado e habitável. Juntos, eles formam um plano de ação que envolve governos, empresas, comunidades e indivíduos — e, sim, isso inclui a gente também.

Conheça os 17 ODS (em versão direta e humana):

ODS 1 – Erradicação da pobreza
Acabar com a pobreza extrema não é apenas uma meta da ONU, é uma questão de sobrevivência para a humanidade. O ODS 1 busca garantir acesso a renda mínima, moradia digna, educação, saúde e proteção social para todos. Hoje, mais de 700 milhões de pessoas vivem em condições de pobreza absoluta, sem acesso sequer ao básico. No Brasil, a desigualdade estrutural ainda mantém milhões em situação de vulnerabilidade, muitas vezes convivendo lado a lado com bairros ricos. Erradicar a pobreza significa também enfrentar seus múltiplos rostos: desemprego, fome, falta de acesso a serviços públicos, violência urbana e rural. Sem justiça econômica, nenhuma transição energética ou inovação tecnológica será verdadeiramente sustentável. ODS 1 lembra que não existe futuro verde com fome no presente — e que desenvolvimento não pode ser medido apenas pelo PIB, mas pela dignidade compartilhada.

ODS 2 – Fome zero e agricultura sustentável
Arroz e feijão não brotam do supermercado. O ODS 2 busca erradicar a fome e garantir segurança alimentar, ao mesmo tempo em que promove uma agricultura sustentável. Isso significa aumentar a produtividade agrícola sem esgotar o solo, proteger a biodiversidade e garantir renda justa para agricultores, especialmente os familiares, que produzem a maior parte dos alimentos no Brasil e em muitos países. A contradição é gritante: produzimos comida suficiente para todos, mas milhões ainda passam fome, enquanto toneladas de alimentos são desperdiçadas todos os dias. Sistemas alimentares baseados em monoculturas e agrotóxicos empobrecem o solo, contaminam a água e concentram riqueza em poucas mãos. Fome zero só será possível com agroecologia, políticas públicas consistentes, valorização da agricultura local e redução do desperdício em todas as etapas da cadeia. ODS 2 não é apenas sobre comida no prato, mas sobre justiça na terra e no trabalho.

ODS 3 – Saúde e bem-estar
Saúde não é só ausência de doença. O ODS 3 busca garantir acesso universal a sistemas de saúde de qualidade, incluindo vacinas, prevenção, atendimento médico, saúde mental e bem-estar em todas as fases da vida. A pandemia de COVID-19 expôs a fragilidade de sistemas públicos em muitos países e mostrou como desigualdades no acesso podem custar milhões de vidas. No Brasil, o SUS é uma conquista civilizatória, mas sofre com falta de recursos e demora  em muitas especialidades, exames, tratamento e cirurgias, etc. Saúde também significa enfrentar doenças silenciosas como depressão, ansiedade e problemas crônicos ligados a estilos de vida urbanos e agora com os transtornos causados pelas mudanças climáticas. É preciso investir em prevenção, informação, saneamento e alimentação saudável. ODS 3 lembra que cuidar do corpo e da mente é um direito, não um luxo. Sem saúde, não há educação, trabalho, dignidade ou futuro sustentável.

ODS 4 – Educação de qualidade
Educação é a chave que abre as outras portas do desenvolvimento. O ODS 4 busca garantir ensino inclusivo, gratuito e de qualidade em todas as fases da vida, da infância à velhice. Isso inclui alfabetização básica, mas também formação técnica, acesso ao ensino superior e aprendizado contínuo. A educação não é apenas ferramenta de crescimento econômico, mas base da cidadania, da criatividade e da liberdade. No Brasil, os desafios vão da evasão escolar ao déficit de infraestrutura, da desigualdade digital à desvalorização dos professores. Educação de qualidade significa também rever currículos para incluir temas contemporâneos como sustentabilidade, diversidade e cidadania global, estabelecer formas de conexão com as gerações mais novas por estratégias de ensino que fomentem a participação ativa voltadas a autonomia, inclusive promover a inserção digital de maneira ampla e inclusiva na sala de aula. É um investimento que nunca se perde: quanto mais se compartilha, mais cresce. ODS 4 lembra que só com educação universal podemos enfrentar a pobreza, reduzir desigualdades e criar um futuro comum mais justo.

ODS 5 – Igualdade de gênero
ODS 5 não é apenas sobre dar oportunidades iguais, mas sobre corrigir séculos de desigualdade estrutural entre homens e mulheres. A meta é eliminar discriminações, garantir acesso justo à educação, ao trabalho, à saúde, à política e à liderança. Isso significa também enfrentar a violência de gênero, que ainda mata milhares de mulheres todos os anos no Brasil e no mundo. A desigualdade de gênero é um dos maiores entraves ao desenvolvimento: quando mulheres têm autonomia, toda a sociedade avança. Estudos mostram que países com maior igualdade de gênero crescem mais, inovam mais e têm melhores índices sociais. Ainda assim, a participação feminina em cargos de liderança, ciência e tecnologia segue sendo minoria. ODS 5 é justiça básica, mas também é inteligência coletiva: não há sustentabilidade possível quando metade da população está limitada ou silenciada. As políticas sobre diversidade de gênero — identidades trans, não binárias e LGBTI+ — não entraram no texto dos ODS, mas são tratadas em outras frentes da ONU, como a campanha UN Free & Equal.

ODS 6 – Água potável e saneamento

Água limpa é o básico do básico, mas ainda falta para bilhões de pessoas. O ODS 6 busca garantir acesso universal à água potável, saneamento e higiene até 2030. Isso exige muito mais do que encanamento em áreas urbanas: envolve proteger nascentes, rios e aquíferos (claro que isso é o óbvio, porém nem sempre é respeitado, afinal, sem água não há vida), reduzir poluição agrícola, promovendo a regeneração do sol e resolver a poluição industrial, investir em tratamento de esgoto e ampliar infraestrutura rural. A desigualdade é brutal: em muitas cidades brasileiras, bairros de luxo consomem água de qualidade, enquanto comunidades vizinhas recorrem a poços contaminados ou caminhões-pipa. Globalmente, doenças transmitidas pela água contaminada ainda estão entre as principais causas de morte infantil. E o saneamento, que parece tão básico, ainda falta para milhões de pessoas que vivem sem banheiro decente. Garantir água segura e saneamento não é caridade: é direito humano e condição para saúde, educação e desenvolvimento sustentável.

ODS 7 – Energia acessível e limpa

O planeta não aguenta mais puxadinhos energéticos à base de carvão e petróleo. O ODS 7 busca garantir acesso universal à energia limpa, moderna e acessível, condição indispensável para reduzir emissões e enfrentar a crise climática. Mas energia não é só técnica: é política. Ainda hoje, o mundo gasta bilhões em subsídios a combustíveis fósseis, termoelétricas, por exemplo, enquanto posterga investimentos em solar, eólica e outras fontes renováveis. O desafio é duplo: ampliar a oferta limpa em grandes escalas e descentralizar o acesso em comunidades isoladas. No Brasil, o potencial hídrico, solar e eólico é imenso, mas a transmissão ainda é gargalo — energia sobra em alguns pontos e falta em outros. Energia limpa significa também eficiência: consumir menos, gastar melhor. Não se trata apenas de trocar a matriz, mas de redefinir nossa relação com o uso da energia, entendendo-a como bem comum e não mercadoria infinita, mas com certeza ela pode ser renovável, sendo que essa renovação só será possível com consciência ecológica e ações sustentáveis.

ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico

Não basta crescer, é preciso crescer com dignidade. O ODS 8 defende a criação de empregos de qualidade, o combate ao trabalho forçado e infantil e a valorização dos direitos trabalhistas. Em pleno século XXI, milhões ainda trabalham em condições degradantes — seja em fábricas clandestinas da moda rápida, seja nas minas de cobalto que abastecem baterias de celulares, por exemplo. Crescimento econômico sustentável não pode se apoiar em exploração. O desafio é equilibrar inovação, produtividade e inclusão: como conciliar automação, digitalização e novos modelos de negócio com a proteção de trabalhadores? No Brasil, a economia criativa e a transição energética oferecem caminhos de geração de renda e inclusão social, mas ainda enfrentam informalidade e precarização. ODS 8 nos lembra que o desenvolvimento verdadeiro é aquele que garante prosperidade compartilhada, e não apenas estatísticas de PIB.

ODS 9 – Indústria, inovação e infraestrutura

A infraestrutura do século XXI precisa ser resiliente, inclusiva e conectada. ODS 9 busca modernizar indústrias, fomentar pesquisa e expandir infraestruturas sustentáveis. Isso não é apenas construir estradas e pontes: é garantir internet de qualidade em áreas rurais, transporte público acessível nas cidades, fábricas que poluam menos e tecnologia a serviço da sociedade. Países em desenvolvimento enfrentam o risco da dependência: exportam minério barato e importam produtos de alto valor agregado. Essa é a armadilha do subdesenvolvimento 4.0, que perpetua ou até aumenta velhas desigualdades. Inovação precisa estar vinculada a propósito social e ambiental, e não apenas a lucros imediatos. ODS 9 é uma chance de virar o jogo: construir uma industrialização que una eficiência, sustentabilidade e inclusão, para que tecnologia não seja sinônimo de exclusão, mas de integração.

ODS 10 – Redução das desigualdades

O mundo não precisa ser tão desigual quanto a torre do Wi-Fi. O ODS 10 visa reduzir os abismos entre ricos e pobres, centro e periferia, países e continentes. Isso envolve redistribuição de renda, inclusão de minorias e combate a práticas que perpetuam exclusões. A desigualdade mina a democracia, alimenta conflitos e trava o desenvolvimento. É também ambiental: os que menos poluem são os que mais sofrem com as consequências da crise climática. No Brasil, a distância entre bairros ricos e comunidades sem saneamento mostra como desigualdades sociais e ambientais caminham juntas. Globalmente, empresas lucram bilhões enquanto trabalhadores recebem salários insuficientes para se ter um aumento significativo no IDH, Índice de Desenvolvimento Humano. Reduzir desigualdades é imperativo ético e estratégico: sem sociedades mais equilibradas, não há sustentabilidade, nem paz, nem futuro comum.

ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis

Cidades não podem ser apenas depósitos de gente, carros e concreto. O ODS 11 busca transformar áreas urbanas em espaços habitáveis, verdes e resilientes. Isso inclui moradia digna, transporte público de qualidade, áreas de convivência, mobilidade ativa (bicicleta, caminhada) e planejamento urbano integrado. A urbanização acelerada do século XX deixou cicatrizes: periferias sem infraestrutura, trânsito caótico, poluição atmosférica que mata silenciosamente. Enchentes, deslizamentos e ilhas de calor urbanos escancaram a falta de preparo para a crise climática. Imprescindível aumentar parques e praças arborizadas com transporte acessível a essas novas áreas verdes e equipamentos necessários ao lazer da população em geral. Tornar cidades sustentáveis é apostar em urbanismo que priorize as pessoas, e não apenas os carros. Menos buzina e concreto, mais bicicleta e convivência. Esse é o desafio do século: fazer das cidades lugares de vida, e não de sufoco.

ODS 12 – Consumo e produção responsáveis
Não dá mais para viver no modo: compra, usa, joga fora, repete. O ODS 12 busca redesenhar cadeias produtivas, tornando-as mais limpas, circulares e eficientes. Isso significa combater desperdício de alimentos, reduzir plásticos descartáveis, questionar a obsolescência programada e valorizar modelos de economia circular. As empresas têm responsabilidade: precisam inovar para oferecer produtos duráveis, recicláveis e justos. Mas os consumidores também têm papel: cada escolha é um voto na direção de um futuro sustentável ou insustentável. Produzir e consumir com responsabilidade é compreender que tudo tem custo ambiental e social — do celular trocado a cada dois anos ao fast fashion que dura uma estação. O desafio é cultural, mas também político: precisamos de legislações, incentivos e consciência coletiva para sair do piloto automático do desperdício. Os 5Rs da sustentabilidade — repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar — são bússola prática para transformar esse objetivo em hábito diário.

ODS 13 – Ação contra a mudança global do clima
Chega de empurrar com a barriga: a crise climática já é realidade. O ODS 13 exige ações urgentes para reduzir emissões de gases de efeito estufa, adaptar cidades e comunidades a eventos extremos e fortalecer a resiliência global. Ondas de calor, secas, enchentes e ciclones não são mais previsões distantes, são manchetes diárias. Cientistas discutem se o termo Antropoceno é o mais adequado — já que a ação humana é diversa, e parte da crise vem de um modelo econômico específico, o que levou alguns a preferirem termos como Capitaloceno ou Plantationoceno. Mas, no fim das contas, pouco importa o rótulo: o impacto está aí, crescente e visível. O Brasil, com sua Amazônia, tem papel decisivo — e também responsabilidade — já que o desmatamento segue sendo um dos maiores emissores de carbono do país. No mundo, a contradição é clara: ainda se investe mais em combustíveis fósseis do que em energias renováveis, travando a transição energética. Ação climática significa também justiça climática: os que menos poluem são os que mais sofrem os impactos, dos ribeirinhos da Amazônia às ilhas do Pacífico ameaçadas de desaparecer. ODS 13 é, talvez, o chamado mais urgente da Agenda 2030: sem clima estável, todos os outros objetivos perdem o chão.

ODS 14 – Vida na água

Os oceanos são o berço azul da vida, regulam o clima e alimentam bilhões de pessoas, mas estão sufocados por poluição, sobrepesca e aquecimento. O ODS 14 busca conservar e usar de forma sustentável os mares, evitando o colapso de ecossistemas marinhos. Isso inclui reduzir o lixo plástico, combater práticas predatórias de pesca e proteger áreas costeiras e recifes de coral. Sem oceanos saudáveis, não há equilíbrio climático nem segurança alimentar. O Brasil tem mais de 8 mil quilômetros de litoral, mas ainda trata o mar como depósito de esgoto e plástico. Globalmente, o excesso de carbono na atmosfera já acidifica as águas, ameaçando espécies inteiras. ODS 14 nos lembra que o futuro não é apenas verde: é também azul — e sem mares vivos, não há vida em terra firme. Garantir mares saudáveis significa enfrentar também interesses econômicos poderosos, como indústrias pesqueiras e petrolíferas, que lucram com o mar enquanto deixam o prejuízo para todos. É uma luta que exige cooperação global, porque os oceanos não conhecem fronteiras.

ODS 15 – Vida terrestre
Florestas, solos e biodiversidade são a base da vida na Terra. O ODS 15 busca frear o desmatamento, restaurar áreas degradadas e proteger espécies ameaçadas. Mas, ao invés disso, ainda avançamos sobre biomas como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, substituindo diversidade por monoculturas e pastagens. Requer recompor a legislação e aumentar a fiscalização, que sempre foi de certa forma deficitária devido ao tamanho do território e ao número reduzido de contingente humano para tal tarefa. Cada hectare destruído compromete o equilíbrio hídrico, climático e cultural. O desafio é conciliar produção agrícola com conservação — e isso não é utopia, é possível com agroflorestas, manejo sustentável e ciência a serviço da vida. Proteger a vida terrestre é também enfrentar lobbies poderosos do agronegócio e da mineração, que pressionam por flexibilizações legais. ODS 15 é talvez o mais territorial dos objetivos, lembrando que não há futuro tecnológico ou econômico sem o chão vivo que nos sustenta.

ODS 16 – Paz, justiça e instituições eficazes
Sem paz, justiça e instituições sólidas, nenhum outro ODS se sustenta. O ODS 16 defende sociedades mais inclusivas, transparentes e seguras. Isso significa combater corrupção, reduzir violência, garantir acesso à justiça e fortalecer direitos humanos. No Brasil, a desigualdade estrutural alimenta violência cotidiana e desconfiança nas instituições. No mundo, guerras e regimes autoritários destroem décadas de avanços sociais. A ausência de justiça é também ambiental: populações indígenas e tradicionais são expulsas de seus territórios em nome de progresso que não chega até elas. ODS 16 é o lembrete de que não há sustentabilidade sem democracia, nem futuro em paz quando instituições trabalham apenas para alguns. Construir instituições eficazes é também assegurar que a lei valha para todos igualmente, e não apenas para os mais poderosos. É alinhar justiça social, ambiental e política como base de qualquer sociedade sustentável.

ODS 17 – Parcerias e meios de implementação
ODS 17 é o que costura todos os outros: sem cooperação global, nenhum deles se concretiza. Ele busca fortalecer parcerias entre governos, empresas, sociedade civil e comunidades, além de garantir financiamento e transferência de tecnologia. Em um mundo marcado por desigualdade, isolamento e disputas geopolíticas, parcerias são tanto mais difíceis quanto mais necessárias. No Brasil, implementar os ODS exige diálogo entre diferentes níveis de governo, universidades, empresas e movimentos sociais. Globalmente, significa superar o jogo de soma zero em que uns avançam às custas de outros. ODS 17 é, em última instância, o mutirão planetário da sustentabilidade: sozinho, ninguém dá conta; juntos, podemos virar o jogo. Mas parceria não é só cooperação formal: é também criar confiança, dividir responsabilidades e garantir que os benefícios cheguem a todos. Afinal, colaboração real só existe quando ninguém fica para trás. Se todos os ODS trazem pontos importantes, é aqui que eles se somam para multiplicarem na visão do CES. Ainda dá tempo!

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Por Que os ODS São Importantes?

Um plano global que serve para todos — inclusive pra você

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável não foram feitos para ficar em murais de repartições públicas ou em relatórios corporativos que ninguém lê. Eles são importantes porque falam de tudo que realmente importa — para países, empresas e pessoas comuns como eu e você. Servem como bússola para o desenvolvimento global com justiça social, saúde ambiental e dignidade humana. Parece coisa de livro de utopia? Talvez. Mas é um plano real, com metas reais e prazos — e que precisa de gente real pra acontecer.

Para os governos, os ODS são um norte para criar políticas públicas que enfrentem problemas antigos com soluções novas. Eles ajudam a pensar o crescimento econômico junto com a redução da pobreza, o transporte com a qualidade do ar, a saúde com o saneamento. Já para organizações internacionais, como a ONU e suas agências, os ODS são como um idioma comum: um conjunto de metas que todos entendem, mesmo com sotaques diferentes.

O setor privado também entra no jogo

Esqueça a ideia de que desenvolvimento sustentável é papo só de ONGs. Cada vez mais empresas estão percebendo que os ODS também são oportunidade: de inovar, de melhorar sua imagem, de conquistar consumidores atentos e, veja só, de fazer parte da solução. Afinal, nenhuma marca quer ser lembrada como a que ignorou o planeta enquanto vendia canudinhos de plástico com glitter.

Integrar os ODS nas estratégias empresariais não é apenas uma questão de reputação — é uma forma de permanecer relevante em um mundo que cobra responsabilidade de todos os setores. Isso vale tanto para uma multinacional quanto para aquela padaria do bairro que resolveu reduzir o desperdício de pães e passou a oferecer descontos no fim do dia. Sim, é desse tipo de ação cotidiana que o mundo também precisa.

O que eu tenho a ver com isso?

Você pode descobrir no artigo 02 parte B dessa seção — Agenda 2030. Dividimos essa matéria para não ficar tão extensa e, duas partes. A e B. Aguarde!

Comments

    1. Paulo Lai Werneck Post
      Author
      Paulo Lai Werneck

      Vanessa, e aí, tudo blz? Obrigado pelo comentário! Que bom saber que achou leve e relevante esse início de travessia pelos ODS. A ideia é justamente essa: esmiuçar cada um dos 17, buscando conexões esperadas por serem necessárias, mas principalmente as inusitadas. Essa costura até me levou a pensar numa nova categoria: Arte & Ciência & Tecno. A pesquisa corre solta e a cabeça mais solta ainda — eu com minha rede de borboletas virtual e o pensamento voando baixo, tentando somar para multiplicar… Agora é conseguir reunir tudo isso na telinha!

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